- Pesquisadores da Faculdade de Medicina de Stanford desenvolveram uma nova estratégia para eliminar células cancerosas usando a apoptose, o processo natural de morte celular
- A abordagem funciona ao unir artificialmente duas proteínas para ativar genes relacionados à apoptose e, por fim, induzir as células tumorais a eliminarem a si mesmas
- Tratamentos anticâncer convencionais, como quimioterapia e radioterapia, causam muitos danos não apenas às células cancerosas, mas também às células normais
- Já a apoptose pode remover, de forma altamente específica, 60 bilhões de células, o que indica a necessidade de uma nova estratégia anticâncer baseada nesse mecanismo
- A equipe desenvolveu uma substância que liga molecularmente a proteína BCL6, envolvida no surgimento do linfoma, à proteína CDK9, uma enzima ativadora de genes
- Normalmente, a BCL6 reprime genes relacionados à apoptose, mas, quando se liga à CDK9, esses genes são ativados e induzem a morte das células cancerosas
- Em outras palavras, a função da BCL6, essencial para a sobrevivência das células cancerosas, é revertida para, em vez disso, matar essas mesmas células
- Em laboratório, a substância desenvolvida pelos pesquisadores matou de forma potente células de linfoma difuso de grandes células B
- Em camundongos normais, apenas algumas células B dependentes de BCL6 foram eliminadas de forma específica, e não foi observada toxicidade grave
- No momento, a equipe também está verificando o efeito anticâncer em camundongos com linfoma
- Como a BCL6 existe apenas em células de linfoma e em certos tipos de células B, espera-se uma ação altamente específica
- Como a BCL6 atua sobre 13 genes relacionados à apoptose, isso pode evitar o surgimento de resistência ao induzir múltiplos sinais de morte celular
- Os pesquisadores fundaram uma startup de biotecnologia e estão preparando estudos pré-clínicos e ensaios clínicos para a substância, com planos de também mirar outras proteínas causadoras de câncer, como Ras
1 comentários
Comentários do Hacker News
Esta pesquisa é original e interessante. No passado, o câncer era tratado com terapias tóxicas para todas as células. Nas últimas décadas, surgiram terapias oncológicas direcionadas que inibem a atividade de proteínas específicas.
Espero que a área de diagnóstico também avance. Recentemente, uma mulher de 40 anos morreu apenas 4 semanas após receber o diagnóstico de câncer de mama. Pessoas com menos de 30 anos talvez nunca tenham vivenciado um diagnóstico de câncer entre amigos ou familiares.
Houve avanços para muitas doenças incuráveis e crônicas, mas os tratamentos reais não melhoraram tanto assim. O jornalismo científico pode ter transmitido uma mensagem não intencional.
A indução da cetogênese é usada como forma de promover a apoptose celular. O jejum tem se mostrado um método eficaz.
Espero que esse método ajude pacientes com sarcoma. Minha parceira recebeu diagnóstico de sarcoma em estágio 4.
O New York Times abordou esse tema em 26 de julho de 2023.
O próximo desafio é entregar a proteína.
Gosto de manchetes assim. Fico me perguntando se isso é realmente novo.
Fico curioso para saber quando esse método poderá ser usado no tratamento do câncer de próstata.