1 pontos por GN⁺ 2024-01-15 | 1 comentários | Compartilhar no WhatsApp

Preocupações com a Boeing já existiam antes da emergência da Alaska Airlines

  • Antes da emergência da Alaska Airlines, ocorrida em 5 de janeiro de 2024, já havia preocupações dentro da Boeing sobre a forma como a empresa fabricava aeronaves.
  • Assim como muitas outras fabricantes americanas, a Boeing vinha terceirizando cada vez mais as peças usadas em máquinas complexas.
  • Em 2001, o engenheiro aeroespacial da Boeing John Hart-Smith apresentou um white paper controverso em um simpósio técnico interno. Ele alertou para os riscos caso a Boeing terceirizasse trabalho demais e não oferecesse suporte técnico e de qualidade suficiente no local aos fornecedores.

Opinião do GN⁺

  • Este artigo levanta uma questão importante sobre a segurança aérea ao destacar o histórico da Boeing de ampliar a terceirização de componentes no processo de fabricação de aeronaves e os potenciais riscos decorrentes disso.
  • O white paper de John Hart-Smith mostra que já havia, dentro do setor, consciência desses riscos, o que pode ser visto como um exemplo da importância do controle de qualidade e da gestão da cadeia de suprimentos por parte dos fabricantes de aeronaves.
  • Essas informações podem servir como referência importante não apenas para os passageiros que utilizam aviões, mas também para os órgãos responsáveis pela regulação da segurança aérea e para os profissionais que atuam na fabricação e manutenção de aeronaves.

1 comentários

 
GN⁺ 2024-01-15
Comentários do Hacker News
  • O artigo de 2001 do Dr. LJ Hart-Smith é tão interessante quanto a matéria

    • Há observações que também podem ser aplicadas à indústria de software
    • Algumas recomendações notáveis de Hart-Smith no fim do artigo:
      • Analisar continuamente a atividade como um todo, em vez de minimizar custos isoladamente
      • Manter produção interna suficiente para adquirir as competências necessárias ao desenvolvimento de novos produtos
      • Ao contrário de setores de alto valor agregado, em setores de baixo valor agregado técnicas de redução de custos frequentemente são inadequadas
      • Dar mais atenção às propostas de redução de custos dos próprios funcionários do que às de consultores de negócios externos
  • Críticas à decisão da Boeing de vender fábricas para fundos de private equity

    • Produtos feitos em fábricas controladas por private equity viriam de organizações contrárias à qualidade, focadas em ganhos de curto prazo
  • Preocupação com a mudança cultural e os erros estratégicos da Boeing desde o fim dos anos 90

    • Problemas que já eram amplamente conhecidos na época do lançamento do Dreamliner
    • Quando ocorreram os acidentes com o MAX 8, todos fingiram choque e surpresa
    • Acidentes em sistemas complexos normalmente acontecem por causa da mesma causa-raiz
    • Mesmo após o grande escândalo de 2018/19, a Boeing fez lobby para obter mais exceções relacionadas à garantia de qualidade e às normas de segurança
    • Já nos anos 2000 havia a percepção de que vários aviões da Boeing não eram os melhores do mercado, mas figuras importantes do governo dos EUA influenciavam compradores para que os pedidos continuassem chegando
    • Pessoas dentro da Boeing que levantavam problemas eram ignoradas ou demitidas
  • A estratégia da Boeing de distribuir suas operações por vários estados dos EUA

    • Há desvantagens em uma manufatura dispersa, mas a decisão foi tomada por vantagens políticas
    • A Boeing é como um navio afundando, mas ninguém quer piorar a situação
  • A diretoria da Boeing vê o marketing como a fonte de todo o lucro, e considera engenharia, design e manufatura custos que devem ser minimizados e controlados

    • A atual diretoria da Boeing provavelmente vai identificar responsáveis na manufatura para responsabilizá-los
  • A competência central da Boeing é driblar regulações e obter contratos governamentais

    • Terceirizar a fabricação de aviões, que não seria sua competência central, teria sido a decisão correta
  • Culpar a “terceirização” pela corrupção interna da Boeing é transferir responsabilidade

    • O problema do software MCAS e a economia de custos na correção do MCAS revelam a corrupção interna da Boeing
  • Um caso dos primórdios do CAD/CAM nos anos 1960 em que um projeto da Boeing foi salvo

    • Uma história que mostra que o melhor momento para fazer mudanças de projeto é antes de fabricar de fato

Contexto: Este resumo reúne diversas opiniões de usuários do Hacker News sobre a gestão e a estratégia de manufatura da Boeing. A Boeing é uma grande fabricante de aeronaves dos Estados Unidos e vem sendo criticada nos últimos anos por vários problemas. O MCAS mencionado aqui é o sistema de controle de voo do 737 MAX, associado a dois acidentes fatais. CAD/CAM significa projeto e manufatura assistidos por computador.