2 pontos por GN⁺ 25 일 전 | 1 comentários | Compartilhar no WhatsApp
  • Sarah Wynn-Williams, ex-executiva da Meta e autora de Careless People, recebeu uma ordem judicial que a proíbe de fazer declarações negativas sobre a Meta logo após o lançamento do livro
  • A ordem se baseia na cláusula de não difamação do acordo de desligamento, e em caso de violação prevê multa de US$ 50 mil por declaração, incluindo conversas dentro de casa
  • O livro expõe suspeitas internas no Facebook de assédio sexual, censura, manipulação de adolescentes e facilitação de genocídio, e a resposta da Meta fez as vendas dispararem
  • Wynn-Williams foi forçada ao silêncio em meio à pressão financeira causada por uma denúncia de interesse público, mas a editora avaliou que “a resposta da Meta comprovou as alegações do livro”
  • O caso destaca o conflito entre liberdade de expressão e poder corporativo, além da questão da responsabilidade social das empresas de redes sociais

Medida legal da Meta e o silenciamento de Sarah Wynn-Williams

  • Sarah Wynn-Williams, ex-diretora global de políticas públicas da Meta, recebeu uma ordem que proíbe declarações negativas sobre a Meta logo após o lançamento de seu livro Careless People, por decisão emergencial de um árbitro nos Estados Unidos
    • O porta-voz da Meta, Andy Stone, afirmou no Twitter que “esta decisão confirma que este livro falso e difamatório nunca deveria ter sido publicado”
    • A decisão não se baseia em difamação, mas sim na cláusula de não difamação (non-disparagement clause) do acordo de desligamento
  • Wynn-Williams foi proibida permanentemente de promover o livro ou fazer comentários sobre a Meta
    • A ordem entrou em vigor no próprio dia do lançamento, em 13 de março de 2025
    • Cada declaração que possa ser interpretada de forma negativa para a Meta pode gerar multa de US$ 50 mil
    • O alcance da ordem inclui até conversas dentro de casa, e ela não pode falar sobre a Meta nem mesmo com familiares
  • Ela enfrenta risco de ruína financeira por causa de uma denúncia de interesse público
    • A Meta está pedindo indenização de milhões de dólares, e o processo legal segue em andamento
    • A editora pôde continuar vendendo o livro, mas a autora foi colocada em uma situação sem precedentes em que precisa permanecer em silêncio

As revelações de Careless People e a repercussão social

  • Careless People expõe suspeitas de assédio sexual, manipulação de adolescentes e facilitação de genocídio que Wynn-Williams diz ter testemunhado enquanto trabalhou no Facebook entre 2011 e 2017
    • Ela afirma que o Facebook cooperou com o Partido Comunista Chinês para realizar censura
    • O livro descreve em detalhe o comportamento pessoal e a hipocrisia de altos executivos
  • A resposta jurídica da Meta acabou aumentando de forma explosiva as vendas e o interesse pelo livro
    • Após o lançamento, foram vendidos cerca de 200 mil exemplares no mundo todo, com forte atenção da imprensa
    • A editora avaliou que “a tentativa da Meta de impor silêncio acabou comprovando as alegações do livro”
  • No início de 2025, Mark Zuckerberg disse que era preciso “voltar à liberdade de expressão”, mas
    • a Meta não permitiu a mesma liberdade para críticas internas
    • A editora apontou que “a livre expressão só é permitida quando não critica a própria Meta”

Sigilo no processo editorial e medidas de segurança

  • A editora preparou o livro com comunicação segura e no formato de projeto secreto
    • Internamente, pouquíssimas pessoas participaram, e quem não estava envolvido saía das reuniões
    • A existência do livro foi mantida em segredo até pouco antes do lançamento, e alguns funcionários ouviram o rumor de que se tratava de “um livro de memórias da Taylor Swift”
  • A preparação da distribuição também ocorreu com informações extremamente limitadas
    • Livrarias e distribuidoras tiveram de aceitar pedidos sem sequer saber o título do livro
    • O anúncio oficial foi feito apenas uma semana antes do lançamento

Promoção após o lançamento e sanções legais

  • Antes do lançamento, Wynn-Williams concedeu entrevistas a grandes veículos, como BBC e NBC
    • Em 24 horas, atravessou Londres e Nova York para cumprir a agenda de entrevistas
    • Porém, no dia do lançamento, a decisão arbitral foi emitida, e todas as atividades promocionais foram interrompidas
  • O audiolivro foi gravado secretamente antes da ordem de proibição, tornando-se o único meio em que sua voz ainda pode ser ouvida
    • Um porta-voz da Meta criticou o livro, chamando-o de “ultrapassado e cheio de alegações falsas”
    • Leitores e imprensa, porém, avaliaram que a resposta da Meta acabou reforçando a credibilidade do livro

Impacto político e interesse público

  • Em abril de 2025, Wynn-Williams depôs em uma audiência de uma subcomissão do Senado dos EUA
    • Ela declarou que a Meta permitiu ao Partido Comunista Chinês acesso a dados de usuários
    • O senador Josh Hawley pediu que Zuckerberg comparecesse e “dissesse a verdade”, mas ele não atendeu
  • No Reino Unido, a Molly Rose Foundation distribuiu Careless People a todos os parlamentares
    • A organização atua em saúde mental de adolescentes e prevenção do suicídio
    • O CEO Andy Burrows criticou a Meta, dizendo que ela explorou a saúde mental de meninas adolescentes em troca de receita publicitária
  • Em fevereiro de 2026, Zuckerberg está prestando depoimento em Los Angeles em um julgamento sobre vício em redes sociais
    • O caso chama atenção por ser um dos primeiros a cobrar responsabilidade de empresas de redes sociais por danos a crianças e adolescentes

A autora em silêncio e a posição da editora

  • Wynn-Williams vive em Londres legalmente proibida de se manifestar
    • Ela não pode comentar sobre o processo nem sobre o livro
    • Ainda assim, seu humor e disposição para lutar permanecem intactos
  • A editora elogia sua coragem e sacrifício,
    • dizendo que a resposta da Meta acabou comprovando por si só a cultura de “descuido letal (lethal carelessness)” exposta em Careless People
    • e enfatizando que “sua voz foi bloqueada, mas os leitores ainda podem ler o livro
  • A editora concluiu que este caso tornou ainda mais evidente a importância de livros que fiscalizam o poder

1 comentários

 
GN⁺ 25 일 전
Comentários do Hacker News
  • Ouvi em audiobook e fiquei chocado com o comportamento da liderança. Ao mesmo tempo, não me surpreendeu nem um pouco
    O mais incômodo foi perceber que vivemos numa sociedade que absolve com muita facilidade pessoas ricas e poderosas. É contraditório permitir em adultos comportamentos que jamais toleraríamos em crianças
    Por exemplo, há o relato de que Cheryl Sandberg convidou a autora para dormir junto na cama do jato corporativo e, após ser rejeitada, teve uma atitude retaliatória. Todo mundo sabia disso e ainda assim ignorava ou defendia

    • Acho que deveriam perguntar repetidamente à Sandberg em público: “Você ainda convida funcionárias para dormir na cama do jato corporativo?”. Esse tipo de pergunta serviria para lembrar sua exigência anormal
    • Tolerar esse tipo de comportamento acaba ensinando às crianças que isso é aceitável
    • O papel da gerência intermediária é como uma dupla criação de filhos: coordenar bons funcionários para baixo e agradar chefes infantis para cima
    • Parece que as pessoas têm tanto medo de desafiar os ricos que entram numa autoilusão para racionalizar o comportamento deles
    • A Sandberg já era conhecida por ser uma pessoa antiética desde antes
  • Ouvi dizer que, ao sair em 2017, o pacote de severance incluía uma cláusula de não difamação, e que ela escreveu um livro criticando a empresa em violação disso. O árbitro avaliou não a veracidade do conteúdo, mas apenas se houve quebra contratual
    Fico em dúvida se receber dinheiro, assinar um contrato e depois quebrá-lo é mesmo uma atitude de princípio

    • Segundo a matéria, com o resultado da arbitragem a autora pôde publicar o livro, mas ficou proibida de promovê-lo ou comentá-lo diretamente. Nesse sentido, ela cumpriu a cláusula. De todo modo, se expôs as verdades feias da Meta e ainda recebeu por isso, acho que fez bem
    • Acho moralmente problemático impor esse tipo de cláusula mesmo depois de 9 anos. Pode ser legal, mas em termos de princípio continua errado
    • Não seria só devolver o dinheiro e retirar o NDA?
    • Fico em dúvida se um contrato civil deveria poder impedir até a denúncia de ilícitos
    • Se ela expôs tudo mesmo sabendo desse risco, então isso também pode ser visto como uma ação por princípio
  • Esse livro foi realmente marcante. Eu achava que os ricos viam o sofrimento que causavam como um sacrifício inevitável para atingir seus objetivos, mas no caso do Facebook parecia ser simplesmente indiferença ao resultado
    Espero que eles sintam algum dia o mal que causaram

    • No começo, parecia haver uma mistura de idealismo ingênuo e empolgação com realização. Mas, olhando para casos como a viagem a Mianmar, no fim a liderança não se importava com nada
    • Acho que a autora também foi cúmplice. Ficou em silêncio enquanto ganhava dinheiro e só começou a reclamar quando o Facebook a descartou
    • A autora se pinta como vítima de uma cultura externa a ela, mas na verdade era uma figura central nela. É preciso ler lembrando que todos ali são narradores pouco confiáveis
    • “Indiferença” pode até ser uma condição necessária para alcançar objetivos
    • Li isso como alguém do setor, e pareceu menos uma revelação e mais uma história previsível. Para quem está fora da indústria pode ser chocante, mas para quem está dentro é quase rotina. Um livro parecido é Disrupted: My Misadventure in the Start-Up Bubble
  • Coletânea de matérias relacionadas

  • Não consigo entender como pode existir num contrato de trabalho uma cláusula do tipo “se você falar mal da empresa, terá de pagar US$ 50 mil”. Surpreende ver NDA sendo usado assim

    • Nos EUA, isso não é aplicado de forma totalmente livre por causa das leis estaduais e das restrições do NLRB. Neste caso, a situação é diferente porque não se trata de uma fala isolada, mas de um livro inteiro. A autora também parece ter feito uma jogada calculada, assumindo o risco do processo em busca de publicity
    • Nos EUA, muitos contratos incluem cláusulas de arbitragem obrigatória, então a disputa vai para arbitragem privada em vez de tribunal. Há um problema de imparcialidade porque as câmaras arbitrais têm as empresas como clientes
    • Existe o conceito de “cláusula abusiva”, mas isso depende da discricionariedade do juiz
    • É uma tensão entre liberdade de expressão e captura do sistema jurídico
    • No fim, ela recebeu dinheiro, assinou o contrato e de fato o violou
  • As alegações de Wynn-Williams vêm sendo parcialmente corroboradas por decisões judiciais recentes. Elas dizem respeito ao caráter viciante e manipulador dos produtos da Meta e do Google
    Em especial, foi chocante a parte em que o Facebook teria vendido a anunciantes a possibilidade de mirar em “adolescentes que postam uma selfie e depois a apagam”

    • Esse tipo de prática é o mal em si. Nenhum pai ou mãe com filhos tomaria esse tipo de decisão
    • Vale lembrar que ela não saiu por vontade própria; ela foi demitida
  • Mencionam a citação de O Grande Gatsby: “eles eram pessoas descuidadas”. Isso simboliza ricos que causam problemas e depois fogem para o dinheiro e para a indiferença

    • Hoje, empresas de nuvem existem desconectadas da experiência do usuário. A distância de 40 ms e um firewall virou um meio de fuga muito maior do que existia 100 anos atrás
    • (Em tom de piada) dizem que essa citação na verdade é uma metáfora sobre a luta externa de um criador de galinhas
  • Contratos com cláusula de não difamação devem ser evitados sempre que possível. O ideal seria proibi-los, como na Califórnia

    • Mas também entendo que é difícil para a pessoa comum evitar esse tipo de cláusula. Por causa do desequilíbrio de poder e da pressão de tempo, muita gente assina sem revisão de advogado
    • Durante o vínculo empregatício, pode ser razoável proibir difamação contra a empresa, mas impor isso depois da saída é injusto. Especialmente quando aparece como condição para receber a indenização de desligamento. São necessárias regras que protejam denunciantes
  • Com medo de que o e-book fosse alterado ou removido, encomendei a versão em papel.
    Recentemente, ao tentar entrar na minha conta da Meta, pediram uma selfie em vídeo para verificação e minha conta ficou em estado de “Community Review”. Empresa realmente repugnante

  • Compartilham o link archive.is/DmiOw

    • Comentam que o Recaptcha demora demais