Israel fecha a emissora Al Jazeera sob alegação de ameaça à segurança nacional
- No domingo, as autoridades israelenses fecharam o escritório local da Al Jazeera.
- A decisão ocorreu poucas horas depois de o governo, por meio de uma nova lei, ter determinado a interrupção das operações da rede de notícias via satélite em Israel.
- Críticos descreveram a medida como “um dia de trevas para a imprensa”, levantando novas preocupações sobre a postura do governo de linha dura de Benjamin Netanyahu em relação à liberdade de expressão.
Governo de Israel justifica o fechamento alegando que a Al Jazeera ameaça a segurança nacional
- As autoridades israelenses disseram que a medida é justa porque a Al Jazeera representa uma ameaça à segurança nacional.
- O primeiro-ministro de Israel, após votação unânime do gabinete, postou nas redes sociais: “O canal de incitação Al Jazeera vai ser fechado em Israel”.
- Segundo comunicado oficial do governo, o ministro de Telecomunicações de Israel assinou ordem para agir imediatamente.
- Entre as providências, fechou-se o escritório local da Al Jazeera em Israel, apreenderam-se equipamentos de transmissão e bloqueou-se o canal em operadoras de cabo e satélite, além de bloquear o site.
Al Jazeera transmitiu 24 horas por dia em Gaza durante toda a guerra
- A emissora, financiada pelo Catar, vinha criticando as operações militares de Israel em Gaza.
- Manteve cobertura de 24 horas por dia em Gaza durante os 7 meses de guerra.
- A Al Jazeera afirmou que a acusação de ser uma ameaça à segurança israelense é “uma mentira perigosa e tola”, pois colocaria seus jornalistas em risco.
- Em comunicado, disse que “A rede de mídia Al Jazeera condena fortemente este ato criminoso, que viola os direitos humanos básicos e o direito de acesso à informação”.
- A Al Jazeera também afirmou ter o direito de continuar fornecendo notícias e informações ao público global.
O Alto Comissariado de Direitos Humanos da ONU também critica a medida de Israel
- O Alto Comissariado de Direitos Humanos da ONU disse em X: “Lamenta a decisão do gabinete de Israel de fechar a Al Jazeera em Israel”.
- “Uma imprensa livre e independente é essencial para garantir transparência e prestação de contas”, afirmou, acrescentando que isso é ainda mais importante “dadas as rígidas limitações na cobertura de Gaza”.
- A liberdade de expressão é um direito humano central, e o comissariado pede ao governo a revogação da proibição.
Parlamento de Israel aprova projeto de lei que permite fechar temporariamente emissoras estrangeiras que representem ameaça à segurança nacional
- No mês passado, o Parlamento de Israel aprovou uma lei que permite fechar temporariamente emissoras estrangeiras consideradas ameaças à segurança nacional.
- A lei permite que Netanyahu e o gabinete de segurança fechem o escritório israelense da Al Jazeera por 45 dias, período que pode ser prorrogado até o final de julho ou até o término de uma grande operação militar em Gaza.
- A versão em árabe da Al Jazeera, além de incluir cobertura de campo sobre as vítimas da guerra, costuma publicar declarações em vídeo de Hamas e de outros grupos armados na região, o que recebeu duras críticas de autoridades israelenses.
Entidade de jornalistas: “é um dia de trevas para a imprensa e para a democracia”
- A Foreign Press Association (FPA), uma ONG que representa jornalistas de organizações de notícias internacionais atuantes em Israel, Cisjordânia e Gaza, criticou Israel por ter “se juntado ao clube suspeito de governos autoritários”.
- Em comunicado, afirmou: “É um dia de trevas para a imprensa e um dia de trevas para a democracia”.
Há oposição política interna em Israel
- O Partido União Nacional, uma formação de centro dentro da coalizão governista, disse que essa medida “poderá prejudicar os esforços de libertação de reféns israelenses em Gaza”, num momento em que as negociações de cessar-fogo parecem prestes a fracassar.
Opinião do GN⁺
- O fechamento de um veículo de comunicação específico durante o conflito é uma medida com alto potencial de violar a liberdade de imprensa. Embora o argumento seja a segurança nacional, o resultado pode ser a supressão do direito do público à informação. Isso não é adequado em uma sociedade democrática.
- O fato de a medida ter sido adotada justamente quando o Catar é alijado de seu papel de mediador sugere intenção política. Sendo um tema sensível como o controle da imprensa em tempo de guerra, é necessária vigilância e pressão da comunidade internacional.
- Para a resolução da questão palestina, é necessário cobertura equilibrada das posições de Israel e Palestina. Dar voz apenas a um lado não é desejável.
- O ato de reprimir a liberdade de expressão sob a justificativa de segurança nacional é um problema não só em Israel, mas também amplamente difundido globalmente. Parece necessário haver atuação internacional de proteção à liberdade de imprensa.
- Num conflito do Oriente Médio, o papel de mediação de terceiros países é importante, e o fechamento da Al Jazeera no Catar pode afetar negativamente futuros esforços de mediação. Para buscar uma solução de longo prazo, a atividade livre da imprensa é necessária.
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Opinião no Hacker News
Aqui está um resumo dos pontos principais dos comentários do Hacker News, organizado em uma lista de tópicos:
• Aviso sobre conversa respeitosa: O tópico começa com um lembrete para manter a discussão curiosa e respeitosa, mesmo em assuntos divisivos, conforme as diretrizes do HN.
• Histórico de censura na internet em Israel:
• Natureza dupla do Al Jazeera: Existem duas versões do Al Jazeera — uma para públicos ocidentais e outra para o Oriente Médio, com alinhamentos políticos distintos. A versão do Oriente Médio alegadamente exibiu vídeos do Hamas convocando levantamentos contra Israel. O Al Jazeera, financiado pelo Catar, é visto mais como uma ferramenta de influência política do que como uma agência de notícias imparcial.
• Preocupações com a “segurança nacional” como motivo de censura: Quando um governo pode proibir unilateralmente vozes pela “segurança nacional”, isso cria um precedente perigoso. O termo é elástico e pode ser mal utilizado, como se viu nos EUA pós-11 de setembro.
• Índice de Liberdade de Imprensa Mundial da RSF (Reporters Without Borders): A RSF reúne dados sobre liberdade de imprensa no mundo inteiro. O site da organização tem informações sobre a classificação de Israel e um repositório no GitHub com sites de notícias espelhados para contornar a censura.
• Especulações sobre motivos políticos: Alguns sugerem que a proibição do Al Jazeera é um ato de desespero de Netanyahu para agradar parceiros da coalizão da extrema-direita e proteger-se do seu julgamento contínuo por corrupção, mesmo às custas dos princípios de uma imprensa livre. Isso levanta preocupações sobre o enfraquecimento das normas democráticas.
• Importância da mídia doméstica: Embora seja preocupante, Israel ainda possui jornalismo independente sério, como o Haaretz. Nada pode substituir o papel da mídia doméstica em salvaguardar a democracia, como no caso da Rússia.
• Dúvidas sobre a influência do Al Jazeera: A justificativa para o banimento parece vaga, levantando perguntas sobre o papel real do Al Jazeera em moldar a opinião pública palestina e se é possível apontar casos específicos de cobertura tendenciosa.
• Riscos de usar a “segurança nacional” como desculpa: Permitir que a “segurança nacional” seja usada para destruir liberdades incentiva líderes a fazerem de propósito um trabalho ruim em segurança para conquistar mais poder. Governos incapazes de se proteger contra jornalistas devem ser obrigados a renunciar.
• Oposição à repressão da mídia: Qualquer regime que suprime os meios de comunicação é visto com desconfiança, sugerindo que esconde algo.