- Pesquisadores obtiveram novos insights sobre as mudanças metabólicas entre o nascimento e o aparecimento posterior dos sintomas do transtorno do espectro autista (TEA)
- Um pequeno número de vias bioquímicas é responsável pela maior parte dessas mudanças, o que pode ajudar em novas estratégias de detecção precoce e prevenção do autismo
- Estamos começando a entender a dinâmica que regula a transição do risco para o momento em que os primeiros sintomas do autismo realmente aparecem
- O autismo é um transtorno do desenvolvimento caracterizado por dificuldades de socialização e comunicação, além de comportamentos repetitivos e/ou restritos
- Sabe-se que o autismo tem fortes fatores de risco genéticos, mas também há fatores de risco ambientais que influenciam o surgimento e a gravidade do TEA
- Comportamento e metabolismo estão conectados e não podem ser separados
Estudo de coorte infantil
- Os pesquisadores estudaram duas coortes de crianças para entender em mais detalhes as mudanças metabólicas iniciais que ocorrem em crianças com autismo
- Uma coorte era composta por recém-nascidos nos quais o autismo não podia ser detectado, e a outra por crianças de 5 anos, algumas das quais foram diagnosticadas com autismo
- Das 50 diferentes vias bioquímicas investigadas pelos pesquisadores, apenas 14 responderam por 80% do impacto metabólico do autismo
Resposta celular ao perigo
- As vias mais alteradas estão relacionadas à resposta celular ao perigo, uma resposta celular natural e universal a lesões ou estresse metabólico
- Existem mecanismos de segurança bioquímicos capazes de desligar a resposta celular ao perigo quando a ameaça passa, mas Naviaux propõe que o autismo surge quando esses mecanismos de segurança não conseguem se desenvolver normalmente
- Como resultado, aumenta a sensibilidade a estímulos ambientais, e esse efeito contribui para a sensibilidade sensorial e outros sintomas associados ao autismo
- A resposta celular ao perigo é regulada principalmente por ATP (adenosina trifosfato), e no autismo essas vias de sinalização de ATP não se desenvolvem normalmente, mas podem ser parcialmente restauradas com medicamentos já existentes
Opinião do GN⁺
- Este estudo oferece novos insights sobre o mecanismo de desenvolvimento do autismo e pode ajudar no diagnóstico e tratamento precoces. No entanto, como o autismo é um transtorno muito complexo, é improvável que apenas as vias metabólicas expliquem tudo
- Vale notar que medicamentos que regulam a sinalização de ATP podem ajudar no tratamento do autismo, mas também pode haver preocupações de segurança, como efeitos colaterais. É importante verificar a eficácia e a segurança por meio de ensaios clínicos
- Entender as causas e os mecanismos de desenvolvimento do autismo é importante, mas esse esforço deve caminhar junto com ações para melhorar a qualidade de vida das pessoas autistas, como ampliar a conscientização social e estruturar redes de apoio
- Como o autismo é um transtorno difícil de identificar ao nascimento, é importante detectá-lo e intervir precocemente por meio de exames regulares na primeira infância. Para isso, também é necessário aumentar a conscientização e fortalecer a capacitação de especialistas, como pediatras
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