1 pontos por GN⁺ 2025-06-22 | 1 comentários | Compartilhar no WhatsApp
  • Algumas empresas interpretam a confidencialidade de PI de forma muito ampla e consideram que qualquer trabalho em determinado setor pelo resto da vida inevitavelmente violará essa confidencialidade
  • Nessa interpretação, mesmo sem violação intencional, aplica-se a lógica de que a bagagem técnica e de negócios acumulada por uma pessoa já dificulta trabalhar em outro lugar no mesmo campo
  • É preciso ler os contratos de trabalho com cuidado, e são citados como casos relacionados o artigo da ProMarket e a doutrina jurídica de Inevitable disclosure

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GN⁺ 2025-06-22
Comentários no Hacker News
  • Acho que a lei chinesa é eficaz nesse ponto. Para manter uma cláusula de não concorrência, a empresa precisa continuar pagando mensalmente 30% do salário mensal total que a pessoa recebia enquanto estava empregada, e, se os pagamentos forem interrompidos, a cláusula de não concorrência é automaticamente anulada

    • A lei brasileira é ainda mais forte. Exige compensação de 100%, e a empresa tem o ônus de provar a necessidade da cláusula de não concorrência. Esse tipo de contrato só aparece em situações muito razoáveis e em cargos com salários altos
    • Esse sistema na verdade parece ruim. Como a estrutura permite falar à vontade sobre propriedade intelectual quando os pagamentos acabam, isso parece até incentivar esse tipo de comportamento depois que o pagamento termina
    • Pelo que lembro, Oregon também exige algo em torno de 50%. Mas, se não for 100%, na prática não serve para nada. Ao conseguir um novo emprego no mesmo setor, aumento salarial é comum, então até 100% na prática já representa perda
    • Em Portugal a situação é parecida. Cláusulas de não concorrência exigem uma compensação mensal durante o período em questão e, se a indenização não estiver especificada no contrato, o funcionário pode exigir o salário integral durante esse período (já vivi isso na prática)
    • Acho fraca a regra dos 30%. Ao mudar para um concorrente ou abrir a própria empresa, o salário normalmente é maior, então pagar 30% não tem utilidade real
  • Fico curioso se realmente existe jurisprudência para casos assim. Parece só conversa de advogado para assustar. Na verdade, isso parece ser uma situação especial que não se aplica muito às pessoas comuns

  • Nos EUA, incluindo cláusulas de não concorrência usadas de forma discreta, as empresas estão abusando disso para garantir poder sobre os funcionários. Até 12% dos trabalhadores de baixa renda que ganham menos de US$ 20 por hora precisaram assinar não concorrência. Esses trabalhadores não têm acesso a segredos da empresa, mas isso só reduz seu poder de barganha
    Artigo do Federal Reserve de Minneapolis

    • Na Austrália, cláusulas de não concorrência já são proibidas para quem ganha menos de US$ 175 mil por ano. Estão ajustando a lei para remover do mercado condições contratuais sem validade, usadas para intimidar funcionários com salários mais baixos. Na verdade, os tribunais já vinham vendo essas cláusulas de forma muito negativa quando eram amplas ou restritivas demais
    • Não é só nos EUA; na América do Sul e na África também é comum usarem contratos abusivos ao estilo americano, por causa dos fortes vínculos comerciais com os EUA (mesmo quando isso diverge da lei local). Muitas vezes prevalece a atitude de “podemos fazer o que quisermos, então não retruque, senão você será processado”. Eu realmente detesto organizações que adotam esse tipo de contrato
  • O estado de Washington é conhecido por aplicar cláusulas de não concorrência por ser favorável aos negócios. Já a Califórnia proíbe não concorrência. Se a Califórnia fosse um país independente, teria o 4º maior PIB do mundo. Parece uma diferença entre proteger grandes empresas estabelecidas vs. ser amigável a startups

    • É forçar a barra explicar a diferença entre Califórnia e Washington só com base em não concorrência. A vantagem da Califórnia vem da diferença de escala, e o PIB per capita de Washington é, na verdade, 3% maior. Não convence dizer que cláusulas de não concorrência explicam a diferença populacional
    • O sistema tributário de Washington está ficando complexo e pesado. Recentemente, passou a cobrar um imposto adicional de 7% sobre ganhos de capital acima de certo valor. Em comparação com os impostos pagos, os moradores praticamente não recebem benefícios reais, e também há muitos absurdos no imposto sobre herança. Imagino que esses problemas tributários continuem aumentando a migração para fora do estado
    • Um lado (Washington) é favorável aos ricos já estabelecidos; o outro (Califórnia), à inovação e à mudança
  • Como há muitas cláusulas em contratos que parecem assustadoras, mas desde o início não têm validade, é importante não entrar em pânico. Quando houver dúvida, vale a pena pagar um advogado para verificar a situação real. Já vi vários casos em que advogados disseram “não se preocupe com essa cláusula, é só assinar”

    • Acho que a educação de “seguir bem as regras” que recebemos desde pequenos torna as pessoas passivas. Na prática, quem vai bem nos negócios age sabendo exatamente até onde pode avançar
    • Todos os advogados com quem falei no passado deram conselhos parecidos. A chance de isso virar um problema real é muito baixa, então não ser um caso fora do comum é até melhor
    • Queria saber como encontrar um advogado para consultoria sobre não concorrência. Já liguei para contatos em sites da ordem/local do estado, mas quase todos eram especializados em divórcio, imóveis ou imigração, então é difícil demais encontrar isso na vida real
    • Meu contrato também tinha uma cláusula de não concorrência e, ao discutir seguro-desemprego, um juiz disse: “essa cláusula não faz sentido”. Naquele caso, era porque a redação era desleixada demais
  • No meu país, os sindicatos conseguiram proibir permanentemente cláusulas de não concorrência há 8 anos. Agora elas precisam ser extremamente específicas, não podem ultrapassar 1 ano e, se impedirem a pessoa de trabalhar em outro lugar, a empresa tem que pagar o salário durante esse período

  • Uma vez recusei uma proposta de uma empresa porque o acordo de não concorrência era absurdo demais. Tinha várias páginas mal escritas e dizia que pagaria salário durante o período de não concorrência, mas era tão complexo que mal dava para entender. No fim, fiquei com a impressão de que, para o advogado, aquilo não significava nada

    • No setor financeiro, é comum pagarem o salário-base durante o período de não concorrência. Eu mesmo já passei por isso
  • Em alguns países, esse tipo de cláusula em si é ilegal. Então, ao receber um contrato desses, há 2 opções

    1. pedir para remover a cláusula do contrato (embora haja receio de prejuízo no processo seletivo)
    2. simplesmente assinar sem dizer nada (sem preocupação, porque a cláusula não pode ser executada) Se fosse uma empresa em que eu realmente quisesse trabalhar, eu escolheria a opção 2. Já que não pode ser executada, não há problema
    • Quando aparece uma cláusula legalmente errada no processo de contratação, fico com a sensação de que a empresa como um todo não é confiável. Se ela já é tão descarada antes da contratação, depois de entrar certamente vai piorar. Fico na dúvida se a diretoria não sabe disso ou se simplesmente faz vista grossa
    • Não se deve ignorar o fato de que, mesmo sem validade, discutir legalmente isso em outro país pode ser um problemão
    • Acho que talvez eu tenha assinado um contrato desses. Não sei como confirmar se ele realmente tem validade. Provavelmente preciso procurar um advogado, mas fico me perguntando como encontrar alguém honesto e preciso na explicação. Além disso, sou contratado no exterior por uma empresa americana, então a situação é ainda mais complicada. Se isso acabar virando processo, do ponto de vista da empresa será uma conta de custos, e uma estratégia realista para o réu é se defender de forma a elevar ao máximo o custo do litígio até que a empresa desista
  • Na minha opinião, não precisa se preocupar, pode assinar esse tipo de contrato. Na próxima troca de emprego, basta não divulgar nada em redes sociais ou no LinkedIn. Desde que você evite transferência de propriedade intelectual (IP) entre as duas empresas, tudo bem.
    Além disso, acho que esse tipo de contrato deveria ser ilegal. Meu contrato de trabalho recente tem até uma cláusula de não difamação vitalícia. No futuro, se eu estiver velho numa cadeira de balanço e falar mal do meu antigo emprego, já seria motivo para processo. Assinei dando risada

  • No meu país, “uma cláusula que restrinja ter uma profissão no futuro” é nula desde a origem quando adicionada a um contrato. Mesmo havendo cláusula de não concorrência, quase não existem casos em que sua validade tenha sido reconhecida em tribunal em recusas de contratação. Queria muito ter uma lei assim. Quando a área é muito pequena, isso acaba funcionando como uma prisão, e quanto mais especializado é o campo, mais aparecem essas cláusulas de proteção excessiva

    • No meu caso, só são aceitas por no máximo 6 meses e apenas para executivos ou profissionais de áreas especializadas. Também precisam necessariamente incluir uma condição salarial correspondente