- Num momento em que a velocidade das mudanças tecnológicas acelerou drasticamente, migrar para um cargo de gestão aumenta o risco de perder adaptabilidade técnica e oportunidades de experimentação
- À medida que as estruturas das empresas ficam mais enxutas, o caminho de promoção EM → Director → VP fica mais estreito e a concorrência se intensifica
- Em todo o setor, a remuneração de engenheiros sêniores e staff está ficando acima da de EMs, o que pode tornar a migração para gestão desvantajosa financeiramente
- Ainda assim, há quem continue no papel de EM por causa do prazer no trabalho em si e da satisfação de gerenciar pessoas
- No momento, é mais vantajoso manter uma trajetória centrada em tecnologia do que migrar para gestão, o que exige uma decisão cuidadosa
1. Não é um bom momento para se afastar da tecnologia
- No último ano, a velocidade das mudanças tecnológicas foi muito alta, e quase todos os aspectos da forma de trabalhar estão mudando
- Ferramentas de codificação com IA e novos projetos têm surgido com frequência, e projetos novos como o OpenClaw se espalham rapidamente
- Um tuíte em que um desenvolvedor do Claude Code explica por que a Anthropic ainda precisa de engenheiros de software chamou atenção
> Alguém precisa dar instruções ao Claude, se comunicar com clientes, colaborar com outras equipes e decidir o que desenvolver em seguida. A engenharia está mudando, e bons engenheiros são mais importantes do que nunca.
- Nesse ritmo de mudança, os managers têm pouco tempo para experimentar e aprender, especialmente quando lideram equipes com mais de 6 pessoas
- Para engenheiros que querem lidar diretamente com tecnologia e testar novas ideias, migrar para gestão significa simplesmente não ter tempo suficiente
2. Concorrência mais intensa na estrutura de promoção de gestão
- O caminho tradicional de carreira para EM era EM → Senior EM → Director → VP, mas nos últimos 2 anos as empresas vêm achatando suas estruturas organizacionais
- A Amazon aumentou em 15% a proporção de ICs em relação a managers, e outras empresas estão seguindo o mesmo movimento, reduzindo os cargos mais altos
- As vagas de Director e VP diminuíram, e as posições de Senior EM também encolheram, de modo que mesmo EMs competentes podem ficar anos no mesmo lugar
- Como agora é preciso competir com líderes experientes demitidos de empresas já achatadas, a intensidade da concorrência para Senior EM e acima está muito maior do que antes
- Como resultado, as oportunidades de promoção interna diminuíram; sem gerenciar mais pessoas, fica difícil subir, e dentro da mesma equipe o máximo é ampliar o escopo
- Por outro lado, como IC (Individual Contributor), demonstrar excelente capacidade técnica pode levar a um crescimento mais rápido
3. Desvantagem do ponto de vista de remuneração
- Ao ser promovido a EM, pode haver uma proposta de aumento salarial, mas a remuneração total ainda pode ficar abaixo de ofertas para Senior/Staff Engineer em outras startups
- Dentro da mesma empresa, um EM pode ganhar mais do que um Senior Engineer, mas olhando o setor como um todo, Staff Engineers recebem remuneração mais alta
- Isso acontece porque a demanda por esses engenheiros é muito grande e deve continuar assim
- Se você permanecer na trilha de IC, crescer até Staff Engineer e depois mudar de empresa, é possível obter uma remuneração cerca de 20~30% maior do que numa promoção para EM
4. Ainda assim, por que continuar como EM
- Há otimismo em relação a EMs experientes que continuam hands-on, e as habilidades de gestão acumuladas ao longo de anos continuam válidas
- Eles ainda podem exercer um papel valioso, e mesmo que a acuidade técnica diminua, a experiência em gestão funciona como diferencial
- Pessoalmente, continuo trabalhando como EM porque o prazer e a satisfação com a função são grandes
- Ainda assim, considerando o cenário atual de 2026, a trilha de IC parece ser a escolha mais racional
5. Conclusão e conselho
- Se você é um engenheiro sênior, é aconselhável adiar por enquanto a migração para gestão e observar como a situação evolui nos próximos 2~3 anos
- Porém, se a motivação interna e a paixão forem claras, vale tentar, mas não se deve tomar essa decisão apenas com base em remuneração ou lógica de promoção
3 comentários
Acho que muitos gerentes vão se identificar com isso.
Concordo muito.
Comentários do Hacker News
Tenho a impressão de que, no setor de “tech”, os títulos (title) são quase arbitrários
Termos como “Senior”, “Lead”, “Principal” e “Staff” têm definições diferentes em cada empresa, então, na prática, o significado muda completamente conforme a estrutura organizacional
Por exemplo, houve vezes em que eu tinha mais responsabilidade como “Senior Backend Developer” do que como “Staff Engineer”
Já trabalhei em três continentes, de startups com 6 pessoas a grandes empresas com mais de 10 mil funcionários, mas os critérios para títulos continuavam completamente inconsistentes
Já precisei explicar isso várias vezes para iniciantes. Teve gente disposta a abrir mão de dezenas de milhares de dólares por causa do título “Senior Engineer”
Na contratação, eu quase ignoro títulos, a menos que a pessoa venha de empresas como Microsoft ou Google, que têm sistemas de nivelamento públicos
Já vi gente com título de “Principal Staff Engineer” ou “CTO” que, na prática, não chegava nem ao nível de sênior em uma empresa mediana
Por outro lado, também vi “Senior Software Engineer” que era melhor do que qualquer pessoa do time
Em geral, vai de L1 (estagiário) até L10 (Fellow), e o L5 (Senior) costuma ser o “ponto final” que a maioria dos engenheiros consegue alcançar
Acima de L6, é preciso ter influência excepcional e impacto em produto e negócio
L9~L10 são pessoas que impactaram a indústria inteira, por exemplo em um nível de quem criou MapReduce ou Kubernetes
Em grandes empresas, a diferença de RSU entre Staff e Senior é grande, mas em startups quase não significa nada
Na época de avaliação, os critérios mudam de acordo com o título, mas, na prática, o gerente ajusta as notas para fechar a curva
Em níveis como VP, Director e C-level, comparações entre organizações passam a ser possíveis, e o componente político aumenta
Se você pretende ficar muito tempo em uma empresa, talvez não importe tanto, mas, pensando em mobilidade de carreira, vira um ponto de negociação
Eu mesmo negociei o título “Senior DevSecOps Engineer”
Esse título deixa claro que eu sou forte em gestão de pipeline de segurança, mas não em ajuste fino de modelos de machine learning
Meu trabalho envolvia hardware real, pneumática e corrente elétrica, mas agora, quando pesquiso, só aparecem vagas relacionadas a Unix ou Python
Acho que teria sido melhor usar um nome mais específico, como “Unix Server Engineer”
Se você quer se tornar engineering manager, não pense nisso só como o próximo passo; pense em qual papel você quer no longo prazo
Para gerentes, o foco principal não é tecnologia, mas gestão de pessoas e RH, e a partir de Director para cima a maior parte do tempo vai para reuniões e organização de informações
Muitos desenvolvedores acabam sendo vítimas do Peter Principle (link da Wikipédia)
Permanecer como desenvolvedor não tem problema nenhum. Se você consegue continuar fazendo o que gosta, isso por si só já é sucesso
Por fora, parece um trabalho bem fácil
Eu jamais iria querer aprovar férias ou dar bronca em alguém no Slack
Debugar código horrível escrito por pessoas promovidas a gerente na Apple me fez perceber que elas nunca foram realmente boas desde o começo
Para a alta gestão, a habilidade mais importante é parecer importante, não fazer o trabalho de verdade
Agendar reuniões e montar slides acaba parecendo competência
Sem separar por setor, esse tipo de análise não faz sentido
“Engineering Manager” é um título genérico demais, e muda entre startup, big tech e enterprise
Em empresas enterprise, quase não existe Staff Engineer; normalmente a estrutura é SWE1/2/3 → Tech Lead → Architect
Já nas empresas de tecnologia, a trilha costuma ser SWE1/2/3 → Staff → Principal
Gerente muitas vezes funciona como cargo terminal, e há quem fique 20 anos na mesma posição
No fim das contas, ir para gestão é uma mudança de carreira
EM tem mais responsabilidade e jornada mais longa, mas a diferença salarial é pequena
Quando o projeto atrasa, também é mais fácil virar bode expiatório do time de vendas, então a estabilidade no emprego é menor
Não concordo com a afirmação de que a mudança do último ano foi “enorme”
Meu trabalho é quase igual ao de alguns anos atrás, e as mudanças têm sido graduais
Dizer que a evolução das ferramentas de AI é rápida é uma previsão, não uma prova de que elas já são indispensáveis
Mesmo que estejam superestimadas, se há ganho de produtividade, então a mudança no fluxo de trabalho já está acontecendo
Quem acabou de sair da faculdade ainda tem muito a aprender, então pode sentir a mudança como algo maior
Dizem que “qualquer um consegue usar facilmente”, mas também que “se você não usar agora vai ficar para trás”
Se de qualquer forma elas vão ficar melhores em breve, aprender agora uma versão incompleta parece um desperdício
Existe debate sobre fazer a transição para gerente
Gestão de pessoas e habilidade política importam mais do que capacidade técnica, e, se isso não combina com você, é melhor não virar gerente
EM é fácil de substituir e, quando o projeto fracassa, vira bode expiatório com facilidade
Já um IC consegue distribuir melhor a responsabilidade
Eu fiz a transição de IC para gerente, e as duas trilhas são completamente diferentes
VP é um nível parecido com Distinguished Engineer, mas um DE precisa conquistar reconhecimento no setor
No fim, mais importante do que dinheiro ou promoção é o que você gosta de fazer
Em uma era em que a AI substitui tarefas simples, só vai ficar quem tem paixão pelo que faz
Na maioria das empresas, os gerentes são vistos como parte do “círculo interno”, enquanto os técnicos são tratados como simples mão de obra
Gerentes ganham influência por terem mais acesso a informação e reuniões
Quando assumi projetos importantes, exigi reportar diretamente ao CTO
É como entrar na “estrutura mafiosa” da empresa
Comparações de remuneração precisam ser feitas em condições equivalentes
Já atuei tanto como Staff Engineer quanto como EM no Google e em várias outras empresas
ICs excepcionais podem ganhar mais de 1 milhão de dólares em algumas empresas e,
se esse não for o seu caso, talvez ir para gestão seja a escolha melhor
A ideia de que “engenheiros e gerentes são trilhas equivalentes” está mais para mito
Na prática, a trilha de gestão tem muito mais oportunidades de promoção e visibilidade
Em organizações grandes, o acesso à rede interna traz vantagens claras
Além disso, às vezes gerentes incompetentes conseguem se manter mais tempo do que engenheiros
Conselhos do tipo “não faça X” são perigosos
Frases como “não vá para Detroit”, “não siga carreira acadêmica” ou “não compre ações do Google”
no fim seguem a mesma lógica de um mercado em que o valor muda conforme o contexto
A vida, no fim, é um jogo de encontrar valor subestimado
Uma escolha que os outros evitam pode acabar sendo a melhor oportunidade para mim