3 pontos por GN⁺ 2024-06-10 | 1 comentários | Compartilhar no WhatsApp
  • Recentemente, muitos acadêmicos que apoiavam "mulheres nas áreas de STEM" ficaram irritados com Katalin Karikó, co-inventora da tecnologia de mRNA e vencedora do Nobel de 2023
  • Em seu livro, Karikó menciona que o meio acadêmico está excessivamente preso a agradar pessoas e a jogos políticos
  • Por isso, muitas pessoas passaram a criticá-la

"Aprendi que, para ter sucesso em instituições de pesquisa como a Universidade da Pensilvânia, eram necessárias habilidades sem relação com a ciência. Era preciso vender a si mesmo e à própria pesquisa, atrair financiamento, agradar as pessoas e subir a escada política para receber mentoria. Eu não tinha interesse nessas habilidades."

  • Karikó era chamada de "nerd estranha" no meio acadêmico e tentava não entrar em jogos políticos
  • Muitos "nerds estranhos" estão encontrando refúgio na internet
  • Eles são adequados para atividades criativas e intelectuais, mas não se encaixam bem em empregos comuns

Gênios são raros

  • Karikó se mudou da Hungria para os Estados Unidos e se dedicou à pesquisa de vacinas de mRNA, mas não obteve grandes resultados nem status por muito tempo
  • Ela tinha coragem intelectual, uma qualidade extremamente importante na ciência
  • Gênios são muito raros e brilham apenas em áreas específicas

A parte ruim também faz parte da característica

  • Para ter coragem intelectual, é preciso ter um lado um pouco "louco"
  • Karikó não jogava jogos políticos, e isso lhe permitia focar na pesquisa
  • Gastar tempo com jogos políticos reduz o tempo disponível para a ciência
  • Em instituições acadêmicas, selecionar pessoas com base em traços como extroversão ou agradabilidade pode ser prejudicial

Tendências sociais

  • A carreira científica começa com muitas tarefas menores e vai ganhando independência aos poucos
  • A fase de pós-doc (Postdoc) traz independência como cientista, mas é muito instável
  • Ao se tornar PI (Principal Investigator), habilidades políticas passam a ser mais importantes
  • Karikó bateu num muro nessa etapa, por causa de seu tema de pesquisa e de sua personalidade
  • Nas áreas de STEM, como a barreira de entrada é alta, os jogos políticos importam menos, mas em humanidades ou ciências sociais isso pode ser um problema maior

A opinião do GN⁺

  • Coragem intelectual: o caso de Karikó mostra a importância da coragem intelectual. Ela é essencial para descobertas científicas.
  • Jogos políticos: no meio acadêmico, jogos políticos podem prejudicar a qualidade da pesquisa. É necessário um ambiente em que os pesquisadores possam se concentrar na pesquisa.
  • Diversidade: é importante garantir que talentos diversos, como os "nerds estranhos", não sejam excluídos do meio acadêmico.
  • Confiança social: a confiança no meio acadêmico está caindo. Isso pode ser resultado da incapacidade da academia de acolher talentos diversos.
  • Caminhos alternativos: caminhos alternativos, como a internet, podem ser um refúgio importante para os "nerds estranhos".

1 comentários

 
GN⁺ 2024-06-10
Opinião no Hacker News
  • Exigência de versatilidade: a sociedade moderna exige indivíduos excelentes em todos os aspectos. No passado, o “esquisitão” aceitava ser visto como alguém profundamente imerso em uma área específica, em troca de ser fraco em outras.
  • Esquisitões e autismo: equiparar esquisitões ao autismo é um equívoco. Existem vários tipos de esquisitões, e a maioria não tem relação com autismo.
  • Paixão por uma área específica: talento nasce de um interesse profundo por um campo específico. É importante focar no que se gosta, em vez de depender de motivação externa.
  • Esquisitões dentro das organizações: até organizações que apoiam esquisitões acabam favorecendo mais pessoas politicamente habilidosas. Esquisitões frequentemente acham que estão certos em tudo, o que facilita conflitos.
  • Conselho para esquisitões: esquisitões com pouca inteligência emocional devem encarar interações como um projeto de engenharia de longo prazo e abordá-las de forma estratégica. É preciso manter gentileza e humildade, além de buscar muito feedback.
  • Quem trabalha com esquisitões: quem trabalha com esquisitões deve aproveitar ao máximo o que eles têm de útil, deixar sentimentos pessoais de lado e apoiar seu trabalho.
  • Distribuição de status social: o status social é distribuído por estruturas centralizadas. Nas redes sociais, a reputação online passa a importar mais do que a capacidade real.
  • Chefe esquisitão: trabalhar sob um chefe esquisitão pode ser uma experiência muito difícil. A carreira dessas pessoas frequentemente estagna por causa de conflitos com quem está ao redor.
  • Mudanças na academia: no passado, esquisitões e gênios eram protegidos na academia, mas agora vivemos uma era em que autopromoção é importante.
  • Problemas da academia: a academia está se tornando cada vez mais burocrática e corporativa. O foco está mais em acumular status e dinheiro do que em produzir conhecimento de verdade.
  • Colaboração na ciência: a ciência é um esforço coletivo. Ideias se espalham através do tempo e do espaço, e no fim alguém as sintetiza.
  • Importância da autopromoção: teria sido bom saber da importância da autopromoção na pós-graduação. Pesquisa também é uma forma de venda, e é preciso divulgar as próprias capacidades.
  • Relação entre esquisitões e autismo: associar esquisitões ao autismo é inadequado. Ver todo esquisitão como autista é uma generalização equivocada.
  • Dificuldades dos esquisitões: esquisitões inevitavelmente acabam nas margens de uma sociedade humana que é social por natureza. Encontrar um patrocinador confiável é importante, mas eles muitas vezes não sabem avaliar isso bem.