1 pontos por GN⁺ 2024-04-23 | 1 comentários | Compartilhar no WhatsApp
  • A nave espacial Voyager 1, da NASA, voltou a enviar dados sobre seu estado pela primeira vez em cinco meses. O próximo passo é fazer com que a nave volte a enviar dados científicos. A Voyager 1 e sua nave gêmea, a Voyager 2, são as únicas espaçonaves a terem voado pelo espaço interestelar (o espaço entre as estrelas).

  • A Voyager 1 deixou de enviar à Terra dados científicos e de engenharia legíveis em 14 de novembro de 2023, mas os controladores da missão sabiam que a nave ainda estava recebendo comandos e operando normalmente. Em março, a equipe de engenharia da Voyager no JPL confirmou que o problema estava relacionado ao FDS (Flight Data Subsystem), um dos três computadores de bordo da nave. O FDS é responsável por empacotar os dados científicos e de engenharia antes de enviá-los à Terra.

Processo de correção do problema de memória do FDS

  • A equipe descobriu que um único chip, que armazena parte da memória do FDS e parte do código de software do computador FDS, não estava funcionando. A perda desse código tornou os dados científicos e de engenharia inutilizáveis.

  • Como o chip não podia ser reparado, a equipe decidiu colocar o código afetado em outro local da memória do FDS. No entanto, não havia um único local grande o suficiente para armazenar todo o código afetado.

  • Por isso, foi criado um plano para dividir o código afetado em seções e armazená-las em diferentes locais do FDS. Para que esse plano funcionasse, foi necessário ajustar as seções do código para que continuassem funcionando como um todo.

  • Também foi necessário atualizar as referências à localização desse código em outras partes da memória do FDS.

  • A equipe começou isolando o código que empacota os dados de engenharia da nave e o enviou para um novo local na memória do FDS em 18 de abril.

  • Leva cerca de 22,5 horas para chegar até a Voyager 1 e mais 22,5 horas para o sinal retornar à Terra.

  • Quando receberam resposta da nave em 20 de abril, confirmaram que a correção havia funcionado bem. Foi a primeira vez em cinco meses que puderam verificar o estado da espaçonave.

  • Nas próximas semanas, a equipe vai realocar e ajustar outras partes afetadas do software do FDS. Isso inclui a parte que permitirá voltar a receber dados científicos.

  • A Voyager 2 continua operando normalmente. Lançadas há 46 anos, as naves gêmeas Voyager são as espaçonaves em operação há mais tempo e que chegaram mais longe na história. Antes de iniciarem a exploração interestelar, ambas passaram por Saturno e Júpiter, e a Voyager 2 passou também por Urano e Netuno.

Opinião do GN⁺

  • É impressionante que, mesmo 46 anos após o lançamento da Voyager 1, ela ainda esteja se comunicando com a Terra e cumprindo sua missão. Este é um ótimo exemplo da capacidade tecnológica da NASA em exploração espacial e do sucesso do programa Voyager.
  • Mas, por se tratar de um sistema construído com tecnologia de 46 anos atrás, parece inevitável que surjam falhas de hardware. É provável que problemas desse tipo continuem aparecendo no futuro. Seria bom que a NASA mantivesse planos de contingência para isso.
  • A Voyager 1 está explorando o espaço interestelar além do Sistema Solar. Espera-se que os dados enviados pela Voyager 1 possam revelar segredos do universo que ainda desconhecemos. Em especial, é possível que surjam novas descobertas sobre a composição da matéria interestelar e sobre raios cósmicos (Cosmic Ray).
  • Com o sucesso do programa Voyager, a NASA está planejando missões de exploração rumo a regiões ainda mais distantes do espaço. O projeto Interstellar Probe, voltado à exploração do espaço interestelar fora do Sistema Solar, está em andamento, e a experiência da Voyager será de grande ajuda para esse projeto.

1 comentários

 
GN⁺ 2024-04-23
Comentários do Hacker News
  • A Voyager inspirou várias gerações de engenheiros. Ao projetar um robô cirúrgico, inspiraram-se na Voyager e gravaram a assinatura de todos em uma placa folheada a ouro, entregue como presente de Natal.
  • A jornada da Voyager é muito bonita. No futuro, quando a humanidade se tornar uma espécie interestelar, seria bom ter uma ferramenta para rastrear a posição da Voyager e comparar até onde a humanidade se estabeleceu.
  • É um feito impressionante manter a sonda funcionando ano após ano, aproveitando ao máximo seus recursos. Espero que os pontos que a equipe desejava no projeto eletrônico sejam refletidos em novos projetos.
  • Os rostos na foto também podem ser vistos no documentário "It's Quieter".
  • Parece que a Voyager pode seguir até 2027.
  • Foi um grande feito de engenharia tanto no lançamento quanto agora. Fico curioso se hoje existe um objetivo ativo para usar a Voyager, ou se é simplesmente para "buscar maravilhas".
  • Um sinal de rádio leva 22,5 horas para chegar da Terra à Voyager 1, que está a mais de 15 bilhões de milhas, e mais 22,5 horas para voltar à Terra. Isso faz qualquer um se sentir frustrado por ter que dar push no código para o repositório só para testar no CI.
  • A Voyager carrega as esperanças, aspirações e fantasias dos românticos do espaço.
  • Há outras empresas que também fazem patches em tempo real, como nas centrais telefônicas da Ericsson. É possível alterar o código em execução "ao vivo" para corrigir ou melhorar o software, com zero downtime.
  • Isso faz projetos de migração passarem vergonha.
  • Um único chip que armazena parte da memória do FDS parou de funcionar, tornando inutilizáveis os dados científicos e de engenharia. Como não era possível consertar o chip, decidiram colocar o código afetado em outra parte da memória do FDS. Em sistemas modernos, esse tipo de gambiarra seria impossível, já que o acesso direto à memória é proibido.
  • Um hardware de 45 anos ainda está recebendo atualizações de software. Será que a Apple pode ir até o JPL, que fica logo ali perto, para aprender como se faz?