1 pontos por GN⁺ 2024-09-10 | 1 comentários | Compartilhar no WhatsApp

Atualizações de software e paywalls pagos que violam os direitos do consumidor

  • Os consumidores já não podem dizer que realmente possuem os produtos que compraram. O fabricante pode encerrar as atividades, ou o produto pode se tornar menos útil por causa de uma atualização de firmware após a compra
  • Recentemente, grupos de consumidores, ativistas e juristas se uniram para pedir à FTC que reprima fabricantes de dispositivos inteligentes que interrompem repentinamente o suporte aos produtos ou escondem recursos atrás de barreiras de assinatura paga
  • Em uma carta enviada à FTC por 17 grupos, foi feito um apelo para regular práticas anticonsumidor como o software tethering. Isso inclui inutilizar hardware por meio de atualizações de firmware ou bloquear recursos principais atrás de assinaturas pagas

Casos de prejuízo ao consumidor e a falta de resposta da FTC

  • A carta cita casos de prejuízo ao consumidor, como a Peloton cobrando US$ 95 de usuários de bicicletas de segunda mão sem motivo, e um fabricante de berço inteligente para bebês bloqueando funções principais atrás de uma assinatura paga
  • Continua ocorrendo a situação em que dispositivos caros comprados pelos consumidores têm suas funções limitadas sem aviso prévio ou se tornam inúteis. Com isso, os direitos do consumidor estão sofrendo uma “morte lenta”
  • A FTC já iniciou algumas investigações, mas, por exemplo, na apuração sobre a decisão do Google de inutilizar o hardware doméstico inteligente Revolv, não implementou medidas concretas nem reformas de proteção ao consumidor

Limitações da FTC e o que é necessário

  • A FTC tem recursos limitados por falta de verba, falta de pessoal e conflitos internos, além de já enfrentar dificuldade para lidar com questões mais urgentes, como monopolização e violações de privacidade
  • Ainda assim, orientações em nível federal e alguns alertas já poderiam provocar grandes mudanças no atual e confuso mercado de hardware “inteligente”

Opinião do GN⁺

  • O problema de os consumidores não terem de fato a propriedade de produtos tecnológicos que compram está se agravando com a expansão de casas inteligentes, dispositivos IoT e afins
  • A falta de intervenção da FTC pode incentivar um ambiente de mercado anticonsumidor, o que tende a reduzir ainda mais a confiança dos consumidores
  • Para evitar problemas semelhantes, cresce a necessidade de leis de proteção ao consumidor que exijam com clareza suporte pós-venda e garantia de funcionalidades no momento da compra
  • Está aumentando o número de produtos que escondem funções principais atrás de assinaturas pagas, por isso é importante que o consumidor considere o custo de manutenção de longo prazo desses produtos
  • Esse tipo de uso indevido da tecnologia pode afetar não só os direitos do consumidor, mas também gerar problemas ambientais, com o risco de aumentar desnecessariamente o lixo eletrônico

1 comentários

 
GN⁺ 2024-09-10
Opiniões no Hacker News
  • Todo dispositivo que executa software deveria permitir o desbloqueio do bootloader para que terceiros possam desenvolver software, e deveria haver documentação de hardware suficiente
    • Não gosto de regulamentação imposta pelo governo, mas este pode ser um caso excepcional
  • É preciso agir contra empresas que inutilizam hardware quando desligam o último servidor em nuvem
    • Não há desculpa para um dispositivo virar um tijolo ou perder funções por causa de uma ação remota do fabricante
    • Não quero uma relação de conexão contínua com o fabricante ao comprar um aparelho
    • Não quero que o aparelho peça autorização de execução ao fabricante todos os dias
    • Não quero criar uma conta nem fazer login nos servidores do fabricante
    • Não quero que o fabricante saiba meu endereço IP ou meu endereço residencial
    • Um dispositivo de hardware deve funcionar no 10.000º dia do mesmo jeito que funcionava no primeiro dia
    • Se uma empresa não consegue fazer isso, não deveria poder vender o aparelho
    • No mínimo, deveria ficar claramente indicado que o dispositivo depende dos servidores do fabricante
  • É necessário que a FTC imponha várias certificações
    • Poderiam colocar adesivos nos produtos, e produtos fora de conformidade seriam ilegais
    • Poderiam existir certificações como open source, livre de nuvem, rollback de firmware, livre de telemetria, E2EE e peças de reposição por 10 anos
    • Cada pessoa considera coisas diferentes importantes
    • É melhor haver certificações que não sejam usadas do que a FTC tomar uma decisão errada e um produto desaparecer do mercado
  • Isso me faz lembrar de quando a Sony desativou por atualização o suporte oficial ao OtherOS
    • Sem a atualização, não era possível acessar a Sony Store, e jogos que exigiam o PS3 mais recente da Sony não funcionavam
  • Estou tentando remover todos os dispositivos IoT com Wi‑Fi
    • Há alguns anos criei uma rede de convidados/VLAN separada e limitei o uso a apenas 5 mbit de banda
    • O que restou são algumas câmeras IP e um aspirador Roborock
    • Precisamos de uma lei de prioridade ao local para que todos os dispositivos funcionem 100% no Wi‑Fi local
  • eFuses deveriam ser tornados ilegais em dispositivos
    • O dispositivo já não é mais propriedade do fabricante, e ele não deveria ter o direito de danificá-lo fisicamente
    • eFuses viabilizam “recursos” anti-consumidor, como impedir downgrade de firmware, colocar chaves de criptografia comprometidas em blacklist e inutilizar dispositivos remotamente
  • A MS removeu o suporte a realidade mista no Windows 11 24H2, tornando inutilizáveis todos os headsets VR para Windows (exceto os da própria MS)
  • Pedimos uma lei para acabar com essa prática há pelo menos 20 anos
    • Exemplos iniciais incluem o suporte a Linux no PS3 e o brick de módulos de impressora da HP
    • Essa situação precisa mudar junto com tantos dispositivos IoT conectados à nuvem
    • A lei não deveria tratar apenas da perda remota de funções ou do brick, mas também de componentes que possam operar localmente sem nuvem
  • Os fabricantes de hardware deveriam ser obrigados a divulgar todas as informações necessárias para que clientes usem o hardware com software fornecido por eles mesmos
    • Isso não precisa acontecer no lançamento
    • Deveria ser divulgado ao anunciar o EOL, ao lançar uma atualização que remova funções antes disponíveis, ou 2 anos após a primeira venda
    • Não deveria haver exceções
    • Se o fornecedor de hardware não puder fazer isso, deveria ser obrigado a dar reembolso integral pelo dispositivo e pelos componentes de software relacionados