1 pontos por GN⁺ 2026-03-19 | 3 comentários | Compartilhar no WhatsApp
  • Mesmo com os alicerces da internet abalados e com a realidade centrada nas redes sociais, destaca-se que criadores independentes e empresas devem ter seu próprio site
  • A dependência de plataformas é arriscada, e mudanças de regras ou suspensão de contas podem fazer com que seguidores e conteúdo acumulados desapareçam de uma hora para outra
  • O conteúdo publicado nas redes sociais não pertence ao usuário, e acaba sendo entregue gratuitamente a coletores de dados e anunciantes
  • Um site simples para fornecer informações e a construção de uma lista de e-mails são apresentados como a única forma de manter uma presença online sustentável
  • O espírito original da internet está em uma rede de sites independentes interligados, e a recuperação dos sites pessoais ajuda a promover esse retorno

A necessidade de um site

  • A internet mudou para um modelo centrado em redes sociais, em vez de sites pessoais, por causa do custo e da complexidade, mas ainda assim os sites são apresentados como algo essencial
    • Salões de beleza, restaurantes, estúdios de tatuagem e afins devem ter um site simples que mostre claramente preços e horário de funcionamento
    • Nem todos os potenciais clientes usam redes sociais, e muitos usuários preferem informações objetivas e concisas

Os riscos da dependência de plataformas

  • Como mostra o caso do Twitter, plataformas podem mudar suas regras de repente, e isso pode tornar inútil a base de seguidores construída
    • Em caso de suspensão ou exclusão da conta, não há meios de recuperação
    • Um site, depois de criado, escapa desses riscos e garante acessibilidade online contínua

Problemas de propriedade e dados

  • O conteúdo publicado em redes sociais, o número de seguidores e as postagens não pertencem ao usuário
    • A plataforma usa isso para coleta de dados e receita publicitária
    • Curtidas e número de seguidores não passam de uma ilusão de relevância
  • A construção de uma lista de e-mails é apresentada como o único meio de manter um canal de contato direto sem depender de plataformas

Restaurando a estrutura original da internet

  • A internet era originalmente um espaço formado por sites interligados entre si
    • A atual estrutura fechada das plataformas impede o compartilhamento de links e incentiva a retenção dos usuários
    • Cada vez que alguém cria um site, dá-se mais um passo na restauração de um ecossistema web aberto

Resumo das reações dos leitores

  • Muitos comentários concordam com a ideia de se desvincular da dependência das redes sociais e com a importância dos sites pessoais
    • Alguns sugerem métodos simples de criação, como GitHub Pages, WordPress e Nostr
    • Outros apontam a dificuldade de manter um site ou problemas de experiência do usuário (UX)
    • Em comum, o site é visto como o único ativo online que não desaparece mesmo com o colapso de plataformas

3 comentários

 
crawler 2026-03-19

Para criar com certeza aquela atmosfera estranha de escrever com letras vermelhas sobre um fundo branco, como no texto original, realmente parece melhor fazer um blog pessoal.

 
xguru 2026-03-19

Ouvi dizer que se você escrever o nome em vermelho, morre...

 
GN⁺ 2026-03-19
Comentários no Hacker News
  • Há um equívoco comum entre pessoas técnicas: achar que os LLMs agora fecharam completamente a lacuna entre “pessoa comum → site DIY”, mas a realidade é diferente
    As empresas de IA estão fazendo propaganda exagerada para encobrir CapEx e problemas financeiros.
    Na prática, pequenos empresários, como donos de restaurantes, já não têm horas suficientes no dia. Nem sequer têm tempo para aprender a usar LLMs ou escolher um fornecedor.
    A maioria nem sabe o que quer nem quais palavras usar para expressar isso.
    Mesmo dizendo “quero um site”, não consegue explicar design, texto ou funcionalidades específicas.
    Hospedagem, domínio, pagamentos, segurança e manutenção exigem aprendizado adicional.
    No fim, o mais eficiente é deixar isso nas mãos de um profissional e focar no próprio trabalho

    • Isso me lembra a frase: “os ricos não conversam com robôs”. Quem não tem tempo delega o trabalho em vez de fazer por conta própria
      Mesmo com chatbots de IA, criar um site continua tendo uma grande assimetria de conhecimento e consome muito tempo.
      No fim, um assistente ou membro da equipe acaba cuidando disso. Ainda assim, com IA, às vezes já dá para evitar uma agência digital
    • Teve uma vez em que o dono de um café que eu frequentava queria mudar o menu, mas não conseguiu falar com o desenvolvedor e não pôde atualizar o site
      Como o casal trabalhava 7 dias por semana, isso ficou fora das prioridades
    • Montar um site é um saco.
      Mas, para um restaurante, o que importa no fim é o quê, quando e onde ele vende.
      Só colocar menu, horário de funcionamento, localização e telefone já basta
    • Minha parceira é professora de educação ao ar livre em uma escola sem telas, e quando tentou ensinar programação parou na etapa de “instalar o VS Code”
      Também foi engraçado ver que ela não conseguia caminhar e mover a câmera ao mesmo tempo no Skyrim.
      No nosso setor, como todo mundo em volta é competente, a gente toma isso como normal, mas passar um dia junto do ponto de vista de um não especialista faz você perceber as falhas do sistema
    • Uma criança de 12 anos está fazendo sites para empresas de corte de grama com LLMs e vendendo por US$ 200 cada
      Ela já coleta logo e informações no Facebook e no Google e deixa tudo pronto antes mesmo de fazer a proposta.
      Os donos não têm tempo, consciência nem visão, mas por causa da IA a conta mudou.
      Ainda bem que eu não vivo de desenvolvimento web
  • Em 2026, um negócio sem site parece um semáforo vermelho
    Pelo menos deveria ter lista básica de produtos, horário, amostras e contato para passar uma ideia de profissionalismo
    Ainda assim, se no Google Maps já houver reviews, fotos, menu, horários etc. bem organizados, às vezes isso basta
    Mesmo assim, é frustrante não ter um link de “Website”.
    Usar só Facebook ou Instagram passa a mesma sensação de um email @aol.com antigamente.
    Para fazer algo simples, o Google Sites parece uma boa opção. É grátis, tem editor WYSIWYG e suporta domínio personalizado

    • Fico curioso sobre que tipo de informação as pessoas procuram em um site e não encontram em um Google Maps ou Instagram bem organizados
      No caso de um restaurante, ver o menu já basta, e as avaliações eu vejo no Google ou no Yelp.
      Profissionais liberais, como dentistas e advogados, precisam listar serviços, então um site é útil,
      mas na maioria dos casos mapa e reviews bastam.
      Ou seja, nem todo negócio precisa necessariamente ter um site
    • Lugares como salões de beleza, estúdios de tatuagem e restaurantes não precisam necessariamente de site
      As informações já estão no Instagram, Yelp e Google Maps, então a IA poderia resolver isso como um problema de UX, reunindo tudo e mostrando de um jeito familiar
  • A ideia é: “se as pessoas realmente quisessem, já teriam feito um site”
    A maioria prefere plataformas fechadas (walled gardens). São previsíveis, fáceis de administrar e baratas
    Não há revolução alguma; as pessoas já fizeram sua escolha. Essa é a realidade da tecnologia em escala

    • A cafeteria aqui perto faz sucesso só com Instagram
      É mais visual do que um site, e também é mais fácil gerenciar seguidores.
      Se a plataforma mudar, dá para migrar para uma conta nova em uma semana.
      Para alguém como eu isso é inconveniente, mas o público em geral não liga
    • Ainda assim, tenho amigos que gostariam de ter um site
      Muitas vezes não conseguem fazer nem com WordPress porque a configuração é complicada
  • Gostei de ler o texto, mas dizer que “todo negócio deveria ter um site” é uma visão privilegiada
    Se alguém não quer negociar por não gostar de plataformas, isso é liberdade individual,
    mas essas empresas não têm obrigação de carregar nas costas a democratização da internet.
    Em muitos casos, funcionam bem sem site

    • Eu também às vezes deixo de fazer negócio não porque odeio plataformas, mas porque não consigo acessar a informação
      Se não vejo horário, menu ou serviços, nem consigo escolher.
      No fim, acabo procurando outra empresa no Google
  • Sites de órgãos públicos devem hospedar conteúdo em servidores próprios
    Muitas cidades fornecem informação pública por links do Google Drive ou Facebook,
    e é problemático que, para usar serviços básicos, o cidadão tenha que colocar plataformas privadas na whitelist
    Por exemplo, em Chattanooga, nem o calendário de coleta de lixo pode ser consultado sem os serviços do Google

  • Hoje em dia, às vezes vou escrever algo em público e paro para pensar: “isso pode acabar virando dado de treino do ChatGPT e ser usado para fazer memes de guerra

    • Como o scraping para treinar LLMs continua, mesmo mantendo um site pessoal no fim dá a sensação de virar meeiro digital (digital sharecropper)
      A ideia de “seja dono do seu conteúdo” já não convence tanto quanto antes
    • Na verdade, dados não estruturados de uma pessoa comum têm baixo valor de treinamento, então não precisa se preocupar tanto
    • Se for post público, vale igual em qualquer lugar. Comentários também acabam virando dado de treino
    • Também me incomoda pagar por LLMs. Dá a sensação de apoiar estruturas de poder corruptas
  • O ponto principal é publicar conteúdo sem login, pagamento ou muro de anúncios
    As grandes plataformas são fáceis no começo, mas no fim aprisionam o conteúdo
    Tomara que mais usuários, como o autor, consigam escapar dos jardins murados

  • É uma pena que hoje muitos side projects e produtos indie existam só no Twitter ou em um README no GitHub
    A pessoa faz algo incrível, mas você precisa vasculhar tweets para entender o que aquilo faz
    Mesmo uma landing page de uma página só já seria muito melhor,
    e eu percebi isso quando lancei uma extensão para o Chrome e vi que a falta de informação fazia as pessoas nem tentarem usar

    • README também não é ruim.
      Dentro do repositório, costuma ser o documento mais atualizado e é o núcleo da explicação do projeto.
      Se for para deixar só uma coisa, o README deveria cumprir esse papel
  • Até um “site simples só com tabela de preços” para um salão ou estúdio de tatuagem é tão complexo quanto uma questão de SAT
    Há muita coisa a considerar: pedidos dos clientes, fotos, agenda da equipe, regras de privacidade, sistema de reservas etc.
    No fim, é mais realista colocar só telefone e fotos e fazer agendamentos manualmente

    • Aqui na minha região é difícil encontrar empreiteiros ou eletricistas. Eles não têm site, e na lista telefônica aparece só o nome
      A maioria usa Facebook ou Instagram, mas eu não uso essas plataformas,
      então chego ao ponto de tirar foto de vans na rua para achar um contato
      É uma lacuna que existe porque, para um marceneiro, um site é difícil demais, e para uma empresa de web design, é um trabalho pequeno demais
    • No começo achei que o texto fosse sobre aquelas homepages pessoais dos anos 90
      Para um salão, reviews no Google Maps e os preços já bastam.
      Mesmo sem possuir tudo por completo, se funciona hoje, já serve