1 pontos por GN⁺ 2025-07-10 | 1 comentários | Compartilhar no WhatsApp
  • Bulgária passará a integrar oficialmente a zona do euro em 1º de janeiro de 2026
  • Com essa decisão, a Bulgária adotará o euro como moeda oficial
  • A adesão representa a próxima etapa da integração econômica da União Europeia
  • Com a entrada da Bulgária, o número de países participantes da zona do euro será ampliado
  • Será necessário preparar políticas relacionadas e a transição do sistema financeiro

Decisão da Bulgária de entrar na zona do euro

  • A Bulgária deve participar oficialmente da zona do euro a partir de 1º de janeiro de 2026
  • Com isso, o país passará pelo processo de mudança de sua moeda nacional atual para o euro
  • Essa decisão faz parte do objetivo de ampliar a integração econômica e fiscal da União Europeia (UE)
  • O governo búlgaro e as instituições financeiras estão avançando com diversos preparativos de transição, incluindo o sistema financeiro, a infraestrutura de pagamentos e a comunicação ao público
  • Com o aumento do número de países da zona do euro, espera-se um impacto no tamanho da economia e no aprofundamento da integração dentro do mercado único europeu

1 comentários

 
GN⁺ 2025-07-10
Comentários no Hacker News
  • Acho que temos que reconhecer o que precisa ser reconhecido. A UE é criticada por ser burocrática e rígida, mas a moeda única foi um sucesso e, 26 anos depois, continua se expandindo. Com a entrada da Bulgária, será possível viajar praticamente só pela zona do euro da Espanha até a Grécia, considerando que Montenegro e Kosovo também são, na prática, parte da zona do euro. Fico curioso para saber quem será o próximo. A Tchéquia não parece estar longe, mas não está com pressa; a Romênia quer entrar, mas ainda parece ter um bom caminho pela frente. Polônia e Hungria provavelmente vão continuar de fora, a menos que haja uma grande virada política

    • Sou polonês. Sou fortemente contra adotar o euro até que nosso padrão de vida e taxa de crescimento se aproximem dos da Alemanha, o que deve levar pelo menos mais 10 anos. O motivo é que, para um país em desenvolvimento, as desvantagens superam muito as vantagens. O maior problema é entregar um dos principais instrumentos de controle da economia a uma organização supranacional e não democrática. A política monetária sempre gira em torno das economias grandes ou, no mínimo, da média. Mas acho muito melhor que a política local seja ajustada à realidade local. Por exemplo, penso que a oferta monetária deveria ser calibrada de acordo com a taxa de crescimento econômico, de forma a gerar uma inflação bem leve, mas as taxas de crescimento da velha UE e da nova UE são muito diferentes. Então o que acontece? Nos países que crescem mais rápido, os preços sobem muito mais depressa, enquanto a renda continua a mesma. Isso é uma desvantagem enorme. E ainda há aumentos de preços já no "dia 1", por arredondamentos e coisas do tipo na conversão de moeda. No passado, a promessa de que "a inflação cairia" foi muito usada para vender a ideia como se compensasse esses problemas. Achava-se que, ao abrir mão da emissão da moeda, não seria mais preciso se preocupar com inflação, mas na pandemia países como Letônia e Alemanha tiveram inflações completamente diferentes, mesmo usando a mesma moeda. Então, o euro é totalmente ruim? Não, e ter dentro da zona do euro uma moeda que não é controlada pelos EUA é uma vantagem enorme. Mas, no caso da Polônia de hoje, isso já pode ser aproveitado simplesmente mantendo o euro como segunda moeda na prática, porque quase todo lugar aceita pagamento em euro ou permite sacar euro em caixas eletrônicos

    • Do ponto de vista do turista, na prática o Acordo de Schengen oferece uma experiência muito melhor do que a moeda única. Ainda mais se você não usa dinheiro em espécie. Quando viajei por países do Schengen fora do euro, como Tchéquia, Polônia e Bulgária, todos os terminais de pagamento permitiam escolher entre euro e moeda local. Especialmente em áreas turísticas, muitas vezes até incentivavam pagar só em euro

    • Se você for finlandês e morar perto da fronteira com a Suécia (SEK) ou a Noruega (NOK), a situação é diferente. Esses países não usam o euro, claro, deixando a Rússia de lado

    • Sempre achei que foi um erro permitir que países estivessem na UE sem participar da moeda única. Mas, olhando as datas, dá para ver que houve uma diferença de 6 anos entre a entrada na UE e a adoção do euro. Fico me perguntando: se o euro e a UE tivessem surgido ao mesmo tempo, isso teria vindo em pacote ou teria sido opcional?

    • Veja o link: Potential enlargement of the European Union

  • Uma coisa que me veio à cabeça: quando vi pela primeira vez o segundo design das cédulas de euro, pensei por um instante: "EBPO? O que é isso? Por que tem alfabeto cirílico aqui?" Na verdade, isso era por causa da Bulgária — o único país da UE que usa o alfabeto cirílico. Entrar na zona do euro ainda parecia algo distante na época, mas aparentemente já sabiam que um dia aconteceria. E esse momento é agora

    • Como a Grécia é o único país que usa o alfabeto grego, colocaram apenas 'ΕΥΡΩ' em grego
  • Legal. O progresso que os búlgaros alcançaram nos últimos 20 anos desde que entraram na UE é realmente impressionante. Imagino que não tenha sido um processo fácil

    • Morei alguns meses na Bulgária e duas coisas me surpreenderam: *o apoio à UE dentro da Bulgária era relativamente baixo, e muita gente não achava que entrar na UE tivesse melhorado tanto a vida *por outro lado, o apoio à Rússia era bem alto, perto de 50% — imagino que por razões históricas, já que a Rússia ajudou a expulsar o Império Otomano

    • Não foi uma jornada fácil, mas olhando de longe, no geral, a transformação é realmente impressionante

    • Você chegou a ver as estradas? rs

  • O maior impacto dessa notícia provavelmente será atrair mais turistas da Europa Ocidental para as cidades-balneário no litoral do Mar Negro. Isso também é bom para a economia local. Mas, quando fui a Burgas, senti que o lugar tinha um charme próprio, diferente dos resorts da Europa Ocidental. Espero que essa singularidade não se perca com a integração à economia da UE

    • Nunca fui a Burgas, mas Montenegro ainda me parece bastante singular. Acho que isso tem mais a ver com a cultura local e com a diferença de PIB per capita do que com a moeda, embora imagino que isso possa mudar aos poucos se a entrada de capital ficar mais fácil

    • Espero que a atmosfera local continue sendo preservada

  • Acho que todo mundo está ignorando isso, mas a maior vantagem real do euro é a dívida. Quando um país pode tomar empréstimos em euro, os investidores emprestam a juros muito menores porque não precisam se preocupar com uma desvalorização brusca da moeda local. Além disso, não há falta de liquidez em moeda estrangeira nem risco cambial, então tanto entrar quanto sair de um investimento fica muito mais fácil. Se você perguntar a um proprietário qual é a diferença entre "2% de juros num empréstimo em euro" e "5% de juros num empréstimo em moeda local", vai entender imediatamente por que tantos países escolhem adotar o euro

  • Por um lado, acho que não é o ideal países com níveis econômicos diferentes operarem em torno da mesma moeda. Por outro, qualquer tentativa de reduzir o domínio do dólar americano é bem-vinda

    • Esse sistema monetário não é parecido com o dos EUA?

    • O euro não é perfeito, mas é uma moeda com pouquíssimos concorrentes sérios

  • A Bulgária já estava, na prática, atrelada ao euro havia anos. No dia a dia talvez pouca coisa mude, mas simbolicamente e politicamente é uma mudança enorme

  • Espero que a Bulgária e a UE tenham aprendido com os erros do passado, embora sinceramente eu ache que não. A UE e o euro começaram com boas intenções e boas perspectivas, mas acabaram sendo um desastre para alguns países. A Grécia está há mais de 16 anos sem conseguir sair da depressão econômica. Um dos motivos foi não poder desvalorizar sua própria moeda na crise de 2009. Claro, talvez isso não tenha sido apenas culpa do euro, mas tendo vivido isso diretamente na Grécia, fico pensando se a dor não teria sido um pouco menor com uma desvalorização cambial. Japão, Itália e EUA também têm níveis semelhantes de endividamento, mas não me parece que tenham vivido uma queda tão brutal no padrão de vida ou um aumento tão forte da pobreza quanto a Grécia desde 2008. Desejo sorte aos vizinhos búlgaros — eles vão precisar

    • A economia grega ainda está realmente em depressão? A Comissão Europeia parece avaliar que ela está crescendo bem. Compare: previsão econômica da Grécia, previsão econômica da Alemanha. A Grécia até parece melhor que a Alemanha, embora claro que não dê para comparar diretamente as duas economias

    • “A Grécia está há mais de 16 anos sem conseguir sair da depressão, e um dos motivos foi não poder desvalorizar a moeda em 2009.”
      A depressão grega não dura tanto assim; o que existe hoje é, mais precisamente, um longo túnel de austeridade. O método foi duro demais, sem dúvida, mas para receber o resgate da dívida — depois de o governo ter fraudado estatísticas oficiais por anos — não havia muita alternativa.
      “Provavelmente não teria sido evitado mesmo sem o euro”
      Posso explicar por quê. Era um país pequeno, com economia pequena, acumulando uma dívida enorme que não foi usada para desenvolvimento, e sem conseguir arrecadar impostos direito. Como a evasão fiscal era prática comum, isso estava destinado a explodir cedo ou tarde. Se tivesse moeda própria, teria sido ainda pior por ter que negociar com o IMF.
      O IMF sempre exige austeridade. Além disso, com moeda própria, a moeda teria despencado, ninguém compraria os títulos, e os juros disparariam. Para a população, isso significaria importados muito mais caros — especialmente produtos de alta tecnologia vindos de países membros europeus — e, como a população é mais envelhecida, o valor das economias teria evaporado rapidamente. Também não acho que a austeridade tenha sido a melhor solução, mas qualquer escolha teria sido dolorosa.
      Eu vivi pessoalmente quatro reformas monetárias no Brasil da época do IMF. Quando as finanças públicas de um país ficam desorganizadas por muito tempo — como no Brasil e na Grécia —, no fim você acaba tendo que se curvar aos “poderes do resgate” (IMF, ECB etc.)

  • Sinceramente, eu não esperava ver tanta gente aqui achando essa decisão ruim. Fico realmente curioso com o motivo

    • Se você olhar discussões sobre a Ucrânia, vai ver um monte de contas russas, trolls e os chamados tankies aparecendo por lá

    • Acho que a UE é como um navio prestes a afundar, e quanto mais integrada ela ficar, maior será o impacto quando afundar

  • Pessoal, sejam bem-vindos