13 pontos por GN⁺ 2026-03-20 | 2 comentários | Compartilhar no WhatsApp
  • Uma única página do site do New York Times carrega 422 requisições de rede e 49 MB de dados, e leva 2 minutos para estabilizar, mostrando a grave regressão da web moderna
  • Páginas da web cheias de anúncios, modais e vídeos com reprodução automática estão sendo projetadas com uma UX deliberadamente hostil para otimizar métricas de viewability e time-on-page
  • A página móvel do The Guardian chega a um extremo em que, por causa de anúncios e modais, apenas 11% da tela é destinada ao corpo da matéria
  • Enquanto a edição impressa do mesmo veículo respeita a atenção do leitor e o conteúdo, a versão web insere repetidamente pedidos de assinatura de newsletter, links irrelevantes e vídeos com reprodução automática no meio da matéria
  • Há um problema estrutural em que os tomadores de decisão que operam a web não entendem nem gostam da própria web como meio, e continuam repetindo estratégias que afastam os usuários

A realidade de uma página web de 49 MB

  • Segundo a análise de Shubham Bose, ao acessar o New York Times para ver quatro manchetes, foram transferidas 422 requisições de rede e 49 MB de dados, e a página levou 2 minutos para se estabilizar
  • Por causa desse cenário, qualquer pessoa minimamente familiarizada com tecnologia acaba instalando adblocker em todos os seus dispositivos e nos da família
  • Isso não é um problema exclusivo do New York Times, mas um fenômeno comum entre grandes publishers em geral

A causa estrutural da UX hostil

  • Como viewability e time-on-page se tornaram métricas centrais, toda decisão de UX hostil nasce desse fato
  • Quanto mais tempo o usuário fica preso na página, maior o CPM (custo por mil impressões) que o publisher pode cobrar
  • Engenheiros e designers tomam todas as decisões de UX para otimizar isso, e o leitor é forçado a interagir, esperar, clicar e rolar repetidamente
  • Isso não é apenas uma direção equivocada, mas algo hostil por projeto
  • Os próprios publishers também são reféns dos incentivos do sistema de leilão, uma estrutura que incentiva e recompensa dark patterns

Um problema que nem bloqueadores de conteúdo resolvem

  • Ao testar o MacBook Neo o mais próximo possível do estado padrão e usar a web sem extensões de bloqueio de conteúdo, a maioria dos sites com anúncios se mostrou degradada a um nível que vai além da paródia
  • Mesmo com um bloqueador de conteúdo instalado (recentemente usando uBlock Origin Lite no Safari), muitos sites de notícias inserem pedidos de assinatura de newsletter e links para matérias irrelevantes entre os parágrafos
  • Vídeos com reprodução automática se intrometem a cada 2 ou 3 parágrafos, atrapalhando a leitura até o fim da matéria
    • Obrigar vídeo a quem entrou para ler uma matéria é como pedir um cheeseburger num restaurante e ter uma banda marcial tocando trompete no seu ouvido, atirando com pistolas d’água e tentando vender toalhas

O contraste extremo entre a edição impressa e a versão web

  • Nenhum veículo impresso faz esse tipo de coisa — as edições impressas do New York Times, The Guardian, Wall Street Journal, The Atlantic e The New Yorker não têm nada a ver com esse comportamento
  • A edição impressa da The New Yorker respeita ao máximo a atenção do leitor e a dignidade da prosa publicada, mas no site do mesmo veículo há vídeos com reprodução automática inseridos entre parágrafos sem relação com a matéria
  • O site da The New Yorker até está entre os casos relativamente “menos ruins”, mas implementa na web apenas uma fração ínfima do respeito ao leitor demonstrado pela edição impressa

O padrão insano de repetir o mesmo anúncio

  • Ao usar a web sem bloqueador de conteúdo, o padrão de design mais enlouquecedor é repetir o mesmo anúncio a cada poucos parágrafos na mesma matéria
  • No Apple News, esse padrão é tão disseminado que é difícil encontrar uma matéria que não o use, com o mesmo anúncio repetido 6, 7, 8 vezes em um único artigo

Publishers destruindo a web com as próprias mãos

  • As pessoas passam cada vez menos tempo na web porque a experiência nos sites está piorando, mas os publishers tentam resolver isso adicionando ainda mais os mesmos elementos hostis que expulsam os usuários
  • Na captura de tela do The Guardian, a situação em que apenas 11% da tela é destinada ao texto da matéria equivale a um canal de TV mostrar só 7 minutos de programa por hora e usar 53 minutos com anúncios e autopromoção
    • Quase ninguém assistiria a um canal assim, mas na web essa estratégia continua sendo tratada como sustentável

Tomadores de decisão que não entendem a web

  • A web é o único meio da história em que os principais tomadores de decisão desprezam o meio e tentam expulsar seus usuários
  • Muitos sites dificultam ativamente o acesso do leitor e forçam o download do app, porque grandes sites estão sendo operados por pessoas que não entendem nem gostam da web
  • Esses responsáveis por decisões em sites são como capitães de transatlântico tentando deliberadamente atingir um iceberg

2 comentários

 
roxie 13 일 전

O New York Times parece um exemplo um pouco extremo, mas as plataformas de notícias do nosso país também parecem ter uma tendência estranha de consumir muita rede. Não sei se combinaram de fazer tudo desse jeito ou se o sistema de backbone que usam em comum é lento...

 
kimjoin2 2026-03-20

Ultimamente, quase toda a web e os serviços estão tão cheios de anúncios que chega a dar raiva.