'Lavender': o sistema de IA de Israel que dirige os bombardeios na Faixa de Gaza
- As Forças Armadas de Israel desenvolveram um programa baseado em inteligência artificial chamado 'Lavender', que desempenha um papel importante nos bombardeios indiscriminados contra palestinos na Faixa de Gaza.
- O sistema marca dezenas de milhares de moradores de Gaza como alvos de assassinato sem supervisão humana, e a política de tolerância a vítimas é permissiva.
- O Lavender foi projetado para marcar membros das organizações militares do Hamas e da Jihad Islâmica Palestina (PIJ) como potenciais alvos de bombardeio.
PASSO 1: geração de alvos
- O Lavender analisa informações coletadas por um sistema de vigilância em massa sobre a maioria dos moradores da Faixa de Gaza, classifica cada indivíduo ao avaliar a probabilidade de ser membro das organizações militares do Hamas ou do PIJ.
- Esse sistema de IA aprende as características de membros conhecidos de organizações militares e avalia a população em geral em busca dessas características.
- O Lavender marcou cerca de 37.000 palestinos como suspeitos de serem 'membros de organizações militares' do Hamas, transformando-os em alvos de assassinato.
PASSO 2: vincular alvos à casa da família
- As Forças Armadas de Israel usam um sistema automatizado para vincular o alvo à casa da família e utilizam sistemas adicionais de automação, como o 'Onde está o papai?', que sinaliza o bombardeio quando o alvo entra na casa da família.
- Esses sistemas monitoram continuamente o alvo e permitem atacá-lo assim que pisa na casa da família.
PASSO 3: escolha da arma
- Depois de ser marcado pelo Lavender como alvo de assassinato, os soldados verificam se o alvo é homem e, quando o software de rastreamento o localiza em casa, escolhem a munição a ser usada no bombardeio.
- Bombas 'burras' de baixo custo podem causar mais danos colaterais do que bombas guiadas de precisão e são usadas principalmente para assassinar integrantes de nível inferior.
PASSO 4: aprovação de vítimas civis
- Durante as primeiras semanas da guerra, as Forças Armadas de Israel permitiram matar até 15 ou 20 civis ao assassinar cada integrante de nível inferior marcado pelo Lavender.
- Esse 'grau de dano colateral' foi amplamente aplicado a todos os suspeitos de serem integrantes de nível inferior, independentemente de sua patente, importância militar ou idade.
A opinião do GN⁺
- O sistema Lavender é um caso de aplicação de tecnologia de IA em operações militares, o que sugere que o papel da IA nas guerras futuras tende a aumentar.
- Há graves questões éticas em depender de uma lista de alvos de assassinato definida por inteligência artificial, além do alto potencial de vítimas civis devido a alvos definidos incorretamente.
- É necessário um debate profundo sobre como essa tecnologia mudará a forma da guerra, assim como novas interpretações do direito internacional e das leis de guerra.
- A adoção de sistemas como o Lavender pode aumentar a eficiência militar, mas ao mesmo tempo apresenta um aspecto duplo ao colocar em risco a vida de civis inocentes.
- É preciso considerar que impacto essa tecnologia poderá ter sobre a comunidade internacional no futuro e a necessidade de criar regulações ou medidas de resposta.
1 comentários
Comentários do Hacker News
Pesquisadores já haviam levantado preocupações há muito tempo sobre o direcionamento de indivíduos com base em associações indiretas. Esses sistemas foram originalmente usados para vigilância, mas agora estão sendo usados não apenas para vigiar, e sim para realmente matar pessoas.
É expressa preocupação com a ideia de a inteligência artificial (IA) tomar previamente a decisão de matar pessoas. Neste caso houve aprovação humana, mas é apontado que estamos a apenas um passo de situações em que pessoas são mortas por robôs sem intervenção humana.
Aponta-se que muitas pessoas vão olhar apenas o título e não vão ler o conteúdo, e recomenda-se prestar atenção ao segundo parágrafo da matéria.
Sugere-se ouvir a temporada atual do podcast Serial.
Apesar de ser uma narrativa que retrata negativamente as ações de Israel, pelo menos pode ser lida como uma tentativa de atacar alvos militares.
Questiona-se a precisão dessa tecnologia, apontando que parece haver mais interesse em algo que pareça tecnologia avançada do que nos resultados em si.
Menciona-se que as Forças de Defesa de Israel (IDF) não estavam interessadas apenas em matar operadores do Hamas em instalações militares ou enquanto realizavam atividades militares.
Levanta-se a dúvida sobre que benefício o uso de IA trouxe para o alcance dos objetivos da IDF.
O The Guardian também está tratando essa história como matéria de capa e recebeu detalhes com antecedência.
Uma fonte mencionou que os funcionários humanos apenas atuavam como um "carimbo" para as decisões da máquina.