A obrigatoriedade do 'kill switch' em veículos é uma invasão de privacidade
- Em novembro de 2021, foi publicado um artigo de opinião afirmando que o projeto de infraestrutura bipartidário de US$ 1 trilhão do presidente Joe Biden incluía uma cláusula perigosa chamada de "kill switch" para veículos.
- Embora a finalidade da cláusula seja evitar a direção sob efeito de álcool, ela exige que todos os veículos novos venham equipados de fábrica com um sistema computacional capaz de monitorar o desempenho do motorista e interromper o funcionamento do veículo caso detecte incapacidade.
- Em resposta a essas alegações, vários checadores de fatos concluíram que a obrigatoriedade do "kill switch" não era real, mas uma análise do próprio texto da lei mostrou com clareza que a tecnologia em questão de fato é exigida.
Não há menção a 'kill switch'
- Os checadores de fatos refutaram essa alegação com base no fato de que o termo "kill switch" não aparece explicitamente no projeto.
- No entanto, o texto da lei especifica um sistema computacional capaz de monitorar o motorista e interromper a operação do veículo quando detectar incapacidade, o que na prática não é diferente de tornar obrigatória uma função de "kill switch".
Privacidade e Constituição
- A Quarta Emenda da Constituição dos Estados Unidos protege a privacidade das pessoas contra buscas e apreensões irrazoáveis, mas esse projeto pode não estar em conformidade com esse padrão constitucional ao exigir um sistema capaz de monitorar motoristas e desativar veículos.
- A instalação dessa tecnologia seria, em princípio, rejeitada por muitos americanos e acrescentaria um peso considerável ao custo de compra de veículos novos.
O verdadeiro objetivo do Estado de vigilância
- No passado, a vigilância era vista como uma invasão de privacidade, mas hoje muitas pessoas adotam a atitude de que "não tenho nada a esconder".
- Segundo o livro de Harvey A. Silverglate, "Three Felonies a Day", o americano médio viola inconscientemente várias leis todos os dias.
- Os Estados Unidos estão gradualmente se tornando um país controlado por incontáveis leis, e a maioria das pessoas não percebe os riscos de um Estado de vigilância.
Opinião do GN⁺
- O ponto mais importante deste artigo é a existência de um projeto de lei no qual o governo dos Estados Unidos tenta tornar obrigatória a tecnologia de "kill switch" em veículos novos e a possibilidade de violação de privacidade decorrente disso.
- Essa informação é importante para todos os cidadãos, incluindo engenheiros de software, porque pode afetar diretamente a liberdade individual e a proteção da privacidade.
- O motivo pelo qual as pessoas se interessam por este artigo é a preocupação com a possibilidade de seus veículos serem controlados remotamente pelo governo e com o impacto que esse tipo de tecnologia pode ter em seu cotidiano.
1 comentários
Comentários do Hacker News
Focar em privacidade é uma abordagem fraca neste caso. Como os problemas de privacidade podem ser resolvidos, gastar tempo discutindo isso é, no fim, perda de tempo.
Pergunta-se como isso viola a privacidade, assumindo que os dados sejam analisados dentro do próprio veículo.
Se dispositivos como o Neuralink se tornarem universais, vão exigir um 'kill switch' no cérebro das pessoas.
As decisões de priorizar a posse de veículos particulares como modo padrão de transporte estão limitando nossa liberdade de locomoção.
Interpreta-se que 'kill switch' signifique parar o veículo quando ele detectar que está sendo conduzido como por um motorista bêbado.
A alegação de que sites de checagem de fatos estão fazendo gaslighting é, por si só, gaslighting.
Um 'kill switch' pode se tornar um excelente alvo para ativistas ambientais ou terroristas que queiram paralisar cidades.
Em veículos modelo 2013 já existem sensores que disparam com frequência excessiva, então é surpreendente a confiança de pessoas que não são de TI de que a automação "inteligente" sempre fará a coisa certa.
Recomenda-se ler 'The Power Broker' para ajudar a entender como elementos invisíveis incluídos em leis podem se combinar e produzir resultados muito diferentes da percepção do público.
Uma solução poderia ser incluir no projeto uma cláusula segundo a qual, se alguma lei futura tentar tornar obrigatório o acesso remoto, ambas as leis seriam imediatamente invalidadas.