Introdução
- O Departamento de Justiça dos EUA está considerando forçar a venda do navegador Chrome para resolver o problema do monopólio de busca do Google.
- No entanto, surgem dúvidas de negócio e técnicas sobre se o Chrome é de fato um “ativo independente” que pode ser vendido.
Desenvolvimento
- Há quem afirme que o Chrome vale entre US$ 15 bilhões e US$ 20 bilhões com base em sua base de usuários, mas isso não passa de um número simplificado.
- Em vez de gerar receita por conta própria, o Chrome tem valor indireto por direcionar usuários para outros serviços do Google, como Busca e Gmail.
- Em outros navegadores, como Safari e Firefox, o Google precisa pagar custos de TAC, mas no Chrome, por ser propriedade do Google, esse custo não existe.
- Mesmo que o Google venda o Chrome, pela estrutura dos contratos de TAC, Apple e Mozilla ainda poderão continuar escolhendo o Google como mecanismo de busca padrão.
- Sem mudanças substanciais, os usuários provavelmente continuarão escolhendo o Google, e o efeito regulatório tende a ser mínimo.
- Tecnicamente, o Chrome é baseado em grande parte no projeto open source Chromium, e qualquer um pode criar um navegador semelhante.
- Na prática, Brave, Edge e Vivaldi já são baseados em Chromium, mas não conseguiram alcançar a mesma participação de mercado do Chrome.
- O verdadeiro valor do Chrome está na integração com os serviços do Google e em sua base de usuários; como produto independente, ele quase não tem valor comercial.
Conclusão
- O Chrome só faz sentido como ativo dentro do ecossistema do Google; como item vendido separadamente, tem pouco significado.
- Portanto, a exigência do DOJ de forçar a venda do Chrome está mais próxima de uma “medida simbólica política” do que de algo viável na prática.
8 comentários
Se for para vender, talvez fosse melhor criar uma fundação e separar de vez, porque assim pelo menos daria para impedir que o Google continue influenciando a web. Mesmo agora, já está controlando os padrões da web como bem entende por meio do Chrome. Como as pessoas têm dependência de trajetória, não me parece que continuariam usando esse navegador se o Chrome fosse vendido para outra empresa. Mas, pensando em como o grupo que comprasse só o navegador conseguiria monetizá-lo, no fim acabaria recebendo TAC do Google, então de um jeito ou de outro continuaria subordinado a ele, não?!
Embora o Google esteja moldando as coisas ao sabor das próprias políticas, talvez também seja prejudicial para algumas pessoas perder o impulso que acelera a reforma da web.
Se o monopólio surge dos TAC, então, no momento em que a solução apresentada é a venda do Chrome, isso não deve significar nada além de um teatro político.
O Internet Explorer também não gerava receita própria (ao contrário do Navigator, e ainda por cima era até gratuito), mas tinha o efeito indireto de atrair usuários para o sistema operacional da MS. O fato de os navegadores baseados em Chromium não serem populares não seria, na verdade, justamente uma prova do contrário?
Ah, então, é verdade que o cálculo é chamativo, mas pessoalmente me parece uma análise bastante plausível como parte da posição monopolista da internet como plataforma. No meu caso, inclusive, preciso usar Firefox e Chrome em paralelo por causa do Google Tradutor.
Parece que o Firefox mais recente agora também oferece suporte a tradução com foco em privacidade e anonimato em coreano.
Antes, era preciso usar uma extensão.
O que é a estrutura contratual TAC?
TAC (Traffic Acquisition Cost) é o custo pago a fabricantes de dispositivos ou empresas de navegadores para definir o Google como mecanismo de busca padrão. Dá para pensar nisso como uma certa porcentagem da receita por consulta de busca.
Como esse TAC foi visto como parte do domínio do Google no mercado de buscas, o Departamento de Justiça entrou com uma ação antitruste e, recentemente, saiu a decisão de que se trata de monopólio, então agora está surgindo a conversa sobre a venda do Chrome.