Parece que estão surgindo opiniões defendendo a abolição do imposto sobre herança no nosso país, mas acho que ainda é incerto se isso realmente seria uma boa ideia.
Se querem mais trabalho, então têm que pagar mais por isso, e aí a pessoa decide se vai trabalhar ou não. Recentemente vi uma matéria defendendo o fim do limite de 52 horas no setor de semicondutores, e achei isso um absurdo. Já seria possível fazer isso hoje só pagando adicional por hora extra, então por que insistir em acabar com o limite? Os gestores coreanos ainda não ficaram satisfeitos o bastante.
Eu trabalho dia e noite. Há recompensas, mas também porque existe a responsabilidade de ser da gestão. Acho que quem tem responsabilidade tem o dever de se dedicar mais.
Claro, eu entendo de que perspectiva a pessoa que escreveu o texto está falando, mas... antes de ser uma startup, é uma empresa, e quando pensamos que uma empresa ganha competitividade ao aumentar a eficiência, fico com a sensação de que simplesmente aumentar o tempo de trabalho é algo um pouco delicado.
Também precisamos lembrar que não estamos fazendo trabalho da era industrial, e sim trabalho intelectual.
Mesmo no mercado doméstico, entre startups e unicórnios, os lugares que pagam muita remuneração em dinheiro, ou compensam claramente as horas extras, ou oferecem uma compensação em ações de forma consistente, já estão trabalhando nesse esquema de 10 às 11, 11 à meia-noite, seja voluntariamente ou não.
Sendo bem realista, falando na lata: faz sentido querer que as pessoas trabalhem duro sem pagar direito (ou economizando de forma mesquinha stock options que provavelmente vão virar quase papel, como se a empresa já fosse um unicórnio)?
Eu acho que não dá para falar em "trabalhar mais duro" sem falar de dinheiro.
No caso da NVidia, em 2024 o valor da remuneração em ações para funcionários (Stock Compensation) passou de US$ 3.549m (5 trilhões de won), e no caso da Tesla foi de US$ 1.999m (3 trilhões de won). E isso continua aumentando a cada ano.
Existe uma estrutura em que, se a empresa cresce por meio das ações dadas aos funcionários, os próprios funcionários também enriquecem.
Mas, no mercado coreano, é difícil ver esse tipo de caso nas grandes empresas. As RSUs ficam todas com a família controladora, sendo usadas apenas para fins de sucessão do controle da gestão.
Até a Samsung Electronics, a maior empresa do país, só em 2025 virou notícia por "pagar bônus de desempenho para executivos com ações da própria empresa", e dizem que, a partir de 2026, estão apenas "avaliando" oferecer remuneração em ações também para funcionários comuns, se eles quiserem. Só agora?
Com startups acontece a mesma coisa. Eu acho que só dá para "trabalhar mais duro" quando existe uma compensação adequada.
Fico me perguntando se os executivos e funcionários das startups que, segundo o texto original, não trabalham, estão recebendo uma "compensação adequada". Ou se ao menos existe um futuro em que eles possam receber isso algum dia.
Aliás, a característica dos VCs do nosso país sempre foi dizer que relutam em investir quando, tirando o CEO, outros funcionários iniciais têm participação relevante.
A maioria dos fundadores também reluta em dividir participação com CTOs.
Parece que a carga horária de trabalho nos EUA é parecida com a da Coreia, conforme a legislação trabalhista coreana, e que a diferença vem da eficiência, já que desde o início existe uma cultura de trabalho mais sistemática entre pessoas com alta escolaridade (em vez de ficar indo e voltando para reuniões presenciais, fazer conference calls, ou mesmo só reduzir o tempo gasto em reuniões inúteis, já melhoraria muito).
"Tirando o horário de almoço, a jornada média semanal é de 30 a 35 horas. Ainda assim, o trabalho no escritório vai só de segunda a quinta, e na sexta se trabalha de casa." https://www.kmib.co.kr/article/view.asp?arcid=0012998456
O que define viver bem? PIB, superávit da balança comercial? Acho que agora não dá mais para olhar só para o lado material. Não deveríamos considerar também a qualidade de vida? A diligência e a sinceridade no nível da ética profissional são atitudes muito básicas como membros da sociedade, mas, se isso significar apenas jornadas de trabalho intensas, acho que já não vivemos mais em uma época em que se deve trabalhar assim. Sustentar-se apenas com força de trabalho, sem produtividade que dê suporte, não condiz nem com o espírito da época no mundo todo, nem com a nossa realidade de uma sociedade que entrou em fase de superenvelhecimento. Como já estamos vivendo uma queda populacional acentuada, acho que não há futuro se não inovarmos a produtividade.
Nem sei se os EUA realmente vivem bem porque trabalham pra caramba, e me parece que os coreanos trabalham mais do que os americanos. E, quando a gente olha para países pobres, parece que eles só trabalham, sem dia de folga nem fim de semana.
Nesse caso, acho que os funcionários que trabalharam com diligência, das grandes empresas às pequenas e ruins, deveriam receber um tratamento adequado. Principalmente quando o dono, que nem sequer é gestor, herda o negócio de geração em geração enquanto suga até a última gota do sangue dos trabalhadores, quem é que vai se dedicar?
Espero que o slogan de “um país próspero” não seja usado como palavra de ordem para um retorno à era do fascismo.
Eu também ganho a vida na área de semicondutores nos EUA... e penso de forma parecida. Mas acho que não existe uma resposta certa. Uma coisa é clara: a escolha é nossa... e, se escolhemos viver de forma mais humana e com mais tranquilidade, acho que precisamos aceitar ficar um pouco para trás na competição. Não dá para ter tudo.
Especialmente nesta era de IA generativa como a de agora, isso parece mesmo necessário. Ultimamente tenho tentado ler mais livros em papel de propósito, e acho que também deveria me dedicar à escrita regularmente e de forma intencional.
Este texto também, e https://pt.news.hada.io/topic?id=19517
Como eu só tenho uma perspectiva coreana, estou postando porque tenho curiosidade sobre a opinião de outras pessoas. Sobre para onde queremos ir e para onde estamos indo.
US$ 6/mês. Assinando por 1 ano, a versão atual fica gratuita para sempre. Direito de votar no roadmap. Suporte por e-mail.
Dá para sentir a angústia do desenvolvedor. Diferenciar pelas funcionalidades é algo delicado, então fica aquela angústia de “com o que diferenciar, afinal...”.
Como também foi escrito nos comentários do Hacker News, Piketty já dizia a mesma coisa em O Capital no Século XXI, que ele escreveu 10 anos atrás. Resumindo o argumento de então em duas linhas: “a taxa de retorno da renda do capital está crescendo muito mais do que a da renda do trabalho. Por causa disso, a herança está se tornando mais importante e, por isso, a desigualdade de riqueza está se agravando”.
Começar qualquer um consegue, mas... conseguir ir até o fim...
Aliás, esse cara, assim como no SerenityOS... gosta mesmo de partir do zero... inveja sincera!
A imagem principal do texto acima é uma chupeta de bebê, mas ela foi representada em ouro. (Golden Pacifier)
Acho que isso expressa a ideia de herdar ainda mais cedo do que ser um “nascido em berço de ouro”, desde a época de bebê de colo.
Parece que estão surgindo opiniões defendendo a abolição do imposto sobre herança no nosso país, mas acho que ainda é incerto se isso realmente seria uma boa ideia.
Se a Wegovy usar esses dados na publicidade, parece que conseguirá neutralizar a resistência aos preços altos do medicamento.
Se querem mais trabalho, então têm que pagar mais por isso, e aí a pessoa decide se vai trabalhar ou não. Recentemente vi uma matéria defendendo o fim do limite de 52 horas no setor de semicondutores, e achei isso um absurdo. Já seria possível fazer isso hoje só pagando adicional por hora extra, então por que insistir em acabar com o limite? Os gestores coreanos ainda não ficaram satisfeitos o bastante.
Eu trabalho dia e noite. Há recompensas, mas também porque existe a responsabilidade de ser da gestão. Acho que quem tem responsabilidade tem o dever de se dedicar mais.
Claro, eu entendo de que perspectiva a pessoa que escreveu o texto está falando, mas... antes de ser uma startup, é uma empresa, e quando pensamos que uma empresa ganha competitividade ao aumentar a eficiência, fico com a sensação de que simplesmente aumentar o tempo de trabalho é algo um pouco delicado.
Mesmo no mercado doméstico, entre startups e unicórnios, os lugares que pagam muita remuneração em dinheiro, ou compensam claramente as horas extras, ou oferecem uma compensação em ações de forma consistente, já estão trabalhando nesse esquema de 10 às 11, 11 à meia-noite, seja voluntariamente ou não.
Sendo bem realista, falando na lata: faz sentido querer que as pessoas trabalhem duro sem pagar direito (ou economizando de forma mesquinha stock options que provavelmente vão virar quase papel, como se a empresa já fosse um unicórnio)?
Eu acho que não dá para falar em "trabalhar mais duro" sem falar de dinheiro.
No caso da NVidia, em 2024 o valor da remuneração em ações para funcionários (Stock Compensation) passou de US$ 3.549m (5 trilhões de won), e no caso da Tesla foi de US$ 1.999m (3 trilhões de won). E isso continua aumentando a cada ano.
Existe uma estrutura em que, se a empresa cresce por meio das ações dadas aos funcionários, os próprios funcionários também enriquecem.
Mas, no mercado coreano, é difícil ver esse tipo de caso nas grandes empresas. As RSUs ficam todas com a família controladora, sendo usadas apenas para fins de sucessão do controle da gestão.
Até a Samsung Electronics, a maior empresa do país, só em 2025 virou notícia por "pagar bônus de desempenho para executivos com ações da própria empresa", e dizem que, a partir de 2026, estão apenas "avaliando" oferecer remuneração em ações também para funcionários comuns, se eles quiserem. Só agora?
Com startups acontece a mesma coisa. Eu acho que só dá para "trabalhar mais duro" quando existe uma compensação adequada.
Fico me perguntando se os executivos e funcionários das startups que, segundo o texto original, não trabalham, estão recebendo uma "compensação adequada". Ou se ao menos existe um futuro em que eles possam receber isso algum dia.
Aliás, a característica dos VCs do nosso país sempre foi dizer que relutam em investir quando, tirando o CEO, outros funcionários iniciais têm participação relevante.
A maioria dos fundadores também reluta em dividir participação com CTOs.
Parece que a carga horária de trabalho nos EUA é parecida com a da Coreia, conforme a legislação trabalhista coreana, e que a diferença vem da eficiência, já que desde o início existe uma cultura de trabalho mais sistemática entre pessoas com alta escolaridade (em vez de ficar indo e voltando para reuniões presenciais, fazer conference calls, ou mesmo só reduzir o tempo gasto em reuniões inúteis, já melhoraria muito).
"Tirando o horário de almoço, a jornada média semanal é de 30 a 35 horas. Ainda assim, o trabalho no escritório vai só de segunda a quinta, e na sexta se trabalha de casa."
https://www.kmib.co.kr/article/view.asp?arcid=0012998456
O que define viver bem? PIB, superávit da balança comercial? Acho que agora não dá mais para olhar só para o lado material. Não deveríamos considerar também a qualidade de vida? A diligência e a sinceridade no nível da ética profissional são atitudes muito básicas como membros da sociedade, mas, se isso significar apenas jornadas de trabalho intensas, acho que já não vivemos mais em uma época em que se deve trabalhar assim. Sustentar-se apenas com força de trabalho, sem produtividade que dê suporte, não condiz nem com o espírito da época no mundo todo, nem com a nossa realidade de uma sociedade que entrou em fase de superenvelhecimento. Como já estamos vivendo uma queda populacional acentuada, acho que não há futuro se não inovarmos a produtividade.
Nem sei se os EUA realmente vivem bem porque trabalham pra caramba, e me parece que os coreanos trabalham mais do que os americanos. E, quando a gente olha para países pobres, parece que eles só trabalham, sem dia de folga nem fim de semana.
Fica travando depois de fazer 3 perguntas..
Nesse caso, acho que os funcionários que trabalharam com diligência, das grandes empresas às pequenas e ruins, deveriam receber um tratamento adequado. Principalmente quando o dono, que nem sequer é gestor, herda o negócio de geração em geração enquanto suga até a última gota do sangue dos trabalhadores, quem é que vai se dedicar?
Espero que o slogan de “um país próspero” não seja usado como palavra de ordem para um retorno à era do fascismo.
Eu também ganho a vida na área de semicondutores nos EUA... e penso de forma parecida. Mas acho que não existe uma resposta certa. Uma coisa é clara: a escolha é nossa... e, se escolhemos viver de forma mais humana e com mais tranquilidade, acho que precisamos aceitar ficar um pouco para trás na competição. Não dá para ter tudo.
Especialmente nesta era de IA generativa como a de agora, isso parece mesmo necessário. Ultimamente tenho tentado ler mais livros em papel de propósito, e acho que também deveria me dedicar à escrita regularmente e de forma intencional.
Este texto também, e https://pt.news.hada.io/topic?id=19517
Como eu só tenho uma perspectiva coreana, estou postando porque tenho curiosidade sobre a opinião de outras pessoas. Sobre para onde queremos ir e para onde estamos indo.
Parece que existe um produto por assinatura paga!
US$ 6/mês. Assinando por 1 ano, a versão atual fica gratuita para sempre. Direito de votar no roadmap. Suporte por e-mail.
Dá para sentir a angústia do desenvolvedor. Diferenciar pelas funcionalidades é algo delicado, então fica aquela angústia de “com o que diferenciar, afinal...”.
Como também foi escrito nos comentários do Hacker News, Piketty já dizia a mesma coisa em O Capital no Século XXI, que ele escreveu 10 anos atrás. Resumindo o argumento de então em duas linhas: “a taxa de retorno da renda do capital está crescendo muito mais do que a da renda do trabalho. Por causa disso, a herança está se tornando mais importante e, por isso, a desigualdade de riqueza está se agravando”.
Ah, foi um engano T_T
O Microsoft Copilot não é aquele Copilot.
É o (Microsoft) GitHub Copilot…
Começar qualquer um consegue, mas... conseguir ir até o fim...
Aliás, esse cara, assim como no SerenityOS... gosta mesmo de partir do zero... inveja sincera!
A imagem principal do texto acima é uma chupeta de bebê, mas ela foi representada em ouro. (
Golden Pacifier)Acho que isso expressa a ideia de herdar ainda mais cedo do que ser um “nascido em berço de ouro”, desde a época de bebê de colo.