- A Danuri, levada pelo Falcon 9 lançado pela SpaceX em 4/8, deve levar "4 meses e meio" para entrar em órbita lunar
- Já a Apollo 11, lançada em 1969, pousou na Lua em apenas "4 dias e 6 horas"
- Isso porque a Apollo 11 usava o motor F-1, o maior e mais potente motor da história dos foguetes
- Esse motor, fabricado pela Rocketdyne nos EUA, tornou-se uma tecnologia perdida (Lost Technology) com o fim do programa Apollo
- Não é que os projetos tenham desaparecido, mas o problema foi a agenda apertadíssima do programa Apollo, em que cada segundo contava, além de um sistema de backup analógico e offline, muito diferente de subir tudo imediatamente para a nuvem como hoje, e o fato de que era impossível registrar uma por uma as incontáveis tentativas e erros
- Em 1980, a Rocketdyne restaurou documentos técnicos de cerca de 20 anos antes e publicou a documentação relacionada ao motor F-1 em 20 volumes, mas
- as alterações técnicas, que mudavam várias vezes por dia, não foram registradas em detalhe,
- o trial-and-error dos engenheiros não foi transmitido oralmente,
- e as especificações de peças feitas manualmente na hora, em tornos e fresadoras, em vez de componentes produzidos em fábrica, não foram preservadas
- Sabe-se que um único motor F-1 contém cerca de 5 mil a 6 mil peças; estima-se que aproximadamente 5% a 10% delas ainda não tenham sido totalmente identificadas, e mesmo entre as já identificadas, algumas são consideradas difíceis de reproduzir
- Se existisse algum motor F-1 bem preservado, talvez fosse possível fazer engenharia reversa, mas não há nenhum na Terra
- Uma equipe privada de exploração reunida por Jeff Bezos, da Amazon, recuperou destroços do foguete Saturno usados no programa Apollo
- em 2013, conseguiu encontrar no fundo do Atlântico profundo os destroços do primeiro estágio do foguete Saturno da Apollo 11, que estavam submersos havia quase meio século
- Reunindo peças relacionadas ao F-1 espalhadas por depósitos de empresas, reservas técnicas de museus e instalações militares em todo os EUA, e recuperando essa tecnologia perdida por diversos métodos
- na década de 2010, surgiram maneiras de voltar a usar o motor F-1 como tecnologia ativa de foguetes
12 comentários
Tem um Saturn V em Houston que ficou guardado porque não foi lançado...
Pelo post no Facebook, entendo o que o texto original quer dizer, mas parece que há várias partes em que os fatos ficam meio imprecisos.
lost technology. É claro que muito do material usado no desenvolvimento do motor F-1 provavelmente se perdeu, mas ainda existem F-1 em bom estado, então engenharia reversa também é possível, e com modelagem usando computadores modernos dá para fazer foguetes com empuxo muito maior.Nos comentários originais, havia um conteúdo em que o Sr. Seo Sang-hyeon apontava os fatos, então estou reproduzindo aqui.
Mas a parte "Infelizmente, e de forma bastante intrigante, não existe na Terra um motor F-1 perfeitamente preservado" difere dos fatos que conheço. Segundo a matéria da WIRED da época em que a tecnologia do motor F-1 foi recuperada, havia um motor em
excellent conditionarmazenado, e a recuperação tecnológica foi realizada principalmente por meio desse motor. O resgate de motores F-1 do Atlântico por Bezos teve um motivo mais histórico do que técnico.https://www.wired.co.uk/article/f-1-moon-rocket
Pesquisando, vi que também existe uma tradução de um artigo de 2013 da Ars Technica sobre a recriação do motor F-1.
Como a NASA ressuscitou o monstruoso motor F-1
Lendo, tive a impressão de que a história segue de forma parecida com o conteúdo do romance Foundation.
Ouvi dizer que o Danuri levou 4 meses porque escolheu uma trajetória que usa o mínimo possível de combustível (embora seja mais difícil).
Uau... é curioso ver uma tecnologia perdida surgir em um período relativamente recente.
É uma história meio fora do tema do texto, mas certa vez procurei materiais relacionados por causa do meu apego aos jogos de feature phone. Só que os feature phones coreanos usavam um padrão próprio de criptografia, diferente do exterior, e como a era dos feature phones já acabou, quase não há material relacionado. Acabei pensando que, com mais tempo passando e as pessoas que trabalharam nessa área vindo a falecer, isso acabaria virando uma tecnologia completamente perdida.
Caramba. Um dos pilares da história haha
É a plataforma WIPI? haha
Parece algo semelhante ao motivo pelo qual as tecnologias antigas são vistas como um mistério.
É um texto do professor Kwon Seok-jun, da Universidade Sungkyunkwan.
Como é uma publicação muito longa no Facebook, trouxe apenas uma parte. Recomendo ler o original completo.
O professor Kwon é do departamento de engenharia química. Fico um pouco em dúvida sobre o quanto ele é especialista na área de motores de foguete.
Obrigado pelo bom texto.