5 pontos por GN⁺ 2025-10-19 | 1 comentários | Compartilhar no WhatsApp
  • A GOG enfrenta dificuldades até para rastrear os titulares de direitos de PI, a ponto de fazer esse tipo de trabalho em prol da preservação de jogos clássicos
  • Não são apenas os problemas técnicos de um jogo; localizar o dono de um IP antigo é um processo muito mais complexo do que se esperava
  • Em alguns casos, chegou a contratar um detetive particular para encontrar um titular de direitos que vivia no Reino Unido
  • As dificuldades causadas pelo DRM são graves, e muitos jogos famosos só funcionam com patches de terceiros
  • A remoção de DRM por grandes desenvolvedores, se ocorrer anos após o lançamento, ajudaria muito a preservar os jogos

O desafio de preservar jogos clássicos e a missão da GOG

  • Agora, com cerca de 70 anos desde que os videogames surgiram como meio, preservar jogos antigos é mais importante do que nunca
  • O GOG.com é especializado em melhorias técnicas para fazer com que jogos clássicos rodem em hardware moderno sem quaisquer restrições extras

O desafio e a realidade da GOG

  • Marcin Paczynski, gerente de desenvolvimento de negócios da GOG, revelou que a preservação real é muito mais difícil do que parece
  • Além de fazer o jogo rodar, é fundamental atender a exigências atuais, como suporte a controles modernos, ultrawide e alta resolução, e recursos de minimização do jogo

A dificuldade de encontrar titulares de direitos de IP

  • Também é um grande problema identificar o proprietário dos direitos de PI de jogos antigos
  • Houve um caso em que foi necessário contratar um detetive particular para localizar um titular de direitos que vivia de forma off-the-grid no Reino Unido
  • Esse indivíduo concordou em permitir a preservação do legado da família, o que tornou possível o projeto da GOG

O caso da Nightdive Studios

  • A Nightdive, estúdio especializado em remasters de jogos clássicos, teve um caso em que seu fundador, sem conseguir jogar System Shock, buscou os direitos em uma seguradora e, após adquiri-los, iniciou o trabalho de remake

O dilema do DRM (gestão de direitos digitais)

  • Driblar o DRM é extremamente complexo, e por isso até jogos famosos ficam inoperantes sem patch de terceiros
  • Um exemplo é os jogos antigos de Xbox para PC que exigem o Games for Windows Live
  • Paczynski diz que espera que os principais desenvolvedores removam o DRM após alguns anos, o que facilitaria muito a preservação
  • Porém, na prática, a viabilidade é baixa porque muitos executivos têm pouco interesse em preservar jogos

Exemplo de jogo clássico emblemático

  • Heroes of Might and Magic III: The Restoration of Erathia foi lançado em 3 de março de 1999
  • O desenvolvedor é a New World Computing e a editora é The 3DO Company

1 comentários

 
GN⁺ 2025-10-19
Opiniões do Hacker News
  • Apesar de eu realmente gostar da GOG, é uma pena enorme que o cliente GOG Galaxy não funcione no Linux. Gamers que se importam com preservação e acessibilidade acabam gastando dinheiro com a Valve porque a Steam é praticamente livre de DRM e tem excelente suporte a Linux. Acho que, para jogadores de PC que valorizam acesso a jogos sem DRM, a GOG poderia conquistar um mercado maior se oferecesse um launcher para Linux. A Valve está tomando participação da GOG nessa área, mas parece totalmente possível virar esse jogo. Mesmo que o mercado ainda seja pequeno, ele está crescendo e combina muito bem com a missão da GOG. Se a GOG criasse um launcher com suporte para gerenciar e baixar jogos no Linux, eu recompraria na GOG, sem DRM, jogos que comprei na Steam. Do jeito que está hoje, distribuir apenas instaladores para Windows não combina com a ideia de ser DRM-free. No fim das contas, se o software não roda em um sistema operacional livre de DRM, então a proposta só foi cumprida pela metade. Além disso, como os jogos da GOG são empacotados só para Windows, eles também ficam mais vulneráveis à pirataria. Seria bom resolver isso mirando um público mais alinhado ideologicamente com essa proposta, ou seja, usuários de Linux.
    • Como usuário de Linux, compro muitos jogos na GOG e consegui rodar a maioria sem problemas apenas com o Wine stable. Só alguns jogos ainda não funcionam nem com Proton, ao que parece. Os jogos da GOG quase não têm versões nativas para Linux, e mesmo as que existem costumam ter problemas de compatibilidade. Já passei por casos em que pacotes de dependência não eram mais suportados. Também vi jogos distribuídos simplesmente como um EXE win32 embrulhado com uma versão antiga do Wine. Por outro lado, a verdadeira vantagem do DRM-free é justamente poder jogar sem launcher nem recursos online, então considero os instaladores offline o maior diferencial da GOG. Esse modelo é a forma real de preservar jogos.
    • Você disse que a Valve está tirando participação da GOG, mas acho que os conceitos das duas empresas são muito diferentes. A Valve te dá uma licença de uso do jogo, enquanto a GOG de fato te vende o jogo. Jogos da GOG podem ser baixados, instalados e jogados para sempre, sem DRM. Pessoalmente, baixo todos os meus jogos para Linux com o lgogdownloader.
    • Não entendo muito de análise de mercado, mas para mim a GOG faz muito mais sentido do que a Valve. Como usuário que só usa Linux e não usa Windows, vou continuar investindo na GOG. Nem sei direito qual é o papel do cliente GOG Galaxy, e não sinto falta nenhuma dele, então a GOG é quase perfeita para mim.
    • Concordo que um port do cliente da GOG para Linux é realmente necessário. Mas, como quebra-galho, dá para usar o Lutris para entrar na conta da GOG e baixar e instalar jogos, inclusive os de Windows. Não chega ao nível da Steam, mas com alguns ajustes no Wine os jogos mais populares rodam bem o suficiente.
    • A falta de controle de qualidade nas versões Linux dos jogos foi o principal motivo para eu parar de comprar na GOG. Também usei jogos com aquele port para Linux peculiar da GOG que “embrulha o jogo em um shell script”, e nesses casos muitas vezes era melhor simplesmente rodar o executável exclusivo de Windows via Wine/Proton. Pelo que sei, esse método usa mojosetup.
  • Ao ler sobre Paczynski contratar um detetive particular para encontrar herdeiros de direitos autorais que realmente moravam no Reino Unido, lembrei do meu avô. Ele trabalhava rastreando direitos minerais para uma empresa de petróleo e tinha várias histórias sobre encontrar pessoas e localizar antigos donos de direitos. Por exemplo, havia gente que ainda estava viva aos 103 anos em casas de repouso, além de casos em que era preciso rastrear terras ou direitos através de aquisições e fusões de bancos que faliram na época da Grande Depressão, e muitos casos de litígios que atravessavam gerações por causa de heranças ou testamentos inexistentes.
    • Eu também trabalho em uma corretora de petróleo e gás, e esses dramas familiares citados acima realmente acontecem com frequência. A última frase, em especial, é muito realista.
    • Já tive que rastrear titularidade de terras até concessões espanholas de 400 anos atrás.
    • Fiquei curioso sobre essa parte de convencer bancos a reconhecer direitos minerais. Foi um caso em que o banco retomou a terra, mas manteve os direitos minerais separados, e depois o próprio banco faliu? O atual proprietário sabe que não tem esses direitos? Se for descoberto que outra pessoa é a verdadeira dona da terra, mas ela negar isso, então alguém poderia simplesmente usar a terra como quisesse e, no fim, isso acabaria virando propriedade dessa pessoa?
  • Acho que o sistema de renovação de copyright precisa voltar. Se fosse preciso pedir renovação ao governo a cada 20 anos, boa parte do problema de abandonware desapareceria.
    • Originalmente, o copyright era no formato 20+20 anos, e grande parte do problema vem das extensões intermináveis de copyright e da falta de exceções permitidas para conversão de formato. Se essas duas coisas fossem corrigidas, a situação já melhoraria muito.
  • Acho que copyright deveria exigir registro e renovação obrigatórios. Antigamente era assim, e se a taxa de renovação não fosse paga, ele expirava automaticamente. Direitos minerais têm um problema parecido: os estados americanos registram bem a propriedade de terra, mas o registro de direitos minerais costuma ser falho, então não faltam disputas judiciais sobre direitos perdidos.
  • Já trabalhei um tempo com retrocompatibilidade do Microsoft Xbox, e os PMs gastavam bastante tempo e esforço rastreando os donos dos direitos e conseguindo autorizações para fazer jogos de Xbox OG e Xbox 360 rodarem em consoles mais novos. Às vezes, o IP tinha sido vendido tantas vezes que nem o próprio dono sabia que era dono. As questões de autorização legal eram sempre a parte mais difícil, e em alguns jogos a trilha sonora chegou a ser removida ou substituída por causa de licenças musicais.
    • Fico curioso sobre por que seria necessário pedir autorização para executar esses jogos em consoles mais novos. Queria saber se houve alguma mudança no código do jogo ou no código do console.
  • Compartilho aqui o link da matéria real em vez da página que a resumiu: https://www.thegamebusiness.com/p/when-we-launched-resident-evil-on
  • Tenho uma empatia especial pela série No One Lives Forever (NOLF), uma obra-prima do gênero FPS de paródia de espionagem, que está há 25 anos sem poder ser redistribuída por causa da incerteza sobre os direitos. https://www.thegamer.com/no-one-lives-forever-the-operative-legal-issues-explained/
    • Por causa disso, alguém chegou a distribuir o jogo gratuitamente por conta própria (http://nolfrevival.tk/), com a lógica de “se houver um detentor dos direitos, que reclame; caso contrário, deixa assim”. Dito isso, nesses casos dá a impressão de que qualquer um poderia criar um jogo novo parecido, parodiando James Bond dos anos 60, sem grandes problemas. Basta mudar a aparência e manter a essência semelhante? Essa dúvida acaba surgindo.
  • Esse tema também apareceu no documentário da GOG no YouTube feito pela NOCLIP. Na época, já era dito que a maior dificuldade no processo de restaurar jogos era justamente rastrear os detentores dos direitos depois de várias fusões e aquisições. https://www.youtube.com/watch?v=ffngZOB1U2A
  • Uma particularidade curiosa do sistema é que, no setor privado, detetives são praticamente a única forma de conseguir certas informações sobre pessoas físicas ou jurídicas.
  • O comentário mais votado que vi recentemente em um anúncio da GOG no YouTube, do qual eu também gostei, era “cadê o suporte a Linux?”. Eu também uso a GOG há muito tempo e a apoio bastante, mas realmente sinto falta desse suporte.
    • Eu uso GNU/Linux e consegui entrar no site normalmente e baixar todos os jogos da minha biblioteca sem problema nenhum. Fiquei curioso sobre o que exatamente não está funcionando.