1 pontos por GN⁺ 2026-03-12 | Ainda não há comentários. | Compartilhar no WhatsApp
  • Pesquisadores da Stanford Medicine desenvolveram, em testes com camundongos, uma nova vacina eficaz contra vírus, bactérias e alérgenos
  • A vacina é administrada por via nasal e mantém ampla proteção imunológica nos pulmões por vários meses
  • Ao contrário das vacinas convencionais, que imitam antígenos específicos de patógenos, ela imita sinais entre células imunes para integrar imunidade inata e adaptativa
  • Nos experimentos, foi confirmada proteção contra SARS-CoV-2, Staphylococcus aureus, Acinetobacter baumannii e proteínas de ácaros da poeira doméstica
  • Os pesquisadores esperam que, no futuro, testes clínicos em humanos permitam a comercialização em 5 a 7 anos, o que pode simplificar vacinas sazonais e a resposta a pandemias

Avanço no desenvolvimento de uma vacina universal

  • Pesquisadores da Stanford Medicine desenvolveram, em testes com camundongos, uma vacina que atua contra vírus respiratórios, bactérias e alérgenos
    • A vacina é administrada em forma de spray nasal e mantém proteção imunológica nos pulmões por vários meses
    • Os experimentos demonstraram efeito protetor contra SARS-CoV-2 e outros coronavírus, Staphylococcus aureus, Acinetobacter baumannii e proteínas de ácaros da poeira doméstica
  • O estudo foi publicado na edição de 19 de fevereiro da Science, com o professor Bali Pulendran como autor sênior e o Dr. Haibo Zhang como primeiro autor

Limites das vacinas atuais e a nova abordagem

  • As vacinas tradicionais se baseiam no princípio da especificidade antigênica (antigen specificity), imitando componentes específicos do patógeno
    • Quando o patógeno sofre mutação, a eficácia diminui, exigindo novos boosters de COVID-19 ou vacinas contra a gripe todos os anos
  • A nova vacina não imita partes do patógeno; em vez disso, reproduz os sinais entre células imunes durante a infecção
    • Ela integra a imunidade inata e a adaptativa para induzir uma resposta imune duradoura e ampla
    • É uma abordagem que vai além da distinção tradicional segundo a qual a imunidade inata é rápida, mas de curto prazo, e a adaptativa é lenta, porém duradoura

Persistência da imunidade inata e mecanismo

  • Em um estudo de 2023, a equipe de Pulendran esclareceu o fenômeno pelo qual a vacina contra tuberculose (BCG) mantém a imunidade inata por vários meses
    • Foi confirmado que as células T ativam continuamente as células da imunidade inata por meio de sinais de citocinas
    • Com base nesse mecanismo, foi sugerida a possibilidade de projetar uma vacina sintética (em forma de spray nasal)
  • O estudo atual colocou essa hipótese em prática e demonstrou efeito protetor de longo prazo com uma vacina que imita sinais de células T

Como funciona a vacina GLA-3M-052-LS+OVA

  • A vacina inclui componentes que imitam sinais de células T e OVA (ovalbumina)
    • A OVA direciona as células T para os pulmões, mantendo a resposta imune inata por semanas a meses
  • Em testes com camundongos, três doses protegeram contra infecção por SARS-CoV-2 por mais de 3 meses
    • Camundongos não vacinados apresentaram forte perda de peso, inflamação pulmonar e morte, enquanto os vacinados sobreviveram e mostraram redução da carga viral
    • A vacina reduziu a quantidade de vírus nos pulmões em 700 vezes e induziu resposta imune adaptativa em até 3 dias

Efeito protetor contra bactérias e alergias

  • A vacina também apresentou proteção por 3 meses contra infecções por Staphylococcus aureus e Acinetobacter baumannii
  • Em experimentos de exposição a proteínas de ácaros da poeira doméstica, camundongos não vacinados mostraram forte resposta imune Th2 e acúmulo de muco
    • Já os camundongos vacinados tiveram a resposta Th2 suprimida e as vias aéreas permaneceram limpas
  • Os pesquisadores avaliam isso como uma “vacina universal contra diversas ameaças respiratórias”

Perspectivas futuras e plano clínico

  • Os pesquisadores planejam testes em humanos, começando por um ensaio de segurança de fase 1
    • Em caso de sucesso, pretendem ampliar para estudos clínicos de grande escala, incluindo testes de exposição à infecção
    • Pulendran mencionou a possibilidade de proteção em humanos com duas doses de spray nasal
  • Se houver financiamento suficiente, foi indicada a possibilidade de comercialização em 5 a 7 anos
    • A expectativa é de uma vacina capaz de prevenir de uma vez COVID-19, influenza, RSV, pneumonia bacteriana e alergias, entre outras doenças respiratórias
  • Participaram do estudo a Emory University, UNC Chapel Hill, Utah State University e University of Arizona
    • O trabalho recebeu apoio do NIH, Violetta L. Horton Fund, Soffer Fund e Open Philanthropy

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