4 pontos por GN⁺ 2025-11-12 | Ainda não há comentários. | Compartilhar no WhatsApp
  • O resolvedor de DNS sem fins lucrativos Quad9, da Suíça, alertou que a ordem de um tribunal francês para bloquear sites de streaming ilegal está ameaçando a própria continuidade do serviço
  • A organização destaca que grandes empresas como Google, Cloudflare e Cisco conseguem arcar com os custos jurídicos e técnicos, mas pequenas entidades sem fins lucrativos têm dificuldade para suportar o mesmo peso
  • O Quad9 explicou que, por falta de recursos, decidiu recentemente não comparecer diretamente ao processo no tribunal francês e, por isso, não teve alternativa além de aplicar a ordem de bloqueio globalmente
  • Ao transferirem a responsabilidade para provedores de infraestrutura neutra (ISP·VPN·DNS), os detentores de direitos autorais estariam comprometendo a própria estrutura básica (plumbing) da internet
  • A empresa alerta que essa pressão jurídica enfraquece a abertura, a privacidade e a descentralização da internet, podendo levar no fim a uma centralização nas mãos de poucas grandes empresas

A ordem de bloqueio contra pirataria e a crise do Quad9

  • O resolvedor de DNS sem fins lucrativos Quad9, com sede na Suíça, publicou recentemente em seu blog que as ordens para bloquear sites de pirataria estão se tornando uma “ameaça existencial” para o serviço
    • Segundo a organização, grandes empresas de tecnologia conseguem absorver custos jurídicos e de engenharia como parte da operação, mas pequenas entidades sem fins lucrativos não conseguem se defender no mesmo nível
  • O Quad9 afirmou que, no processo judicial na França, desistiu de se representar por limitações financeiras, o que acabou levando à necessidade de aplicar o bloqueio em escala global
  • O caso começou em maio de 2024, quando o Tribunal Judicial de Paris determinou que Google, Cloudflare e Cisco bloqueassem o acesso a vários sites ilegais de streaming esportivo
    • Depois disso, outros titulares de direitos, como DAZN e beIN, apresentaram pedidos semelhantes, ampliando o alvo para mais provedores de DNS, como Quad9 e Vercel

“Quebrar o encanamento da internet”

  • O Quad9 aponta que os detentores de direitos autorais, em vez de mirar diretamente os infratores, estão transferindo a responsabilidade para ISPs, VPNs e provedores de DNS, ou seja, operadores de infraestrutura neutra
    • Esse tipo de medida afeta diretamente os provedores da infraestrutura central da internet
  • O Quad9 afirmou que não são plataformas que lucram com a infração que estão sendo atacadas, mas sim provedores de infraestrutura neutra que fazem a internet funcionar
  • Após as medidas de bloqueio na França, a Cisco decidiu sair do mercado francês, mostrando que os impactos já são concretos
  • Google e Cloudflare conseguem, do ponto de vista técnico, limitar o bloqueio apenas à França, mas o Quad9 não conseguiu implementar isso e teve de aplicar o bloqueio no mundo todo

A posição do tribunal francês e os questionamentos do Quad9

  • O tribunal francês considerou essas ordens de bloqueio legítimas, e embora alguns recursos estejam em andamento, não há sinais de reversão
  • Diante disso, o Quad9 defende que é necessário um debate mais profundo sobre os princípios básicos da internet e os limites de responsabilidade, levantando várias perguntas
    • “A infraestrutura técnica neutra deve ser responsabilizada pelos atos de terceiros?”
    • “Até que ponto tribunais nacionais podem aplicar suas leis a uma rede global?”
    • Pequenas organizações sem fins lucrativos conseguem suportar obrigações legais pensadas para empresas globais?”
    • “O que acontece com a privacidade e a resiliência quando só algumas grandes empresas conseguem cumprir essas obrigações legais?”
    • “Em que momento a conformidade legal se transforma em censura de fato?”

A ameaça reacendida após o processo na Alemanha

  • O Quad9 já havia vencido no passado um longo processo na Alemanha contra a Sony, mas afirma que, com este caso na França, a ameaça existencial voltou a se materializar
  • A organização alerta que esse tipo de processo de bloqueio enfraquece a abertura, a privacidade e a descentralização da internet e pode acabar levando a uma internet centralizada em poucas grandes empresas capazes de arcar com os custos legais

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