1 pontos por GN⁺ 2025-06-07 | 1 comentários | Compartilhar no WhatsApp
  • Amazing Binz é um tipo de loja de varejo de descontos radicais abastecida principalmente com estoque excedente e produtos devolvidos de grandes varejistas
  • Consumidores, revendedores e vizinhos reagem de forma ambígua, vendo o local tanto como uma opção barata quanto um espaço simbólico do consumo excessivo
  • O crescimento da indústria de devoluções e logística reversa e a volatilidade da cadeia de suprimentos após a pandemia de COVID-19 aceleraram a expansão dessas lojas
  • Recentemente, com a concorrência mais acirrada, alta nos custos logísticos e chegada ao limite do modelo, o boom das lojas de bins vem desacelerando nos Estados Unidos
  • A experiência da Amazing Binz oferece um retrato singular da cultura de consumo atual, do mercado de empreendedorismo e das mudanças nas comunidades locais

# Amazing Binz — a nova loja de bins que chegou ao bairro

Nesta primavera, a Amazing Binz, inaugurada no coração de West Philadelphia, chamou atenção como um novo tipo de loja que desperta reações diversas. Instalado onde antes funcionava uma loja vintage, o estabelecimento exibe logos de grandes varejistas como Walmart, Amazon, Costco e Best Buy junto ao slogan “CRAZY DEALS, AMAZING BINZ”. Por dentro, a loja transborda com produtos do cotidiano — fantasias de Halloween, formas de gelo de design estranho, testes de gravidez e vários itens domésticos — e sua principal característica é a política de preços. Na sexta-feira, logo após a reposição de estoque, tudo custa $10; a cada dia, o preço cai para $8, $6, $4, $2 e $1. Às quintas-feiras, a loja fecha para receber novo estoque.

# Logística reversa e a circulação das mercadorias

O estoque da Amazing Binz é composto por excedentes e produtos devolvidos de grandes empresas. Segundo pesquisadores de logística, quando um produto chega ao cliente e ele não gosta ou encontra algum problema, entra em ação a “logística reversa”. Hoje, cerca de 17% de todos os produtos são devolvidos, e nas compras online esse número chega perto de 30%. Com o aumento da demanda por lidar com excedentes e devoluções, além de liquidadores tradicionais como TJ Maxx e Nordstrom Rack, o modelo de bin store vem se expandindo. As empresas descartam mercadorias em lotes de caminhão, diretamente ou por plataformas intermediárias como a B-Stock, e influenciadores também usam esses itens em conteúdos de unboxing.

O operador da loja, Ahmed, explica: "Se você revender o que comprou aqui no eBay, Amazon, Facebook Market e outros lugares, dá para recuperar o investimento em um único dia." A estrutura coloca revendedores e consumidores comuns como agentes centrais de um novo ecossistema logístico.

# Sexta-feira: $10 — o dia de buscar os itens mais valiosos

Na Amazing Binz, a sexta-feira, quando os preços estão mais altos, já começa com fila pela manhã, e alguns clientes chegam depois de já terem “reservado” produtos pelo Instagram. Também aparecem visitantes de outras regiões, o que dá uma noção de como o mercado de liquidadores e bin stores está ativo na região da Filadélfia. Profissionais do setor como Colton Carlson avaliam que, de pouco mais de dez bin stores em 2018, o número agora chegou a cerca de 10 mil. O segredo do crescimento estaria no estoque aleatório de excedentes e no modelo de redução progressiva de preços que incentiva a venda rápida.

Com a instabilidade das cadeias de suprimentos e a COVID-19, varejistas acumularam grandes estoques e, quando o consumo caiu abruptamente, uma enxurrada de produtos foi parar no mercado. Isso acabou se alinhando à oportunidade de consumidores finais e revendedores comprarem itens a preços baixos.

# Sábado: $8 — a reação do bairro e o simbolismo do espaço

Nos sábados de feira livre, o movimento é mais tranquilo, mas ainda assim passam pela Amazing Binz muitos produtos e clientes diferentes. As reações da comunidade local à loja — por exemplo, no grupo West Willy no Facebook — se dividem fortemente. As opiniões positivas destacam os preços baixos e a variedade; as negativas revelam um claro desconforto psicológico com a ideia de estar diante do fim da civilização do consumo, um símbolo do capitalismo tardio.

A loja não fica num grande espaço logístico, mas sim numa rua antiga do bairro. Ahmed conta que pensou em abrir um café ou uma doceria, mas acabou escolhendo uma pequena bin store por questões de aluguel e licenças. Pessoas de perfis sociais e inclinações muito diferentes passam por ali, cada uma por seus próprios motivos.

# Domingo: $6 — a estrutura de preços e o negócio da revenda

Omran, responsável pelo Instagram da Amazing Binz, grava entrevistas com clientes usando o bordão “I know daht’s right”. A loja negocia diretamente com depósitos para trazer mercadorias, e cada caminhão entrega milhares de itens por uma média de $16.000, com a meta de manter o custo médio em torno de $2 por item. A maioria das bin stores vende produtos mais caros em uma seção VIP separada, mas a Amazing Binz coloca até os principais itens no preço normal para atrair mais clientes.

À medida que o preço cai, fica cada vez mais evidente que os produtos restantes têm menos demanda. Ao mesmo tempo, ver a quantidade e os tipos de coisas que sobram dá quase a sensação de uma “obra de arte” que permite experimentar diretamente o problema do consumo excessivo coletivo.

# Segunda-feira: $4 — sinais de mudança e os limites do modelo

Numa semana de muita chuva, a Amazing Binz tem um clima mais parado. Quando aparecem no estoque alguns itens com forte conotação política — por exemplo, bandeiras de Trump, MAGA e afins — os funcionários os recolhem e descartam imediatamente. Em comparação com lojas maiores, estabelecimentos pequenos são mais sensíveis à rotação do estoque, à estrutura de custos e à incerteza.

Até mesmo alguns pioneiros como Colton Carlson estão abandonando a operação de bin stores e migrando para outros formatos de revenda por causa da queda de rentabilidade, da piora na qualidade dos produtos e do aumento dos custos de estoque. Em todo o país, algumas bin stores estão fechando ou indo à falência, sugerindo um clima de superaquecimento do mercado seguido de estagnação. Ainda assim, especialistas do setor avaliam que futuras oscilações econômicas — tarifas, excesso de estoque e outros fatores — podem abrir espaço para uma nova retomada.

# Terça-feira: $2 — esgotamento e a luta pela sobrevivência

Ahmed, operador da loja, diz estar preocupado com a sustentabilidade do negócio diante da recente pressão por aumento de preços e da redução dos lucros. Ele afirma que o custo para obter mercadorias também está subindo e que talvez seja preciso reformular todo o negócio nos próximos meses. Produtos abandonados muitas vezes são criados e distribuídos de acordo com algoritmos de redes sociais e, quando deixam de ser necessários ao mercado, acabam escorrendo para bin stores como a Amazing Binz. Empreendedores, operadores logísticos, jornalistas e usuários acabam todos desempenhando um papel na ponta final da circulação digital e física.

# Quarta-feira: $1 — a etapa final e o sentido de existir

Na noite de quarta-feira, quando os preços caem para $1, a Amazing Binz volta a encher. A maior parte dos produtos restantes é composta de coisas desnecessárias, mas os clientes continuam comprando por hábito. A Amazing Binz parece ser mais do que uma loja barata ou divertida: ela chega a dar a sensação de ser o espaço final produzido pela estrutura atual de indústria, distribuição e consumo.

Os produtos que entram todos os dias e os itens que desaparecem — sob as camadas acumuladas de mercadorias, tudo isso sugere um futuro em que o destino final será o aterro sanitário ou os microplásticos. A experiência da Amazing Binz concentra em si a realidade da cultura de consumo, do ambiente de empreendedorismo, das mudanças nas comunidades locais e da logística reversa.

1 comentários

 
GN⁺ 2025-06-07
Comentários do Hacker News
  • Como Ahmed disse, a ideia é que dá para comprar coisas aqui e revendê-las no eBay, Amazon ou Facebook Marketplace, recuperando o dinheiro em um dia; mas há quem ache que, na prática, essas lojas provavelmente separam primeiro os itens mais valiosos dos pallets que compraram para vender por fora no eBay ou na Amazon

    • Vi algo parecido numa rede de brechós beneficentes que eu frequentava: os funcionários selecionavam bem os itens mais valiosos, como joias, eletrônicos e jogos, e os colocavam na própria loja do eBay; no centro de distribuição/classificação, também deixavam revendedores profissionais separarem antes coisas como roupas de grife, então as lojas físicas acabavam sempre ficando só com o que sobrava

    • Se as bin stores também usam uma estratégia parecida, imagino que possam operar de forma inteligente sem tirar coisa demais: deixam de propósito alguns itens valiosos misturados nas bins para manter o entusiasmo de centenas de pessoas na fila toda semana

    • Quero falar da Mardens, uma rede de surplus & salvage no Maine. Há 60 anos, essa loja compra pallets ou contêineres de mercadorias que o varejo não conseguiu escoar e vende com 20% a 40% de desconto em relação ao menor preço encontrado online

      • Quando você vai à loja, em alguns dias aparecem produtos premium como cafeteiras Moccamaster ou jaquetas Arcteryx sendo vendidas baratas, mesmo que pudessem cobrar o preço cheio; mas na maior parte do tempo predominam itens ruins
      • No geral, a loja compra por 20% a 30% do custo de varejo e vende por algo em torno de 60% do preço cheio. Parece uma estratégia de lucro estável por volume, e não de maximização do ganho em cada item
      • É uma loja divertida para visitar uma vez a cada duas semanas
    • A Goodwill funciona de forma parecida, mas muitos itens não vão para o eBay, e sim para o próprio site de leilões (shopgoodwill.com)

      • Do ponto de vista da Goodwill, faz sentido porque maximiza a receita. Se você focar só em itens pesados e caros que valem a pena buscar pessoalmente para economizar no frete, dá para encontrar bons achados
    • A matéria não dava indícios de que essa loja separava itens caros dessa forma

      • Os donos pareciam ocupados o bastante só tocando a loja e pareciam realmente querer a entrada dos caçadores atrás de tesouros
      • Não é só a receita garantida de US$ 10; o boca a boca e a expectativa de achar uma joia ajudam muito a animar o ambiente da loja
    • Existem bin stores que realmente separam os melhores itens para vender mais caro a amigos ou até colocam numa área VIP, como a matéria mencionava

      • O problema maior são as bin stores que vendem apenas mystery boxes, porque nelas costuma ir só o lixo de verdade que não vendeu nem por US$ 1 no dia
    • Acho que, a menos que seja algo especialmente valioso, os donos não fazem triagem para separar. A bin store do meu bairro postava no Facebook fotos dos melhores produtos para atrair visitas

  • Hoje em dia estão surgindo bin stores por toda parte

    • Há duas num raio de 5 milhas da minha casa, e as duas já estão abertas há mais de um ano. Fica numa cidade média/pequena do Meio-Oeste, numa região principalmente operária e industrial

    • Também existe uma loja especializada em excesso de estoque da Target, tipo a Red Tag, bem em frente à própria Target

    • Entre as bin stores, uma das maiores começa no sábado ao meio-dia cobrando US$ 7 e cai até US$ 1 na sexta-feira da semana seguinte. A fila é enorme

    • Parece que vendem uma espécie de assinatura para entrar antes ou comprar lugar mais à frente na fila

    • Também vendem caixas lacradas aleatórias de US$ 35, com desconto por volume se comprar várias, por exemplo 4 por US$ 100

    • Pelo que parece, a maioria compra lotes de devoluções da Amazon ou de outros varejistas online para revender

    • Procurei por "Surplus" no Google Maps e encontrei várias lojas com estrutura parecida; em outra delas, comprei um monitor ultrawide por US$ 400, economizando mais de US$ 350 em relação a um novo

    • O grande diferencial dessas lojas é que existe tanta mercadoria devolvida que, com um pouco de esforço, é quase inevitável conseguir encontrar o que você quer

    • Em Portland existe uma Goodwill Outlet Store ("The Bins") há mais de 25 anos

      • Lá, normalmente colocam de uma vez nas bins os itens que não venderam nas lojas comuns da Goodwill e cobram por peso
      • Durante uma fase ruim no setor de tecnologia, eu me mantive remexendo nas bins de livros e separando títulos que davam para revender usados na Amazon. Mas, depois de uns seis meses, a Goodwill começou a separar por conta própria os livros aproveitáveis para vender online
      • Existe uma cultura própria do The Bins. Na hora da "troca de bins", as velhas são retiradas e entram bins novas; nesse momento vira um caos, com gente se aglomerando em volta de onde as novas vão aparecer
  • Pelas fotos e pela descrição, parece que 95% do que há dentro das bin stores é lixo novo. Fiquei me perguntando quem compraria isso, mas, na prática, existem centenas dessas lojas prosperando

    • A maior parte do que vai para as bins são devoluções da Amazon. Os donos compram barato em leilões de pallets da Amazon e apostam na margem sem nem saber exatamente o que estão levando

    • O melhor é não comprar se você não precisa. O problema é que é tão barato que você pode acabar comprando sem nem pensar se realmente precisa daquilo

      • Além disso, a foto e o item real costumam ser diferentes, então muita coisa você provavelmente não compraria se pudesse ver antes pessoalmente
      • No fim, é quase como jogar lixo direto no oceano, e boa parte realmente acaba indo parar lá. Acho até que aterro sanitário seria melhor
    • Dá para ver isso como uma espécie de scavenging. Meus pais têm esse perfil de colecionadores e gostam de comprar coisas promissoras no dia de US$ 0,25. Ainda assim, como de qualquer forma isso viraria lixo, acho melhor comprar barato do que pagar preço cheio por algo inútil

    • Concordo com isso, e muita gente também pensou o mesmo. Ri bastante da citação do Lorax, do Dr. Seuss: "you never know what some people will buy"

    • Sinceramente, acho essa loja bem ruim

  • Ainda me sinto desconfortável em devolver coisas. Muitas vezes, por preguiça, prefiro nem fazer a compra

    • Eu sou do tipo que devolve ativamente. Se a descrição estava errada, a qualidade é ruim ou o produto não serve para mim, acho que devolver torna o vendedor e o mercado mais honestos

      • Principalmente para empresas que não informam direito tamanho ou qualidade, a devolução é quase o único feedback forte que o consumidor consegue dar
      • Claro que eu não devolvo indiscriminadamente por arrependimento bobo nem coisas já usadas, mas costumo exercer meus direitos de consumidor de forma ativa
      • Por exemplo, fones caros muitas vezes fazem promessas enormes sobre qualidade, durabilidade e som, mas na prática há muito defeito e omissão de informação. Se a empresa mediu o produto no desenvolvimento e mesmo assim esconde esses dados, considero isso uma postura hostil ao cliente, então nesses casos devolvo com ainda mais convicção
    • A maior vantagem da Amazon é justamente poder comprar algo, montar na sua casa, bicicleta ou projeto e, se não servir, devolver

      • Há muitas peças que lojas locais simplesmente não têm, então a Amazon permite experimentar várias combinações e tentativas
      • Dito isso, não acho que esse tipo de caso represente uma parcela grande de todas as devoluções da Amazon
    • Eu também quase não devolvia porque pesquisava muito antes de comprar, mas, depois de 2020, com a alta forte dos preços, meus critérios mudaram

      • Não devolvo coisas usadas, mas, se a qualidade decepciona ou a satisfação já começa baixa, passei a devolver sem culpa, especialmente em grandes varejistas
      • Isso acontece mais com compras em lojas de outdoor, lazer, Home Depot e Best Buy
      • Sinto que minha postura em relação à responsabilidade pessoal mudou nesses últimos cinco anos. Mas também não faço esse uso extremo de comprar 5 pares de sapato e devolver 4, até porque acho trabalhoso
    • Eu sinto esse incômodo com devoluções, mas em geral compro já pensando em ficar com o produto

      • Por exemplo, às vezes hesito em comprar várias sandálias de cerca de US$ 100 sem saber qual vai servir. Se deixar marca de uso, não dá para devolver, então acabo adiando a compra
      • Também faço estratégia com pedidos da Amazon/Walmart para evitar combinações de itens que possam se danificar no transporte
      • Mas, como a taxa de defeito/dano em pedidos postais e online é alta, ultimamente tenho me incomodado menos em devolver por esses motivos
      • Recentemente comprei utensílios de mesa de uma marca conhecida, e o suporte ao cliente disse que eram falsificados. A embalagem nem parecia a de loja oficial, e parecia até conter substâncias nocivas, então devolvi sem nenhum peso na consciência
      • Fiquei chocado ao ver uma matéria dizendo que a taxa média de devolução em compras online é de 30%. No meu caso, só devolvo quando há defeito ou dano claros e achava que isso era normal; se um cliente numa loja física devolvesse 30% de tudo, eu provavelmente iria querer expulsá-lo
      • Tirando programas de prova de roupas, ainda precisamos de alguma inovação para reduzir essas taxas altas de devolução
    • Nunca devolvi nada até hoje. Eu nem consumo muito, e essa dinâmica de comprar, usar um pouco e depois devolver me parece apenas criar mais tralha desnecessária

  • Para quem estava curioso, alguém explicou o que é o nose beard waxing da Wokaar. É exatamente o que o nome diz: uma ferramenta para remover pelos do nariz com cera, aparentemente bem dolorosa. Também compartilhou o link do kit de cera nasal da Wokaar

    • A pessoa agradeceu e acrescentou, de forma bem-humorada, que a expressão "Nose Beard" foi a parte mais memorável da matéria
  • Como informação meio relacionada, o Climate Town já fez um vídeo longo sobre o mercado de devoluções em pallets: Climate Town: vídeo sobre devoluções em pallets

  • Antes surgiram primeiro os sites de leilão de devoluções, e eu dei sorte de morar perto de um centro de distribuição regional, então consegui várias coisas boas bem baratas

    • Impressora 3D FDM por US$ 45, impressora 3D de resina (12k) por US$ 65, um ano depois uma estação de cura por US$ 20, e também consegui um gimbal da DJI por US$ 70
    • Com o tempo, a fama se espalhou e os preços subiram; somando taxa do comprador, imposto estadual e taxa de retirada por item, na prática só valia a pena se eu ofertasse menos de 25% do preço máximo de varejo
    • Cerca de um ano atrás começaram a aparecer bin stores, e a quantidade de bons produtos nos leilões caiu muito; rodei algumas bin stores também, mas quase tudo parecia um monte de lixo sem utilidade
    • Ainda assim, agora meu home office para o maker space está completo, mas continuo monitorando certas palavras-chave
    • No geral, tanto nos leilões quanto nas bin stores a qualidade dos produtos caiu bastante, e isso parece refletir uma combinação de desaceleração econômica, tarifas, demissões e outros fatores
    • Várias bin stores da região também fecharam nos últimos seis meses
  • Havia uma loja dessas na minha região. Fui duas vezes e só vi roupas femininas e infantis baratas, peças aleatórias e bugigangas de comercial de TV, tudo muito inútil

    • No fim, parecia ser composto principalmente por coisas difíceis demais de vender, então nem por US$ 1 saíam, e a loja acabou fechando

    • Também custa dinheiro mandar esse tipo de coisa para aterro. Se você assistir a programas como Storage Wars, dá para ver que no começo ainda apareciam coisas boas em depósitos, e as pessoas ganhavam dinheiro com DVDs, móveis etc.; mas, conforme as temporadas avançaram, o mercado foi sendo inundado por lixo novo e barato em escala de limpeza de estoque, o que também reduziu a demanda por usados bons

  • Sobre a frase "O objetivo da reverse logistics é impedir que isso vá para o aterro", há a visão de que isso só virou um sistema para fazer um consumidor de segunda linha comprar e descartar

    • Também custa dinheiro descartar produtos não usados, então esse ônus acaba sendo empurrado "por qualquer circuito possível" para consumidores ou para países em desenvolvimento, como se viu no caso das roupas descartadas no deserto do Atacama

    • No ideal, seria melhor comprar, usar por um tempo e depois jogar fora, mas a realidade é que quase tudo o que compramos está destinado a virar lixo um dia

    • O custo de armazenar produtos não vendidos também é significativo. Lojas são extremamente sensíveis ao custo de oportunidade do espaço de exposição, aluguel, manutenção, energia e todo o resto

      • Se você estiver guardando 30 metros cúbicos de tralha por três anos num depósito, no fim ainda vai somar custo de transporte, triagem e aluguel, então chega a hora de concluir que não faz sentido segurar esse lixo por tanto tempo
  • Mercadorias vão parar no mercado secundário por vários motivos: fim de temporada, caixa levemente amassada, pedido não retirado ou armazém apertado. A curiosidade é como as tarifas vão afetar esse fluxo

    • Se os importadores levarem uma pancada tarifária, podem simplesmente nem retirar a mercadoria no terminal

    • No fim da matéria havia a observação de que "choques econômicos tendem a favorecer o mercado secundário, e as tarifas podem acabar provocando outro boom de bin stores"

    • Pela experiência canadense, dá para sentir claramente que as tarifas já vêm reduzindo continuamente o volume tanto nos leilões de devolução quanto nas bin stores