Por que o melhor funcionário vira o pior gerente
(yanivpreiss.com)- Ao tratar da estrutura de fracasso que costuma ocorrer ao transformar funcionários tecnicamente excelentes em gerentes e de seus efeitos em cadeia, o texto enfatiza que um cargo de gestão deve ser encarado não como promoção, mas como uma nova profissão
- Segundo pesquisa da Gallup, 70% do engajamento dos funcionários é determinado pelo gerente, e um gerente inadequado leva à queda de desempenho da equipe, rotatividade e colapso da cultura organizacional
- De acordo com o Peter Principle (Princípio de Peter), quando a promoção é feita com base no desempenho no cargo atual, surge um problema estrutural em que a pessoa acaba chegando a um nível de incompetência e permanece ali
- Ao identificar candidatos à liderança, é preciso observar evidências baseadas em comportamentos passados, como inteligência social, visão de negócios e caráter pessoal, e não capacidade técnica
- Para fazer a transição para a gestão corretamente, é essencial um processo estruturado de seleção, com definição de função, entrevistas comportamentais e feedback 360 graus
O custo de um gerente inadequado
- As pessoas não deixam empresas, e sim gerentes; uma transição de liderança malfeita gera efeitos amplos
- No nível da equipe: segundo a Gallup, 70% do engajamento dos funcionários depende do gerente, e um gerente inadequado provoca baixa qualidade, metas não atingidas, decisões ruins, gargalos, estagnação do crescimento e rotatividade
- Para o próprio gerente: ser colocado no papel errado causa carga psicológica, baixa autoestima e ansiedade em relação ao olhar dos outros, podendo resultar em trauma profissional por anos
- No nível organizacional: quando a alta liderança mantém uma pessoa inadequada no cargo, a confiança é corroída, espalham-se rumores e interpretações arbitrárias sobre os valores da empresa, e a credibilidade de quem toma decisões de pessoal cai
- Deixar um gerente inadequado no cargo é escolher aceitar deliberadamente um baixo desempenho e permitir a saída dos melhores talentos
- Se feedback e coaching falharem, pode ser necessária a transição de volta para IC (contribuidor individual), rebaixamento ou PIP (plano de melhoria de desempenho); embora doloroso, é melhor do que manter a situação atual
Peter Principle (Princípio de Peter)
- Um estudo de 2018 confirmou empiricamente o Peter Principle: membros da organização são promovidos com base no desempenho no cargo atual até chegarem a um nível de incompetência, onde então permanecem
- O erro central é considerar o cargo de gestão como uma “recompensa por um trabalho bem feito”, quando gestão é uma profissão completamente nova
- Transformar um excelente engenheiro em líder de equipe não é uma promoção, e sim uma mudança de carreira
4 principais erros de transição
- Decidir a transição apenas pela capacidade técnica: perde-se um excelente contribuidor técnico e ganha-se um gerente ruim. Capacidade técnica é fácil de medir, mas soft skills como empatia, influência e regulação emocional são a base da liderança e podem ser aprendidas
- Falta de preparo: um workshop genérico não é um plano de transição. Sem identificar lacunas individuais, feedback contínuo e apoio profundo à mudança de comportamento, o fracasso do novo gerente torna-se praticamente inevitável
- Transição apressada para resolver uma crise: quando empresas em crescimento correm para preencher posições, o gerente acaba sem conseguir apoiar a equipe, o que depois se traduz em alta rotatividade
- Ausência de definição de função: se responsabilidades e limites do cargo (disciplina vs. matriz, unidade única vs. múltiplas unidades, expectativas culturais, escopo) são vagos, torna-se impossível encontrar a pessoa certa
Identificar o verdadeiro potencial
- Para identificar futuros líderes, é preciso observar a influência sobre todo o ecossistema, e não apenas sobre um escopo estreito de trabalho; o melhor preditor de comportamento futuro é o comportamento passado
- Em candidatos externos, depende-se apenas da entrevista, mas no caso de candidatos internos é possível verificar evidências reais dos comportamentos desejados
- Algumas competências já existem naturalmente, outras podem ser desenvolvidas com treinamento e prática antes da transição, e para as lacunas restantes é preciso decidir se serão aceitas ou se haverá um plano para resolvê-las
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Inteligência social (Social Intelligence)
- Influência: alguém que as pessoas seguem espontaneamente, com quem querem trabalhar e a quem escutam
- Proatividade: apresentar novas ideias e levá-las até a conclusão
- Comunicação: clara, concisa, compreensível e respeitosa, tanto por escrito quanto verbalmente
- Construção de relacionamentos: criar e manter conexões genuínas, sem bajulação
- Inteligência emocional: sensibilidade em relação aos outros e capacidade de aceitar pontos de vista divergentes
- Comportamento produtivo em situações de conflito, com foco no tema, não na pessoa, estabelecendo limites em vez de bloquear
- Capacidade de ter conversas desconfortáveis
- Competência para orientar e ensinar colegas
- Atitude de celebrar sinceramente o sucesso dos membros da equipe
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Visão de negócios (Business Acumen)
- Visão sistêmica, e não restrita ao próprio trabalho: impacto sobre membros da equipe, outros times, clientes e parceiros; perspectiva de curto vs. longo prazo
- Pensamento estratégico: de longo prazo e orientado a impacto no negócio
- Capacidade de decidir em meio à ambiguidade
- Capacidade de explicar como a visão da empresa se conecta ao próprio trabalho
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Caráter pessoal (Personal Character)
- Motivação intrínseca: é perceptível externamente que a pessoa gosta do que faz
- Curiosidade: vontade de explorar, aprender e crescer, indo além da própria função
- Convicção e firmeza em relação à visão, à equipe e a si próprio
- Confiabilidade para agir em nome da organização, operando com foco no coletivo, e não no benefício pessoal
- Disposição para buscar responsabilidades adicionais mesmo sem ser solicitado
- Humildade: capacidade de conviver, apoiar e colaborar com os outros
- Alinhamento com o DNA da empresa, valores centrais e visão
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Regra dos 150%
- O Manager Tools recomenda a “regra dos 150%”: o candidato deve ter experiência comprovada de já realizar 100% do papel atual enquanto também já executou 50% do próximo papel
Selecionar a pessoa certa
- Para encontrar a pessoa certa, é preciso ir além da entrevista padrão e, antes de tudo, ter clareza sobre a função, responsabilidades, interfaces com outras áreas e critérios de sucesso
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1. Planejamento sucessório e sourcing interno
- Sempre divulgar internamente as vagas em aberto e pedir aos gerentes atuais um plano de sucessão (é preciso deixar claro que isso faz parte do trabalho de gestão)
- Às vezes, um time específico funciona como uma “incubadora de liderança”; é importante entender por quê e avaliar se isso pode ser reproduzido
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2. Coleta de feedback
- Coletar feedback da equipe e das partes interessadas sobre a pessoa em questão
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3. Entrevista comportamental
- Em vez de perguntar “o que você faria?”, perguntar “o que você fez?”
- “Dê um exemplo de uma iniciativa que você liderou e qual foi o impacto.”
- “Conte sobre uma ocasião em que recebeu feedback negativo e o que mudou depois disso.”
- “Como você lidou com opiniões contrárias à sua ideia?”
- “Fale sobre um fracasso que viveu e o que aprendeu com ele.”
- Também é essencial verificar a motivação: perguntar como a pessoa enxerga o papel de gerente (com foco em liderados diretos, clientes, parceiros e stakeholders)
- Se a motivação estiver em título, salário, poder ou status, e não em gerar impacto, há grande chance de a pessoa desmoronar rapidamente diante de desafios
- Em vez de perguntar “o que você faria?”, perguntar “o que você fez?”
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4. Feedback 360 graus
- Em funções de grande influência, coletar feedback amplo de stakeholders e colegas
- Avaliar não apenas o desempenho “vertical” perante a chefia, mas também a forma de colaboração “horizontal” com outras equipes
Conclusão
- Levar um funcionário de alto desempenho para a liderança não é uma promoção, e sim uma transição para uma nova profissão
- Tratar um cargo de gestão como recompensa por excelência técnica pode causar efeitos devastadores, como queda no engajamento da equipe e trauma no novo gerente
- Para quebrar o ciclo vicioso do Peter Principle, é preciso identificar potencial real — navegar na ambiguidade, conduzir conversas difíceis e priorizar o ecossistema organizacional acima do interesse pessoal — e não apenas produção técnica passada
- A transição correta não serve apenas para preencher uma vaga, mas para garantir desempenho e reter os melhores talentos
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