- Segundo um estudo da EIT Urban Mobility, veículos elétricos emitem 83% menos poluição por poeira de freio do que veículos com motor a combustão
- O ponto central dessa redução está na adoção da tecnologia de frenagem regenerativa
- A poeira de freio representa até 55% do material particulado urbano PM10
- Há quem afirme que veículos elétricos causam mais desgaste dos pneus, mas a poeira de freio entra no ar com mais facilidade
- A migração para transporte público e deslocamentos a pé apresenta o maior efeito na redução da poluição não relacionada ao escapamento
O problema da qualidade do ar urbano e a reavaliação da poeira de freio
- O debate sobre veículos elétricos vinha se concentrando apenas nas emissões do tailpipe (escapamento), enquanto a poeira de freio era uma fonte de poluição urbana menos observada
- Com o aumento do uso de veículos elétricos, a poeira de freio e outras fontes não relacionadas ao escapamento passam a ganhar protagonismo
O efeito dos veículos elétricos na redução da poeira de freio
- Segundo um estudo conduzido pela EIT Urban Mobility em Londres, Milão e Barcelona, veículos elétricos a bateria apresentaram redução de 83% na poluição por poeira de freio em comparação com veículos com motor a combustão
- Com isso, o debate sobre ar limpo nas cidades está se ampliando ainda mais para o campo das emissões não relacionadas ao escapamento (Non-Exhaust Emission)
Frenagem regenerativa e o mecanismo de redução da poeira
- Veículos elétricos usam a tecnologia de frenagem regenerativa (Regenerative Braking) para fazer o motor girar em sentido inverso durante a desaceleração, convertendo energia em eletricidade e armazenando-a na bateria
- Como não é necessário usar os freios mecânicos com a mesma frequência dos freios por atrito tradicionais, há uma grande redução na emissão de partículas geradas pelo desgaste das pastilhas de freio
- Essa tecnologia também melhora a eficiência do sistema e até a vida útil da bateria
Poeira de freio, riscos à saúde e proporção no material particulado
- A poeira de freio é composta por partículas finas complexas, como ferro, cobre, zinco e carbono orgânico, e pode representar até 55% do material particulado atmosférico (PM10)
- As partículas geradas pelo desgaste dos freios têm menos de 10 micrômetros e, às vezes, são ultrafinas, com menos de 100 nanômetros
- Segundo estudos, a poeira de freio rica em cobre, em especial, provoca forte estresse oxidativo e inflamação, podendo ser mais nociva ao corpo humano do que partículas de gases de escape de diesel
- A exposição à poeira de freio mostra forte associação com doenças respiratórias, como asma, e doenças cardiovasculares
Comparação entre desgaste de pneus e de pista nos veículos elétricos
- Há alegações de que o desgaste dos pneus seja ligeiramente maior, mas a poeira de freio fica suspensa no ar com mais facilidade, o que aumenta seu potencial de dano à saúde
- Mesmo somando desgaste de pneus, freios e pavimento, os veículos elétricos a bateria (BEV) emitem 38% menos poluição particulada do que carros a combustão (sem contar emissões do escapamento)
Efeitos reais e questão de equidade
- No caso da Califórnia, ficou claramente demonstrado que regiões com maior adoção de EVs tiveram melhora na qualidade do ar e redução nas visitas de emergência por asma
- No entanto, áreas de baixa renda têm adoção mais lenta de EVs, o que levanta a questão da equidade na melhoria da qualidade do ar e da necessidade de ampliar o acesso
Tendências em políticas, regulação e inovação tecnológica
- À medida que as emissões do escapamento diminuem, espera-se que a participação das emissões não relacionadas ao escapamento (especialmente a poeira de freio) aumente na poluição por material particulado urbano
- Regulamentações como a Euro 7, na Europa, estão avançando na criação de padrões ambientais para poeira de pneus e freios
- Alguns fabricantes estão tentando introduzir em veículos elétricos sistemas de tambor de freio selados para conter fisicamente a poeira, enquanto fabricantes de pneus também se concentram no desenvolvimento de compostos que reduzam a emissão de partículas
A solução fundamental para reduzir a poluição não relacionada ao escapamento
- Segundo o relatório, reduzir o número de carros em si e migrar para transporte público/bicicleta/deslocamentos a pé multiplica por 5 o efeito de redução da poluição por partículas não relacionadas ao escapamento
- Ainda assim, considerando os milhões de carros nas cidades, a adoção da frenagem regenerativa nos veículos elétricos representa um avanço decisivo para melhorar a qualidade do ar nas grandes metrópoles
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