- O WhatsApp para Windows 11 passou a usar um wrapper web baseado em WebView2, e o app nativo em WinUI/UWP foi descontinuado
- A nova versão carrega o web.whatsapp.com em um contêiner WebView2 e, já na tela de login, usa até 300 MB de RAM
- Após o login, o uso de memória sobe para até 2 GB, mantendo em média 1,2 GB de RAM ocupados em segundo plano
- Foram relatados problemas como queda de desempenho, carregamento lento e atraso nas notificações, além de baixa compatibilidade com as notificações do Windows 11 e o modo Não Perturbe
- A distribuição está sendo feita por atualização automática via Microsoft Store, e os usuários do app nativo atual também deverão ser migrados à força em breve
Mudança na versão do WhatsApp para Windows 11
- O WhatsApp para Windows 11 foi alterado de um app nativo para um wrapper web baseado em WebView2
- O novo app é estruturado para carregar o web.whatsapp.com em um contêiner WebView2
- Antes, ele começou com base em Electron e depois evoluiu para um app nativo em UWP/WinUI, mas agora voltou a uma base web
- Com essa mudança, surgiram queda de desempenho e alto uso de memória
Comparação de uso de memória
- Nos testes, a nova versão em WebView2 usa cerca de 300 MB de RAM na tela de login
- Após o login, ao carregar todas as conversas, pode chegar a 2 GB de RAM, mantendo em média 1,2 GB de RAM em segundo plano
- Já o app nativo anterior usava em média 190 MB, caindo para menos de 100 MB em estado ocioso
- Mesmo com muita atividade, ficava no máximo na faixa de 300 MB
- Ao abrir várias janelas de conversa, a nova versão pode chegar a 3 GB de RAM
Problemas de desempenho e funcionalidade
- O novo WhatsApp apresenta resposta lenta e tempos de carregamento longos
- Há atrasos ao alternar entre conversas
- A integração com o sistema de notificações do Windows é instável e há problemas de compatibilidade com o
modo Não Perturbe (Do Not Disturb) e o recurso Active Hours
- Também foram relatados atrasos nas notificações
Atualização e possibilidade de evitar a mudança
- A versão 2.2584.3.0 do WhatsApp está sendo distribuída pela Microsoft Store e
substitui automaticamente o app nativo anterior
- Se o usuário adiar a atualização, ainda poderá usar o app antigo por um tempo, mas
todos os usuários deverão ser desconectados em breve e migrados à força para a versão em WebView2
Outro contexto
- Essa mudança coincide com o lançamento da experiência nativa do WhatsApp para Apple Watch
- O Apple Watch tem 115 milhões de usuários
- O Windows tem mais de 1 bilhão de dispositivos ativos, mas
tanto a Meta quanto a Microsoft vêm reduzindo o desenvolvimento de apps nativos para Windows
- O texto original menciona que a Meta pode ter optado por manter uma base de código web para reduzir custos,
mas não apresenta um motivo específico
1 comentários
Opinião do Hacker News
Fico meio amargo ao ver um app que eu mesmo projetei e acompanhei acabar assim
O app nativo de antes não era perfeito, mas dava a sensação de respeitar o ambiente como ferramenta de produtividade
No fim das contas, acho que apps desktop nativos são inviáveis na prática para grandes empresas. O motivo é o custo de coordenação
Quando se tenta lançar recursos ao mesmo tempo em várias plataformas, a complexidade cresce exponencialmente. Talvez desse certo com um ritmo de desenvolvimento mais tranquilo, mas se você quer experimentação e iteração rápidas, acaba chegando à conclusão de que é melhor escrever o código web uma vez só
Hoje em dia até a Microsoft desenvolve assim. Ironicamente, quanto menor a empresa, maior a chance de manter bem apps nativos
Não faz sentido para mim dizer que uma big tech não consegue desenhar bolhas de texto e emoji de forma nativa. O antigo MSN Messenger já fazia isso
No modelo waterfall isso até funciona, mas no desenvolvimento ‘Agile’ de hoje vira um caos completo
Android e iOS ainda valem o esforço porque a experiência nativa importa, mas no Windows as APIs vivem mudando e a sensação de nativo praticamente desapareceu
Talvez tivesse sido melhor fazer com Qt, como o Telegram
No começo, apps nativos feitos com capricho ganham popularidade, mas conforme a empresa cresce, o foco passa a ser experimento, telemetria e iteração rápida
Graças à posição dominante, qualidade deixa de importar, e no fim tudo vira um trambolho em Electron sem que ninguém possa fazer nada
O motivo da troca é claro. Eles conseguiam lançar recursos novos rápido na versão web, e o cliente nativo não acompanhava
Então acabaram migrando para um wrapper web
Hoje a própria ideia de ‘app nativo para Windows’ é meio nebulosa, e desempenho ou funcionamento offline também já dá para resolver bem na web
Só que ver o processo da GPU chegar a 400MB é meio ridículo. Ainda assim, imagino que só uma empresa como a Meta consiga bancar isso
Como a Meta passou a priorizar o cliente web, parece que unificou todas as plataformas não móveis em torno da web
“Não funciona no Firefox. Eu não uso Chrome.” era a minha arma final, mas hoje em dia também preciso usar a desculpa do Safari. Culpa do React
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Do ponto de vista da gestão, desenvolver os mesmos recursos em várias plataformas parece desperdício, então tudo caminha para um desenvolvimento guiado por números
Desempenho e uso de memória são ignorados, porque se espalhou a ideia de que “webapp já é rápido o suficiente”
Eu achava o antigo app nativo do WhatsApp para Windows realmente horrível
Com frequência a digitação travava ou caracteres acentuados quebravam, e eu precisava reiniciar. O novo app em Electron é pesado, mas pelo menos funciona direito
Página oficial do Microsoft WebView2
Antes dava para fazer chamadas de voz e vídeo com 128MB de RAM e CPU single-core, mas hoje parece que a eficiência regrediu
As melhorias de desempenho em JS e na web acabaram levando a mais anúncios e mais código distribuído
Wiki sobre o paradoxo de Jevons
É curioso esse ciclo do WhatsApp: wrapper web → nativo → web de novo
Dizem que o custo de manter algo nativo é alto, mas será que reescrever tudo a cada poucos anos não é ainda mais desperdício?
Tem muitos bugs e recursos ausentes, enquanto o Chrome não sofre com esse tipo de problema
Eu viajo bastante e adoraria poder usar o WhatsApp em vários celulares ao mesmo tempo
Toda vez que reseto meu celular de viagem, fazer backup e restaurar é um saco
Fico pensando se o agente de codificação por IA da Meta não conseguiu nem manter direito um app nativo
Essa tendência de migração para a web provavelmente vai continuar
O New Outlook da Microsoft, por exemplo, é basicamente um cliente web embrulhado num EXE
Com isso, recursos essenciais como COM Add-in, VBA, MAPI e suporte a .PST desapareceram
Talvez esse movimento todo seja até um sinal do colapso da civilização
Texto relacionado: Collapse of Civilization
Flutter talvez pudesse ter sido um bom meio-termo
Daria para fazer um app desktop multiplataforma com eficiência e consumir bem menos recursos
Na prática, talvez o uso alto de memória nem seja real, e sim só memória reservada pelo V8
No Windows ele reserva em blocos de 256MB, então com vários processos parece que chega a 1GB
O que aparece no Gerenciador de Tarefas não é o uso real, e sim a memória reservada do Chromium
Isso pode ser menos culpa do WhatsApp e mais um problema estrutural do Chromium
Se escolheram Electron sabendo que ele consome memória, então a decisão continua sendo deles
Comparando com o WhatsApp antigo no iOS ou com a versão de Windows de 2018, quase não deve haver diferença de recursos, então fica a dúvida se havia mesmo motivo para refazer tudo