Escrever com imagens: Richard Scarry e a arte da literatura infantil
(yalereview.org)- Para Chris Ware, Best Word Book Ever, de Richard Scarry, era um livro que organizava em imagens objetos e ações do cotidiano, fazendo a criança sentir que o mundo era um lugar seguro e compreensível
- Em vez de pessoas, personagens animais como coelhos, ursos, porcos e gatos preenchiam as cenas da vida diária, fazendo o mundo de Scarry parecer um espaço mais realista e acolhedor
- Publicado em 1974, Cars and Trucks and Things That Go completou 50 anos em 2024, e a nova edição comemorativa da Penguin Random House traz linhas nítidas, cores quentes em aquarela e um posfácio do filho Huck
- O trabalho com Little Golden Books e o sucesso de Best Word Book Ever levaram a Busytown, e o livro acabou se tornando representativo da forma como Scarry unia imagem e linguagem, com 7 milhões de cópias vendidas até 1975
- Os livros de Scarry não são obras às quais se acrescentaram ilustrações ao texto, mas algo mais próximo de histórias escritas com imagens, mostrando a força do desenho como a primeira linguagem pela qual a criança entende o mundo
O mundo de Scarry encontrado na infância
- O narrador sentia que deveria gostar de carros e caminhões quando criança, mas, na prática, tinha um apego especial apenas ao Volkswagen Ghia azul da mãe
- Na estante do quarto de hóspedes no andar de cima da casa dos avós havia edições originais de Oz, Ferdinand the Bull, Manners Can Be Fun, livros da Little Golden Books dos anos 1950 e 1960 e também Best Word Book Ever, de Richard Scarry
- Best Word Book Ever funciona como um índice visual que mostra, em desenhos lineares coloridos, peças do quebra-cabeça da vida cotidiana
- Mostra cenas de casa, sono, refeições, brincadeiras e trabalho a partir de ângulos que uma criança teria curiosidade de ver
- Não aparecem pessoas; coelhos, ursos, porcos, gatos, raposas, cães, guaxinins, leões e ratos preenchem o mundo
A sensação de vida cotidiana criada pelos personagens animais
- Os personagens animais de Scarry fazem as cenas do cotidiano parecerem um mundo realista e caloroso
- O corte transversal da casa da família de coelhos não era recebido como uma simples enumeração de objetos, mas como a própria vida de cozinhar e se vestir em conjunto
- A cena em que o urso Kenny acorda, lava o rosto, se veste e toma café da manhã mudou até o comportamento do narrador
- Na casa dos avós, ele seguia Kenny, lavando o rosto, escovando os dentes, se vestindo e arrumando a cama
- A avó tentava reproduzir o café da manhã de Kenny tanto quanto possível, com panquecas, cereal quente, suco de laranja, bacon e torradas
- A salada de alface e tomate que aparecia na mesa da família de porcos em “Mealtime” virou acompanhamento fixo nas refeições do narrador na casa dos avós
50 anos de Cars and Trucks and Things That Go
- Publicado em 1974, Cars and Trucks and Things That Go completou 50 anos em 2024
- A nova edição comemorativa da Penguin Random House é uma edição de luxo reimpressa com linhas pretas nítidas e cores de aquarela quentes e ricas
- A edição inclui um posfácio escrito por Huck, filho de Scarry
- Huck explica, em linguagem que até uma criança entende, como o pai escrevia e desenhava seus livros
- Também transparece sua experiência de ter crescido como filho de um autor de literatura infantil mundialmente popular e bem-sucedido
O crescimento de Richard Scarry e o início da carreira
- Richard McClure Scarry nasceu em 5 de junho de 1919, em Dorchester, Boston, Massachusetts
- Quando criança, escrevia listas de compras em desenhos, e não em palavras, e sua mãe o matriculou em aulas de desenho no Boston Museum of Fine Arts
- Tinha pouco interesse pela escola, e levou cinco anos para conseguir o diploma do ensino médio
- O pai pressionou para que ele entrasse em uma escola local de negócios, mas Scarry logo desistiu e voltou a se matricular no Museum of Fine Arts
- Depois de 7 de dezembro de 1941, foi convocado
- No exército, por causa de sua habilidade com desenho, trabalhou como pintor de placas e como diretor de arte do Army no Norte da África
- Produziu propaganda para elevar o moral, incluindo manuais informativos, guias e mapas da situação de guerra dos Aliados
- Serviu em Casablanca, perto de Oran, em Veneza, Paris e outros lugares
- Após deixar o serviço em 1946, mudou-se para Nova York, passou por um trabalho com o diretor de arte da Vogue e por uma agência de publicidade, e depois conseguiu um trabalho de ilustração para a revista Holiday
- O pagamento por esse trabalho foi de 2.000 dólares
- Em 1948, casou-se com Patricia Murphy, redatora publicitária
Little Golden Books e a virada de Scarry
- A Western Publishing e a Whitman criaram uma nova série de literatura infantil chamada Little Golden Books
- Os livros infantis existentes eram mais parecidos com presentes de Natal que custavam 1,50 dólar ou mais
- Os Golden Books eram produzidos de forma barata, vendidos por 25 centavos em farmácias e “dime stores” ao longo do ano todo
- Os Golden Books foram uma ideia de Georges Duplaix e Lucille Ogle, que recrutaram artistas de origem europeia como Feodor Rojankovsky, Tibor Gergely e Gustaf Tenggren
- Bibliotecários avaliavam esses livros de forma negativa, mas sua popularidade foi enorme, com pedidos chegando à casa dos milhões
- Scarry foi contratado para fazer um folheto promocional de quatro páginas para a entrada dos Golden Books em supermercados e depois produziu seis livros em um contrato de um ano que previa ilustrações para quatro
- Em 1951, publicou seu primeiro livro solo como autor e ilustrador, The Great Big Car and Truck Book
- O livro é uma espécie de semente de Cars and Trucks and Things That Go, mas ainda segue personagens humanos e o estilo detalhado em aquarela e guache típico da Western/Little Golden Books
- Os personagens animais e o traço mais livre pelos quais a obra madura de Scarry ficou conhecida ainda não aparecem em primeiro plano
Mudanças contratuais e Best Word Book Ever
- Os Golden Books, salvo exceções, não ofereciam royalties, e Scarry passou a se preocupar mais com questões de contrato depois do nascimento do filho Huck, em 1953
- Em 1955, pediu a Lucille Ogle um contrato com royalties e adiantamento, e Ogle concordou imediatamente
- Quando Scarry perguntou por que ela não havia proposto isso antes, Ogle respondeu: “Porque você não perguntou”
- Depois disso, com menos trabalho vindo da Golden, ele também passou a trabalhar para a Doubleday
- Scarry preparou a proposta de um livro de histórias em estilo de lápis mais livre, distante de seu modo de pintura detalhado, mas a Golden e outras editoras recusaram
- Em 1963, publicou I Am a Bunny, com texto de Ole Risom e ilustrações suas, livro visto como uma obra infantil silenciosa e elegante
- Nesse mesmo período, Scarry preparou uma nova proposta de livro de palavras em estilo de lápis livre, Best Word Book Ever, e desta vez a Golden aceitou
- Após a publicação, o mundo de Scarry apareceu em forma completa
- As linhas limpas de lápis e os desenhos quase rabiscados dão a sensação de estar vivos sobre a página
- Até 1975, vendeu 7 milhões de cópias e se tornou um dos livros infantis mais vendidos da história
- O royalty de Scarry era de 8 centavos por exemplar, e pelo contrato o valor unitário não aumentava mesmo quando o preço do livro subia
A expansão que levou a Busytown
- Scarry produziu outros livros para a Golden no formato de Best Word Book Ever, como Busy, Busy World e Storybook Dictionary
- Depois, a Random House levou What Do People Do All Day?, e passou a ser sua editora dali em diante
- Vieram então livros ambientados na mesma sociedade, como Great Big Schoolhouse, Cars and Trucks and Things That Go e Busiest People Ever!
- Esse mundo mais tarde ficou conhecido como Busytown
- Composição visual de tipo enciclopédico
- Situações leves de slapstick
- Personagens recorrentes como Huckle Cat, a família Pig e Lowly Worm
- Os livros de Busytown refletem as experiências de vida das crianças e, às vezes, também oferecem o molde para essas experiências
- Embora pareça uma sociedade doce e tranquila, há tombos e confusão, o que deixa sugerido um lado mais sombrio
A composição de Cars and Trucks and Things That Go
- Cars and Trucks and Things That Go é tratado como o livro mais movimentado de Busytown
- Scarry captura o movimento do trânsito como se fosse uma cena parada e depois o faz voltar a se mover por meio da leitura e da virada de páginas
- O livro inclui quase tudo que tenha alguma relação com deslocamento por motor de combustão interna
- van de entrega de chantilly
- biblioteca móvel
- caminhão de combustível de aviação
- carro de fabricante de estantes
- ônibus de formigas
- carro de giz de cera para duas pessoas
- ambulância
- Carros em forma de animais, vegetais e frutas aparecem repetidamente, enquanto tratores de esteira, guindastes enormes e caminhões desenhados com precisão também passam pelas páginas
- As cenas se movem da esquerda para a direita, direção do avanço do livro e também da leitura
- Passam por cidade, obra, praia e neve
- No final, após uma grande colisão segura, os carrinhos deslizam para a esquerda e param diante de “Home”
- Em quase todas as páginas, o pequeno personagem Gold Bug está escondido, permitindo que a criança o procure repetidas vezes
Suíça e a sensação de vida não americana
- Os livros de Busytown fizeram enorme sucesso nos Estados Unidos, mas Scarry se mudou para a Suíça em 1967, após umas férias de esqui de três semanas com o filho, e foi lá que passou a escrever e desenhar
- Em seu trabalho, não há antiamericanismo, mas sim uma sensação de vida não americana
- Existe a percepção de que o cidadão é um membro responsável de uma comunidade maior
- Aparecem com frequência elementos como ir a pé até a loja próxima, pequenos comércios e guildas de ofício
- Scarry viveu e trabalhou depois em Lausanne e Gstaad
- Dentro da Random House, houve um breve debate sobre se What Do People Do All Day? deveria se chamar What Do Animals Do All Day?, já que era povoado apenas por animais
- A resposta final foi “No!”, e a discussão terminou rapidamente
- Scarry continuou fazendo livros pelos 20 anos seguintes, sempre com animais no lugar de pessoas
Animais, empatia e o contraste com Maus
- Em livros infantis, os animais costumam ser o primeiro recipiente da empatia inata das crianças
- Na sociedade animal de Scarry, também permanecem perguntas estranhas
- Vacas e galinhas aparentemente não recebem carteira de motorista, mas porcos aparecem dirigindo
- Surgem perguntas sobre a origem do bacon no café da manhã de Kenny
- Maus: A Survivor’s Tale, de Art Spiegelman, ganhou o Pulitzer Prize em 1992, mas também foi criticado pela forma como desenhava pessoas como animais
- Judeus aparecem como ratos, alemães como gatos, americanos como cães, poloneses cristãos como porcos e franceses como sapos
- Houve resistência também ao fato de tratar do suicídio da mãe e da experiência do pai em Auschwitz em uma forma ligada aos quadrinhos, meio associado à literatura infantil
- Maus faz o leitor experimentar visualmente, de um modo que só palavras não conseguiriam, o pensamento que reduz seres humanos a algo passível de extermínio
- Esse contraste revela que a obra de Scarry também era uma narrativa em imagens que não poderia ser dita apenas com palavras
Histórias escritas com imagens
- Walter Retan e Ole Risom consideravam que Scarry não “escrevia” histórias, mas as desenhava
- Sua obra mais representativa tem o título Best Word Book Ever, mas na prática está mais próxima do melhor livro de imagens possível
- As crianças primeiro veem os detalhes, a textura e a beleza do mundo, mas, quando aprendem as palavras, passam a classificar os objetos e a ver menos
- A imagem é a primeira linguagem para entender o mundo e não deveria ser ignorada por causa da segunda linguagem, a escrita
- Scarry não acrescentava imagens para explicar palavras; ele trabalhava de um modo que iluminava com palavras um mundo de imagens
- Como preservava uma sensibilidade infantil, Scarry não testava seus livros com crianças, porque sabia onde estava a criança dentro dele: em um coração gentil
1 comentários
Opiniões no Hacker News
Eu adorava Richard Scarry quando era criança, e ainda adoro. Tenho certeza de que, quando eu estava aprendendo inglês no 1º ano, os livros dele ajudaram muito a ampliar meu vocabulário.
Um detalhe de que só me dei conta depois de adulto é que, nos livros, o açougueiro é sempre um porco. Um porco vendendo presunto, linguiças e talvez cortes de carne suína é algo bem sombrio, mas engraçado como humor negro, e isso era tão natural dentro daquele universo que, quando criança, eu nunca percebi.
Lembro especialmente de um livro em que, em cada cena da cidade, os objetos vinham com seus nomes. Os pequenos detalhes e incidentes engraçados me faziam prestar atenção nos objetos e nos rótulos, e eram muito mais eficazes do que um livro comum de vocabulário infantil.
O melhor de Richard Scarry é que ele não trata as crianças com condescendência. Muitos autores infantis, tentando escrever “no nível das crianças”, acabam sendo infantis demais ou criando peças moralistas, mas as crianças percebem isso. As obras de Scarry são voltadas para crianças, mas ao mesmo tempo são genuinamente simples e bobas; os desenhos e histórias fofos e engraçados não parecem uma imitação, feita por adultos, daquilo que eles imaginam que “as crianças gostariam”.
É difícil encontrar livros infantis parecidos, e muitos dos livros ilustrados que vejo nas livrarias não são grande coisa. Uma exceção são os livros de Mac Barnett, que colabora com frequência com Jon Klassen: eles são realmente engraçados e visualmente atraentes até para adultos, não são apenas excessivamente açucarados, e as crianças também adoram de verdade.
“What do animals do all day?”: The division of labor, class bodies, and totemic thinking in the popular imagination (2000)
É um texto de 36 páginas sobre quais animais fazem quais trabalhos em Busytown, em contraste com Babar e outros, e não é um artigo totalmente sério.
[1] https://www.amazon.com/Dark-Bccb-Ribbon-Picture-Awards/dp/03...
Ainda lembro da impressão que tive ao ler esses livros aos cinco anos, e fico triste quando penso na diferença em relação ao mundo em que acabei entrando de fato
Acho marcante a forma como muitos livros infantis mostram o mundo às crianças: “quando você crescer, poderá entrar em uma vida feliz e produtiva, seja qual for o trabalho de que goste”
Toda vez que leio livros de Richard Scarry para minha filha, fico pensando quando e como vou ter de explicar a ela que, se seus interesses não coincidirem com um trabalho que pague um salário digno, sua vida pode, na prática, desandar
Fico imaginando como seria crescer, ou criar uma criança, em um mundo no qual a via de entrada para a vida adulta fosse tão ampla e suave que fosse quase impossível cair na pobreza, na solidão ou em um trabalho que você odeia. Busytown não é um lugar real, mas parece um lugar projetado para dar às crianças uma noção de que tipo de lugar o mundo é, ou deveria ser
Concordo que jovens nos EUA ouvem mentiras do tipo “faça o que ama e o dinheiro virá”. Eu também acreditei nisso e tentei virar pesquisador; cheguei a obter um doutorado, mas descobri que o caminho para um cargo de pesquisa com estabilidade é extremamente estreito. É uma estrutura que desperdiça o tempo de muita gente motivada e precisa ser corrigida
Mas é difícil dizer que a origem disso sejam os livros de Richard Scarry, e não vejo problema em mostrar às crianças um mundo cor-de-rosa. A infância é a melhor e mais longa férias da vida. Só que, à medida que as crianças crescem e se tornam jovens, elas precisam gradualmente de mais conversas realistas
Ainda assim, a maioria parece ter encontrado um trabalho suficientemente agradável e que contribui para a sociedade. Parte de uma vida feliz e plena pode ser encontrar alegria dentro do que é alcançável
Devemos apoiar todas as propostas YIMBY que aparecerem e exigir uma reforma ousada do zoneamento
80% do problema de custo de vida no mundo ocidental é moradia. Pelo menos nos EUA, com exceção de NYC, ainda há espaço suficiente na maioria das grandes cidades para aumentar muito a oferta de moradias e torná-la novamente acessível
Os custos inacessíveis do mundo moderno são um problema criado por nós mesmos. As pessoas querem que o valor de suas casas suba 5% ao ano, mas ficam irritadas quando os preços dos restaurantes sobem 10% ao ano e a creche custa 30 mil dólares por ano
Acho que seria melhor se os preços das casas ficassem parados por 10 anos enquanto os salários alcançam o custo da moradia, e, em troca, economizássemos 15 mil dólares por ano na creche, 5 mil dólares por ano em refeições fora de casa e os crimes contra o patrimônio caíssem para um nível razoável. É preciso votar pela mudança
Porque, desde muito pequenos e por muitos anos, aprendemos que esses problemas foram resolvidos
Entendo o forte impulso de os livros infantis oferecerem conforto e evitarem perguntas sem resposta, mas o resultado é uma visão distorcida da realidade, que os pais depois precisam corrigir
Adultos têm responsabilidades como contas a pagar, mas também têm a liberdade de agir de forma boba, passar tempo com a família e fazer coisas criativas. Em qualquer dia, dá para tentar uma receita nova na cozinha e fazer uma bagunça; se não der certo, comprar uma pizza. Também dá para escrever uma história ou um poema, levar um caderno de esboços ao lago, tirar fotos na estação de trem ou fazer o que der vontade naquele dia
Quando nos acomodamos em padrões rígidos e vivemos no piloto automático, é fácil esquecer essa liberdade, mas basta um pequeno estímulo para reencontrá-la
Percebi que era difícil ganhar dinheiro na área que escolhi primeiro e depois mudei de profissão, mas não sinto que minha vida tenha desandado. Pelo contrário, passei a gostar muito mais de fazer as coisas de que gosto fora do trabalho. O trabalho criativo é mais gratificante quando não tento maximizar a renda nem transformá-lo em mercadoria. Claro que seria bom não precisar trabalhar e viver fazendo só o que quero, mas fiz uma certa paz com uma vida em que trabalho uma quantidade geralmente razoável de tempo em um emprego tolerável e garanto tempo para a família e para a diversão
Gosto muito dos livros de Richard Scarry. Descobri há alguns meses, quando procurava livros para ler para uma criança de 3 anos, e agora o momento de ler as aventuras de Lowly e livros de procurar coisas todas as noites virou um ritual indispensável. Sou muito grato a Richard Scarry e à série Grumpy Monkey
Mesmo agora, no fim dos meus 40 anos, guardo com carinho o livro que meus pais me deram como presente de formatura do ensino médio. Richard Scarry autografou o Cars and Trucks and Things That Go que eu lia até ficar todo surrado quando era criança
Não tive contato direto com Richard Scarry quando era pequeno; descobri seus livros em uma pilha de livros gratuitos que alguém deixou em frente de casa para crianças. Fiquei imediatamente impressionado com a criatividade e com o cuidado incrível colocado em todos os detalhes
As crianças procuravam obstinadamente o “goldbug” em cada página de Cars and Trucks and Things That Go, mas nunca pegaram gosto por procurar Waldo
Consegui pelo Buy Nothing, é bem antigo, colado com fita adesiva, e tem muitos rabiscos feitos por uma criança chamada Max
Quando chegamos à cena da praia, sempre tenho a sensação de ter conquistado algo
Os livros de Richard Scarry foram, enquanto eu crescia, um mundo aconchegante de verdade, e até hoje tenho vontade de viver dentro de What Do People Do All Day?. Fico curioso para saber como seria se ele tivesse feito esse livro hoje
Um dos motivos pelos quais saí do meu país e vim para o país onde moro hoje foi que ele me lembrava What Do People Do All Day?. No começo eu não percebi conscientemente, mas meu pai apontou a semelhança quando viu alguém — que não era exatamente o porco vindo da cidade — andando por aí num veículo pequeno com equipamentos acoplados para regar gerânios
Uma coisa boba da infância virou, de um jeito estranho, uma lembrança central. Eu disse à professora do 2º ano que queria levar um livro de Richard Scarry para a hora da apresentação, mas ela achou que eu estava dizendo “witches scary” e ficou convencida de que seria perfeito para o Halloween. Então fiquei extremamente frustrado tentando pronunciar “Richard” de um jeito que ela entendesse
Eu lia os livros dele todos os dias quando era bem pequeno. Ele criou um mundo ótimo para imaginar, e a explicação de que se mudou para a Suíça faz sentido. Pensando agora, o mundo dele parecia bastante europeu
Meus filhos, que agora já são adultos, não tiveram contato com os livros dele, e fico me perguntando se ainda são vendidos amplamente hoje em dia
Continuam sendo livros encantadores, mas hoje parecem um pouco datados. Há muitas profissões que desapareceram e quase não há animais femininos fazendo coisas legais, então acho que ficaram menos populares
Foi um dos primeiros livros que comprei quando tive filho, e meus filhos também gostaram. Não tanto quanto eu, mas gostaram. Se você estiver procurando um bom presente para uma criança pequena que não seja um vale-presente da Nintendo, é uma ótima escolha
Quando eu era criança, conhecia mais por causa dos jogos de DOS. Tinha até uma trilha sonora em Red Book com os moradores da cidade cantando sobre várias profissões, e, na época, construir casas era minha atividade favorita
https://archive.org/details/BusytownDOS
https://archive.org/details/busytown_dos
“PUT A BANDAGE ON IT”
Richard Scarry morava na minha antiga cidade natal, Ridgefield, em Connecticut, e Maurice Sendak, autor e ilustrador de Where the Wild Things Are, também morava lá. A bibliotecária da escola recomendava os livros dele com especial orgulho
Pensando bem, parece que havia muitos autores infantis morando no oeste de Connecticut ou na região ao norte do leste do estado de Nova York. Alguns autores, incluindo Judy Hawes e Jean Van Leeuwen, foram à escola para falar sobre seus livros e sobre leitura em geral
Na faculdade, chamávamos o livro-texto de Sistemas de Informação Gerencial de “livro do Richard Scarry”, porque era cheio de ilustrações coloridas e complexas, mas raso nos detalhes técnicos
Se você nunca viu a série animada de TV baseada nos livros, está perdendo totalmente. É excelente: https://www.youtube.com/watch?v=2m76NQMJGtc&list=PL66vbXJhfF...