- A Proton apresentou documentos no Tribunal Distrital Federal do Norte da Califórnia, nos Estados Unidos, para se juntar a uma ação coletiva já existente que contesta as práticas anticompetitivas da Apple
- As políticas da App Store da Apple vêm sendo apontadas como ilegais e anticompetitivas no mundo todo, com regulações e punições em andamento em vários países
- A empresa destaca que as ações da Apple configuram violação da legislação antitruste dos EUA e reforça a necessidade de mudanças reais nas políticas
- Essas políticas geram impactos negativos para empresas voltadas à privacidade, além de afetarem democracia e liberdade
- A Proton planeja usar qualquer compensação integralmente para contribuir, por meio de uma organização sem fins lucrativos, com a promoção da democracia e dos direitos humanos
Visão geral e contexto da participação no processo
- A Proton apresentou documentos no Tribunal Distrital Federal do Norte da Califórnia, nos Estados Unidos, para se juntar a uma ação coletiva já existente contra as práticas anticompetitivas da Apple
- Este processo não é apenas sobre a própria Proton, mas é movido em nome de um grupo que representa desenvolvedores em situação semelhante
- A empresa enfatiza que a ação é necessária para garantir que o futuro da internet preserve liberdade, privacidade e segurança
Por que entrar com a ação agora
- As políticas da App Store da Apple há muito tempo vêm sendo consideradas anticompetitivas e ilegais em diversas jurisdições
- Na União Europeia, a empresa recebeu multa de 500 milhões de euros, e tribunais dos EUA também apontaram descumprimento de ordens e a criação de barreiras anticompetitivas
- Há movimentos ativos em países como Reino Unido, Brasil, Países Baixos e Coreia do Sul para reformar a conduta da Apple
- Embora essas práticas da Apple configurem violação da legislação antitruste nos EUA, existe o risco de que, sem litígio, elas continuem sendo permitidas no mercado americano
- Outro processo coletivo movido recentemente por desenvolvedores de apps contra a Apple está em andamento, e, se houver acordo nesse caso, ele poderá ter efeito vinculante para todos os desenvolvedores
- Diante disso, a Proton decidiu participar diretamente do processo para não acabar apenas recebendo compensação por práticas passadas de forma automática, mas para impulsionar uma reforma real das políticas da App Store
- O objetivo da ação não é apenas compensação financeira, mas também a melhoria estrutural do ecossistema de apps e a ampliação da concorrência no mercado
- Se a Proton vier a receber indenização, pretende doar todo o valor a organizações voltadas à democracia e aos direitos humanos
- Essas doações serão administradas pela Proton Foundation, para garantir que o interesse público tenha sempre prioridade
Pontos centrais
Os problemas sociais causados pelo monopólio da Apple na distribuição de software
- O monopólio da Apple na distribuição de apps no iOS gera diversos problemas para consumidores, empresas e para a sociedade como um todo
- Isso reforça a necessidade de regulação legal para evitar qualquer abuso de poder monopolista
- O abuso de monopólios por grandes empresas de tecnologia tem impacto profundo sobre o futuro da internet e sobre valores sociais em geral
As políticas da App Store prejudicam a privacidade
- As políticas da App Store favorecem modelos de negócio de capitalismo de vigilância, como os da Meta e do Google
- Todos os desenvolvedores precisam arcar com uma taxa anual de US$ 99 e com uma comissão de 30% sobre pagamentos dentro do app
- Para empresas centradas em privacidade, esse custo pesa muito quando a receita vem de assinaturas, o que inibe a expansão de modelos voltados à proteção de dados
- Em contrapartida, empresas de serviços "gratuitos" baseados no uso de dados pessoais sofrem bem menos impacto
- Embora a Apple use a privacidade em seu marketing, na prática utiliza essas políticas de uma forma que restringe a concorrência
- Essa contradição estrutural contribui diretamente para a expansão do capitalismo de vigilância
As políticas da Apple prejudicam liberdade e democracia
- O controle total da App Store faz com que a acessibilidade a apps para usuários de iPhone dependa diretamente da Apple
- A Apple justifica isso com argumentos de segurança, mas na prática coopera com censura e remoção de determinados apps conforme o país
- Como exemplo, segundo o relatório AppleCensorship da GreatFire.org, 66 dos 100 apps mais populares do mundo estão bloqueados na App Store chinesa
- Os 240 apps de VPN também não estão disponíveis para usuários de iOS na China
- Na China, 27% dos apps estão bloqueados em comparação com a App Store global, mais que o dobro da média mundial
- Como muitos deles são apps de notícias, redes sociais e mensagens, o objetivo de censura fica evidente
- Em casos envolvendo o governo russo e os protestos em Hong Kong, entre outros, a empresa também reduziu ativamente a disponibilidade de determinados apps, como VPNs, a pedido de governos nacionais
- A própria Proton também recebeu, em 2020, uma exigência da Apple: remover da descrição na App Store a frase "acessar sites censurados" ou teria a venda interrompida
- Isso faz com que todos os desenvolvedores acabem subordinados a esse tipo de política sob uma estrutura monopolista de distribuição
- A empresa reforça que acabar com o monopólio sobre a distribuição de apps é essencial para proteger liberdade e democracia no futuro da internet
Piora da experiência do usuário
- A Apple restringe a relação direta entre desenvolvedor e usuário ao controlar a gestão de assinaturas e o sistema de pagamentos
- É proibido mencionar caminhos alternativos ao pagamento dentro do app, não são permitidos links para sites externos, e até links para FAQ ou páginas de suporte ao cliente são vetados dentro do app
- Por exemplo, o app da Proton não pode informar ao usuário que há preços melhores ao pagar pelo site
- Também não é possível para o usuário gerenciar assinaturas livremente em vários dispositivos
- Quem fez upgrade da assinatura na web não pode alterar isso no iOS, e o mesmo vale no sentido inverso
- Para limitar a concorrência com serviços da Apple, apps de terceiros são projetados para não conseguir acessar certos recursos do iOS
- Exemplo: o Proton Calendar não pode ser definido como app de calendário padrão
- Serviços de nuvem de terceiros, como o Proton Drive, enfrentam limitações em processamento em segundo plano
- No geral, isso fortalece o fechamento do ecossistema de apps e provoca piora da experiência de uso, além de aumentar os preços para os usuários
As taxas da App Store provocam inflação de preços
- A comissão de 30% da Apple funciona, na prática, como uma tarifa artificial sobre o comércio na internet, elevando preços
- Em materiais do processo Epic Games v. Apple, aparece que a Apple obtém margem de lucro de 78% com essa comissão
- A única razão pela qual a Apple consegue manter taxas tão altas é seu monopólio total sobre distribuição e pagamentos no iOS
- Se houver concorrência nos sistemas de distribuição e pagamento, será possível adotar meios de pagamento mais baratos, o que pode resultar em queda de preços para os consumidores
A importância deste processo
- A reforma institucional desejada pela Proton pode contribuir de forma estrutural para a proteção da privacidade, a garantia da democracia e a criação de um mercado mais justo no ecossistema da internet
- Num momento em que os apps móveis se tornaram infraestrutura central da internet, a importância de estimular concorrência nas app stores e abrir o mercado é maior do que nunca
- A Proton reafirma que este processo não é apenas por ela mesma, mas por todos os desenvolvedores de apps e usuários do mercado
- A empresa reconhece que a disputa deve ser longa e difícil, mas afirma seguir adiante com base na convicção de que a internet deve servir à sociedade como um todo
- A expectativa é que este precedente ajude a garantir que o futuro da internet seja definido por escolhas livres de mercado, e não por monopólios
Referência
- A Proton está sendo representada por Quinn Emanuel Urquhart & Sullivan LLP e Cohen Milstein Sellers & Toll PLLC
- Todos os documentos relacionados podem ser consultados dentro do caso Proton v. Apple
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