1 pontos por GN⁺ 2024-01-30 | 1 comentários | Compartilhar no WhatsApp

Cientistas registram pela primeira vez casos de transmissão da doença de Alzheimer

  • Sabe-se que uma proteína tóxica chamada beta-amiloide destrói neurônios no cérebro de pacientes com Alzheimer.
  • Os pacientes não apresentavam sintomas típicos de Alzheimer, e a idade de início foi muito mais jovem do que o normal.
  • Esses pacientes receberam, na infância, hormônio do crescimento extraído de cadáveres humanos para fins terapêuticos.

Possível transmissão da doença de Alzheimer por tratamento com hormônio do crescimento

  • O tratamento com hormônio do crescimento pode levar fragmentos de proteína ao cérebro, o que pode causar a doença de Creutzfeldt-Jakob (CJD), fatal.
  • Os pesquisadores relatam que o transplante de hormônio do crescimento pode ter semeado proteínas beta-amiloide no cérebro de alguns receptores, levando ao Alzheimer.
  • Este é o primeiro caso a sugerir que a doença de Alzheimer pode ser transmitida, oferecendo uma nova perspectiva para o debate sobre a causa do Alzheimer.

Alzheimer não é contagioso

  • O Alzheimer não é uma doença contagiosa, e casos de transmissão por tratamento não ocorrem mais.
  • Os pesquisadores descreveram apenas 5 pacientes com Alzheimer entre mais de 1.800 pessoas no Reino Unido que receberam hormônio do crescimento extraído de cadáveres entre 1959 e 1985.
  • Os resultados reforçam a importância de práticas médicas seguras, como a esterilização de instrumentos neurocirúrgicos.

Debate sobre a causa fundamental do Alzheimer

  • Acredita-se que o beta-amiloide tenha um papel no desenvolvimento do Alzheimer, e terapias que removem essa proteína começam a mostrar benefícios para os pacientes.
  • No entanto, a maioria dos especialistas considera que o amiloide por si só não é a única causa do Alzheimer.
  • Pesquisadores levantam dúvidas sobre a possibilidade de outros fatores terem atuado além da transmissão de amiloide.

Opinião do GN⁺

  • Este estudo mostra a possibilidade de transmissão de doenças por procedimentos médicos e pode ampliar a compreensão sobre as causas e os mecanismos de desenvolvimento do Alzheimer.
  • A descoberta de que a doença de Alzheimer pode ser transmitida serve de alerta para a área médica e enfatiza a importância de práticas médicas seguras.
  • O estudo oferece esperança para o desenvolvimento de novos tratamentos para Alzheimer e pode estimular mais pesquisas sobre a eficácia de terapias relacionadas ao beta-amiloide.

1 comentários

 
GN⁺ 2024-01-30
Comentários do Hacker News
  • Pelo que sei, essa descoberta não é totalmente nova. Por exemplo, um artigo de 2018 tratava do tema de que o Alzheimer poderia ser “transmitido” por meio de hormônio do crescimento extraído de cadáveres. O novo artigo pode fornecer evidências adicionais, ou talvez desta vez prove uma ligação real, ao contrário do artigo anterior, que apenas levantava suspeitas de uma associação. A parte de “semeadura” me parece interessante e assustadora. Não foi a pequena quantidade de hormônio do crescimento injetada nas crianças em si que causou Alzheimer, mas ela pode ter reorganizado o cérebro para acumular mais placas, fazendo com que o desempenho cerebral diminuísse gradualmente ao longo de décadas. Se esse efeito puder ser sintetizado, é fácil imaginar muitos países usando isso para desenvolver armas biológicas terríveis.
  • Há pesquisas sobre o fenômeno de “contagiosidade” em muitas doenças neurodegenerativas. Do ponto de vista epidemiológico, parece improvável que sejam transmitidas de uma pessoa para outra, mas existe um fenômeno interessante. Por exemplo, embora testes de transplante de células-tronco para Parkinson tenham fracassado, quando os participantes morreram anos depois e passaram por autópsia, foram encontrados aglomerados proteicos do Parkinson (corpos de Lewy) nas células-tronco transplantadas, e isso chamou atenção. Da mesma forma, também existem estudos em que camundongos sem o gene do Parkinson desenvolvem características da doença e corpos de Lewy após receberem alfa-sinucleína mal dobrada injetada de outros camundongos. Ainda não está claro como devemos usar essa informação.
  • Fico me perguntando que outras coisas estão sendo transferidas sem querer em transfusões de sangue padrão. Já vi pesquisas interessantes sobre a capacidade de “sinalização” do sangue de doadores jovens e idosos. “Sangue jovem” retarda o envelhecimento das células, e “sangue velho” acelera o envelhecimento. Quando se pega material biológico de outra pessoa e se coloca em outro corpo, parece que se introduz muito mais incerteza e risco do que ao injetar medicamentos de pequenas moléculas relativamente “simples”.
  • Eu achava que a teoria do beta-amiloide tinha sido em grande parte refutada por manipulação de dados por parte de editoras, mas agora ela está ganhando destaque de novo. Estou confuso.
  • A própria hipótese beta-amiloide está passando por alguma revisão e talvez não explique de fato o Alzheimer. Fico me perguntando se essa descoberta fornece evidências adicionais para a hipótese amiloide.
  • Gosto de dizer “É circuncisão?” quando as pessoas leem por cima do meu ombro.
  • A ideia de que Alzheimer seja uma doença priônica contagiosa é coisa de pesadelo (doença priônica == incurável)
  • Há 4 horas: em https://news.ycombinator.com/item?id=39179368 foi destacado o seguinte:
    • o estudo se baseia em um pequeno número de pessoas e está relacionado a uma prática médica que não é mais usada.
    • não sugere que formas de demência como a doença de Alzheimer possam ser contagiosas entre pessoas.
    • vocabulário interessante: “iatrogênico”, uma doença causada por exame ou tratamento médico.
  • Fico me perguntando quais práticas de décadas atrás podem acabar se revelando desastrosas para pessoas que ainda estão vivas hoje. Lembro de ter lido um artigo, há muito tempo, dizendo que certas práticas na criação de gado poderiam ser responsáveis por algumas doenças relacionadas a príons. Não me lembro da fonte exata. Essas coisas podem vir de fontes totalmente não relacionadas.
  • Estou um pouco surpreso com a contenção demonstrada por esta publicação ao mencionar a doença de Creutzfeldt-Jakob. Normalmente, os veículos de imprensa gostam de mencionar que a doença de Creutzfeldt-Jakob é a versão humana da doença da vaca louca.