AI Native Engineer — Intuição sobre princípios
(flowkater.io)Afinal, que tipo de pessoa é um AI Native Engineer (Who).
O que ficou visível — diferenças em relação aos engenheiros da era anterior
- Drew Hoskins: "As ferramentas e linguagens eram tão difíceis que aprender e usar isso por si só já era um trabalho em tempo integral." Quando a IA começa a substituir esse trabalho em tempo integral, aquilo que sempre deveria ter sido feito, mas estava oculto, passa a aparecer
- Expansão da responsabilidade: mais descoberta (discovery) do que entrega (delivery). Se você não sabe responder "por que devemos construir isso?", não sobra papel algum
- Aprendizado 10x mais rápido: para ler e julgar 200 linhas que a IA criou em 30 segundos, é preciso ter uma base sólida. O código feito pela IA acaba virando material de estudo, mas é preciso ter olhar para lê-lo
- Velocidade de julgamento: Forsgren — "Ao trabalhar com IA, você precisa reconstruir seu modelo mental dezenas de vezes em 30 minutos." Julgamentos rápidos vêm de compreensão profunda
O efeito colateral contra o Maker
- DORA 2025: após a adoção de IA, a geração de PRs aumentou 98%. Resultado em performance de delivery de software? Flat. Codar nunca foi o gargalo principal
- Se você só clica, os outros também clicam. O simples ato de criar virou commodity. Clicar já não é mais diferencial competitivo
- Antes, dizer que "um Maker tem mentalidade de Closer" era elogio. Agora, é condição básica
A falha do feiticeiro — o paradoxo de a técnica ficar mais importante
- O relato do autor apanhando no iOS: em Golang, foi direto ao núcleo da lógica; em iOS, por falta de capacidade técnica, ficou num loop infinito de 2 a 3 dias com a IA. "Se fosse um engenheiro iOS, teria corrigido em 5 minutos"
- A "armadilha do aprendiz de feiticeiro" de Carson Gross: se um júnior não sabe escrever código, também acaba não sabendo lê-lo. E, se não sabe ler, fica à mercê do LLM
- Steve Krouse: "Vibe coding cria a ilusão de que sua vibe é uma abstração precisa." Ninguém fala em "vibe writing"
- LLMs não reduzem a complexidade essencial. Apenas facilitam gerar complexidade acidental (Fred Brooks, No Silver Bullet)
- Conhecimento de ferramentas (sintaxe de Swift, padrões de React) vs. conhecimento de princípios (rede, SO, estruturas de dados). Como a IA substitui o conhecimento de ferramentas, o conhecimento de princípios brilha ainda mais
Intuição sobre princípios — Eval
- Princípios sem intuição formam um acadêmico. Só os princípios não bastam
- É o que a Anthropic chama de "taste". Aquilo que as pessoas que melhor constroem IA deixam por último nas mãos da própria IA
- Thomas, CTO da Linear: "Taste is not mystical. It's a craft." Com a Quality Wednesday, corrigiram 2.500 defects em 2 anos — o taste se desenvolve como um músculo
- Eval = a capacidade de julgamento para avaliar os resultados produzidos pela IA. "O All Pass da IA também é All Pass para mim?" Quem consegue fazer essa pergunta é um AI Native Engineer
Conclusão — uma bússola sobre o acelerador
- Terry Winograd (pesquisador de IA da primeira geração de Stanford): "A IA não é a causa do problema. A IA é um acelerador (Accelerant)." O que mudou foi a velocidade, não a direção
- Intuição sem princípios é chute, e princípios sem intuição formam um acadêmico
- Mesmo tendo o How (habilidades agentic) e trabalhando no Where (organização AX), não significa nada se o Who (eu mesmo) não for alguém capaz de exercer intuição sobre princípios
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