As entrevistas de desligamento são uma armadilha
(jacobian.org)Este é um resumo do texto original. Talvez os argumentos do autor tenham sido cortados, e como o texto é longo, este resumo está bem condensado, então recomendo fortemente que você leia o original também. (especialmente considerando a natureza do texto)
- O feedback dado em entrevistas de desligamento quase não tem utilidade. Não há vantagens, porque:
- Decidir sair de uma empresa geralmente não acontece por um problema isolado, mas por problemas repetidos e padronizados. É quase impossível corrigir isso com feedback. E, mesmo que fosse possível corrigir, você já decidiu sair.
- Então, mesmo que por muita sorte alguma mudança aconteça, já será tarde demais para você sentir essa mudança.
- Então quais são as desvantagens?
- Se a outra parte ficar ofendida, pode falar mal de você de forma maliciosa nas referências.
- Se no futuro você voltar a trabalhar com essas pessoas, elas podem hesitar em confiar em você.
- Mesmo que na sua frente digam que está tudo bem, podem falar mal de você pelas costas.
- Quando sua nova empresa fizer checagem de referências, podem dizer maliciosamente que você saiu por demissão.
- Tudo isso, segundo o autor, são casos reais que ele mesmo presenciou. Na prática, se você ainda está no início da carreira e é a primeira vez que pedem referências suas, você não terá uma rede capaz de contestar essa versão. E essas pessoas vão acreditar nessa mentira.
- É por isso que o autor diz que a entrevista de desligamento é uma armadilha. Não há benefícios, e há muitas desvantagens. O melhor cenário é uma mudança gradual na empresa depois que você sair; o pior é uma retaliação que pode te perseguir por anos.
- Então o que fazer? Evitar a reunião, ou dizer “não tenho nada de ruim a dizer sobre vocês!” (o que não é necessariamente mentira, porque pode ser apenas algo que você não quer dizer), ou, se participar, mentir. E se preparar para o constrangimento.
- Então por que o autor e outras pessoas ignoram essa regra? Há motivos como os seguintes.
- Não pensaram muito sobre isso e responderam como responderiam em qualquer outra reunião.
- Catarse: finalmente poder dizer o que queriam dizer. Ou achar que, enfim, serão ouvidos.
- Acreditar que o feedback vai levar a mudanças, e querer melhorias pelos colegas que ficam e pela pessoa que vai te substituir. Como realmente querem que a empresa vá bem, essa compaixão leva a superestimar a possibilidade de mudança e subestimar as desvantagens.
- No caso do autor, ele deu esse feedback por causa do último motivo. Ele tinha alguns “seguros”:
- O autor tinha 20 anos de carreira, uma rede de contatos, estabilidade financeira e já tinha o próximo emprego garantido. Mais importante ainda, conhecia bem seus gestores, colegas e todas as pessoas em posição de reagir ao feedback. Ele confiava que eles saberiam receber esse retorno, porque no passado já havia visto respostas a críticas que foram realmente ouvidas e consideradas.
- Por isso o autor também deu feedback, e o gestor agradeceu, mas nada mudou. Algumas pessoas saíram nos meses seguintes, e a organização continuou indo numa direção com a qual ele não concordava.
- Ele acha que fez a escolha certa, mas ainda assim não é uma decisão que recomendaria.
11 comentários
Embora eu esteja comentando em um texto um pouco antigo, às vezes volto aqui para ler de novo sempre que me lembro.
O resultado do Prêmio Ig Nobel de Administração de 2010 (de que promover pessoas aleatoriamente, na verdade, aumenta a eficiência da organização) mostra que a eficiência de uma organização depende da estrutura, não das pessoas. Quando você aprende o quão impotente é a opinião de um indivíduo, que não consegue melhorar a estrutura, só fica um gosto amargo na boca.
Se a organização ainda for pequena e eu tiver uma relação próxima com o CEO, que é quem toma as decisões, será que existe ao menos alguma chance de que as coisas sigam na direção com a qual eu concordei?
Provavelmente o que preocupa quem escreveu é esta parte: não há vantagens e há muitas desvantagens. O melhor cenário é a mudança gradual da empresa depois que você sai, mas o pior é uma retaliação que vai te atormentar por anos. Então, a menos que seja uma empresa de que você realmente gosta e você tenha certeza de que a comunicação vai ser bem recebida, acho que vale pensar com bastante cuidado.
Sim, eu também acho que essas situações variam de caso a caso.
Se o CEO tiver uma mente aberta e a relação for próxima, acho que é perfeitamente algo sobre o qual vale a pena conversar.
Como continuação deste texto, ele também publicou outro artigo chamado "O que fazer em vez de uma entrevista de desligamento: a última reunião 1:1".
https://jacobian.org/2022/apr/7/your-last-o3/
Vale a pena conferir também
Eu tinha lido com bastante admiração o primeiro texto da série “Meça software de qualquer jeito” deste blog, mas não tinha conseguido ler os outros; desta vez, acabei voltando para dar outra olhada.
https://jacobian.org/2021/may/20/estimation/
Entrevista de desligamento... fiz uma no ano passado, mas a organização praticamente não mudou e acabou indo numa direção ainda pior. Não acho que tenha tido um impacto negativo nas referências, mas concordo que, mais do que eu imaginava, a organização da qual você está saindo muda muito pouco.
No fim, só vão ficar as pessoas que combinam com a direção para a qual quem lidera essa organização está indo. Se, por sorte, essa direção trouxer benefícios para a organização, ela vira uma organização bem-sucedida; se não, acontece o contrário.
Não existe, obviamente, uma organização que sirva para todo mundo, mas se conseguir ao menos dar a uma parte considerável das pessoas a convicção de que está seguindo na direção certa, acho que as chances de sucesso aumentam um pouco mais. Claro que também é preciso sorte, mas como considero que isso exige bastante habilidade...
Pode parecer ingênuo, mas ainda assim acho que o certo é falar com sinceridade.
Mas, como o texto aponta, se você espera alguma mudança, faz sentido pensar com mais cuidado e expor sua opinião de forma mais criteriosa.
Acho que isso tem relação com o nível de confiança nas pessoas da organização. Se não havia confiança e a relação também não era muito boa, ir embora sem dizer nada acaba sendo mais importante como forma de autoproteção. Mas, se havia confiança e uma boa relação, a pessoa tende a esperar que um feedback cuidadoso e bem-intencionado será bem recebido, e por isso acaba falando com sinceridade.
Eu estava lendo este texto agora, e chegou na hora certinha a notificação de um novo post no GeekNews! Obrigado~~
👍