29 pontos por krucible 2025-11-17 | Ainda não há comentários. | Compartilhar no WhatsApp

A maioria dos fundadores americanos com quem trabalhei de perto como coach de CEOs nos últimos 13 anos eram “nerds de exatas” formados em universidades de elite.

Muitos deles me disseram o seguinte: “Acho que tenho pouca empatia.”

Quando eu perguntava por que pensavam assim, geralmente vinham uma de duas respostas.

Porque um cofundador ou parceiro(a) (ou alguém com quem estavam se relacionando) avaliou dessa forma,
Porque o resultado de algum teste específico, como o MBTI, indicou isso.
Eu também sou um “nerd de exatas”.

E também já ouvi, em certa época, que eu tinha pouca empatia.

Mas havia algo que me causava estranheza naquela época.

Eu costumava ouvir que tinha pouca empatia justamente quando tentava agir pela outra pessoa.

Com isso, eu estava de fato agindo pela outra pessoa, mas ela não valorizava isso e, ao contrário, me criticava dizendo que eu tinha pouca empatia. Isso me fazia sentir confuso e frustrado, e, quando esse tipo de coisa se repetia, houve até casos em que acabei sentindo ressentimento naquela relação.

Foi realmente doloroso.

Até que um dia me deparei com um estudo mostrando que, enquanto estamos sentindo ansiedade, nossa capacidade de empatia naturalmente diminui.

E então percebi três coisas importantes.

  1. Olhando para trás, muitos dos comportamentos que eu tinha pela outra pessoa naquela época vinham, na verdade, da minha própria ansiedade. (Exemplo: eu ficava ansioso achando que, se não resolvesse o problema da outra pessoa, ela continuaria sofrendo, e por isso tentava resolver tudo às pressas.)
  2. Eu não era uma pessoa com pouca empatia; minha capacidade de empatia podia cair momentaneamente dependendo da situação, e isso pode acontecer não só comigo, mas com qualquer um.
  3. Por mais que uma ação seja feita “pela” outra pessoa, se ela nasce da minha ansiedade, então é uma ação realizada num estado em que minha empatia está naturalmente reduzida, e por isso pode acabar não ajudando a outra pessoa.

A segunda percepção aliviou a autoacusação que eu sentia na época e me deu a liberdade de escolher sentir culpa em vez de autodepreciação.

E, ao conseguir deixar de lado a autodepreciação e escolher a culpa, também encontrei mais espaço mental e flexibilidade para buscar outras formas de agir em favor da outra pessoa com base na terceira percepção.

Se um cofundador, parceiro(a) ou alguém com quem você se relaciona disser que você é uma pessoa com pouca empatia, espero que você não acredite nisso. Se acreditar nessa fala, é fácil entrar num ciclo vicioso de autoacusação. Em vez disso, reflita com profundidade e honestidade sobre de que emoção nasceu aquele comportamento naquele momento. Isso tem muito mais chance de levar a um resultado construtivo do que simplesmente acreditar na avaliação da outra pessoa.

Achei que isso poderia ajudar, então traduzi os resultados do estudo que encontrei na época.


Como a ansiedade reduz a capacidade de empatia / Jeremy Adam Smith

Você sabia que, no momento em que estamos sob estresse, nossa capacidade de empatia para compreender a mente dos outros cai drasticamente? Esse fenômeno acontece porque a ansiedade nos torna extremamente autocentrados.

  1. Por que a empatia diminui quando estamos ansiosos
  • Quando a ansiedade aumenta, nossos pensamentos passam a se concentrar inteiramente em nós mesmos.
  • É como quando você se atrapalha no aeroporto com medo de perder o voo e já não consegue prestar atenção nenhuma na expressão ou no humor das pessoas ao redor.
  • Isso significa que a capacidade de enxergar a situação a partir da perspectiva do outro enfraquece.
  • Nesse estado, torna-se subitamente muito mais difícil compreender com precisão o ponto de vista de outra pessoa.
  1. Comparando o impacto da ansiedade sobre a empatia
  • A equipe de pesquisa induziu nos participantes emoções como ansiedade, raiva, nojo, constrangimento e orgulho.
  • Como resultado, os momentos de ansiedade ou constrangimento mostraram respostas mais autocentradas do que outros estados emocionais.
  • Quando os participantes sentiam raiva ou orgulho, a capacidade de empatia se reduzia relativamente menos.
  • Os pesquisadores descobriram que todas essas emoções estavam relacionadas à incerteza.
  • A raiva traz a convicção de que estou certo, mas a ansiedade e o constrangimento fazem surgir a sensação de que talvez o pior possa acontecer, porque não se sabe o que virá a seguir.
  1. Como foi feito o teste de mudança de perspectiva?
  • Os pesquisadores submeteram os participantes a vários testes de mudança de perspectiva (perspective taking).
  • Um dos testes consistia em identificar uma situação numa mesa com objetos em que a direita e a esquerda vistas por mim eram diferentes da direita e da esquerda vistas pela outra pessoa.
  • Outro experimento pedia julgar, do ponto de vista do destinatário, se um e-mail enviado por alguém era ou não sarcástico (sarcastic).
  • O teste mais famoso era a história da “lasanha na tigela azul”, que perguntava: “A outra pessoa sabe aquilo que eu sei?”.
  • Pessoas ansiosas tendiam mais facilmente a se enganar pensando: “Se eu sei que é espaguete, então a Anna também deve saber”.
  1. Quanto maior a ansiedade, maior o egocentrismo
  • Quanto maior o nível de ansiedade, mais forte também se mostrava, proporcionalmente, a tendência egocêntrica dos participantes.
  • Curiosamente, em tarefas gerais de resolução de problemas que não exigiam mudança de perspectiva, não houve diferença entre o grupo ansioso e o grupo não ansioso.
  • Isso significa que a ansiedade não reduz apenas inteligência ou concentração; ela atrapalha a própria capacidade de considerar a perspectiva dos outros.

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