1 pontos por GN⁺ 2025-10-24 | 1 comentários | Compartilhar no WhatsApp
  • A operadora estatal de telecomunicações da Groenlândia, Tusass, firmou parceria com a francesa Eutelsat para lançar um novo serviço de internet via satélite, escolhendo uma alternativa à americana Starlink
  • Com o contrato, será usada a rede de satélites OneWeb para oferecer conexões mais rápidas e estáveis também em áreas onde cabos submarinos ou redes sem fio não chegam
  • A expectativa é de uma grande melhora na qualidade das comunicações para moradores de regiões remotas como Tasiilaq, Ittoqqortoormiit e Qaanaaq
  • Os satélites de baixa órbita da Eutelsat ficam mais próximos da Terra do que satélites convencionais, o que permite redução da latência e maior estabilidade do sinal
  • O governo da Groenlândia enfatiza a manutenção do controle soberano da infraestrutura de telecomunicações, indicando que a decisão foi uma escolha estratégica voltada à segurança nacional e ao desenvolvimento equilibrado entre as regiões

Conexão mais rápida e estável

  • A operadora estatal de telecomunicações da Groenlândia, Tusass, firmou um acordo com a empresa francesa Eutelsat para fornecer serviços de internet por meio da rede de satélites OneWeb
    • Segundo reportagem da emissora pública dinamarquesa DR, o contrato chama atenção por representar a escolha da tecnologia francesa em vez da Starlink, dos Estados Unidos
    • Os satélites OneWeb operam em órbita mais baixa do que os tradicionais, oferecendo comunicação mais rápida e estável
  • O serviço será aplicado primeiro a pequenas cidades e assentamentos do leste e do norte da Groenlândia onde cabos submarinos ou redes de retransmissão sem fio não chegam
    • A expectativa é resolver os problemas de conexão lenta e instável existentes hoje, ampliando o acesso a educação, saúde e segurança

Redução da desigualdade entre regiões

  • O executivo Toke Binzer, da Tusass, explicou que o novo serviço deve melhorar a vida dos moradores de áreas remotas como Tasiilaq, Ittoqqortoormiit e Qaanaaq
    • Segundo ele, “os clientes dessas regiões esperam há muito tempo por um serviço confiável”, e o objetivo do projeto é reduzir a desigualdade digital
  • A Tusass planeja iniciar o serviço primeiro na região de Tasiilaq até o fim do ano e depois expandi-lo gradualmente para outras áreas

Melhorias técnicas e impacto social

  • A Eutelsat é uma das principais empresas do mercado global de comunicações por satélite e opera a rede OneWeb baseada em satélites de baixa órbita (LEO)
    • Esses satélites ficam mais próximos da Terra do que os tradicionais satélites geoestacionários, resultando em menor latência e melhor qualidade de sinal
  • A empresa afirmou que a parceria deve contribuir para conectar comunidades isoladas, dar suporte à infraestrutura crítica e fortalecer a segurança marítima e as operações de resgate
    • Em especial na Groenlândia, com seu extenso litoral, garantir a estabilidade das comunicações marítimas é uma tarefa importante

Comparação com a Starlink e contexto da escolha

  • A Tusass chegou a discutir uma parceria com a Starlink de Elon Musk, mas no fim optou por manter a relação já existente com a Eutelsat
    • Binzer afirmou que não se tratava de decidir qual empresa era melhor, mas de uma questão de confiança e relacionamento de longo prazo
  • A Tusass já conhece bem o sistema da Eutelsat e acumulou experiência operacional e compatibilidade técnica com a tecnologia

Manutenção da soberania das telecomunicações na Groenlândia

  • Alguns políticos da Groenlândia alertaram que o controle da infraestrutura de telecomunicações por empresas estrangeiras pode representar uma ameaça à segurança nacional
    • Por isso, a Tusass mantém atualmente a posição de única provedora de serviços de telecomunicações na Groenlândia
  • Binzer destacou que, embora futuras parcerias permaneçam em aberto, a prioridade máxima é manter o sistema de telecomunicações da Groenlândia sob controle do próprio país
    • Isso é interpretado como uma direção estratégica para garantir ao mesmo tempo independência tecnológica e soberania nacional

Esta reportagem foi escrita por Anna Hartz, e parte do conteúdo foi preparada com a ajuda de IA

1 comentários

 
GN⁺ 2025-10-24
Comentários do Hacker News
  • Fico me perguntando se isso deve ser lido no sentido de que Elon Musk ou a SpaceX estão ligados de forma muito próxima ao governo dos EUA, a ponto de ser difícil confiar a eles a infraestrutura de telecomunicações da Groenlândia

    • A intenção do autor da matéria claramente parece ser essa, mas na prática o acesso à internet da Groenlândia tem uma estrutura centralizada, então o modelo direto ao consumidor da Starlink não atendia aos requisitos
    • No fim da matéria, está explicitamente escrito que “o sistema de telecomunicações da Groenlândia deve permanecer sob o controle da Groenlândia”
    • Se a pessoa que opera a infraestrutura pode agir de forma impulsiva e imprevisível, isso por si só é um fator de risco maior do que o alinhamento com a política de um governo
    • Assim como a Ucrânia não fecharia contrato com a Rússia, é natural que Dinamarca/Groenlândia mantenham uma relação cautelosa com os EUA
      A matéria também enfatiza que “a soberania é mais importante do que nunca”
    • Ainda assim, como a Dinamarca não tratou bem a Groenlândia no passado, os moradores locais podem ter uma postura aberta em relação a esse tipo de decisão
  • Hoje em dia, os sites de notícia parecem ser compostos por 15 frases, 6 fotos de Shutterstock e 35 anúncios

    • E ainda vêm com o aviso “esta matéria pode ter usado IA”. Nem o editor parece saber se IA foi realmente usada
    • Parece uma tentativa de prender a atenção do leitor com parágrafos curtos, como uma thread do Twitter. É como o efeito de jump cut em vídeo
    • O setor de notícias vive gritando “o Google está nos matando! nos deem dinheiro!”, mas continua aumentando a quantidade de anúncios
    • Pelo menos, felizmente, não precisamos ver esses anúncios diretamente
  • Faz tempo que eu não via um banner de consentimento de cookies tão agressivo

    • Hoje em dia quase não se vê mais alternâncias detalhadas por item, e neste site pelo menos o padrão vem todo desativado. Mesmo assim, ainda parece um padrão de UX ilegal
    • Se “rejeitar tudo” se resolve com dois cliques, então ao menos não há truque de interesse legítimo (legitimate interest) como no Google Funding Choices
    • Como dica, dá para bloquear esse tipo de janela ativando o filtro “EasyList/uBO - Cookie Notices” nas configurações do uBlock Origin
    • Alguns sites chegam ao absurdo de exibir um painel de cookies que cobre a tela inteira
    • É engraçada a realidade de ter que vender seu histórico de navegação para 800 empresas para ler algumas frases “que talvez tenham sido escritas por IA”
  • É interessante ver a concorrência da SpaceX ficando séria. Eu não sabia que a OneWeb já operava 652 satélites

    • Mas chamar a OneWeb de “concorrente” já é forçar a barra. O plano mais barato custa 625 dólares por mês por 40 GB, com velocidade na faixa de 10/2 Mbps.
      A decisão da Groenlândia foi mais uma escolha política do que técnica
    • Brincando, fico imaginando se o Reino Unido vai fazer os satélites girarem na direção contrária, como nas estradas
    • Mas fico curioso sobre como a OneWeb lançou seus satélites
  • Dada a atual postura agressiva dos EUA e as ações políticas de Musk, parece que era difícil tomar outra decisão

    • Como Musk pode cortar o serviço de um país específico por conta própria, a Starlink é um risco de segurança
      Acho que mais países vão enfrentar esse tipo de situação no futuro. A possibilidade de bloqueio do serviço por razões políticas parece alta
  • Redes de comunicação por satélite LEO como OneWeb e Starlink têm potencial para mudar completamente a forma de operar em regiões como o norte da Groenlândia ou o centro da Austrália

  • A Eutelsat é chamada de empresa francesa, mas na prática mantém instalações na Madeira e em Luxemburgo para otimização tributária. Fico em dúvida se ainda dá para chamá-la de empresa francesa

    • Se aplicarmos esse critério, indicar a nacionalidade de empresas multinacionais perde o sentido
    • Na verdade, a maioria das empresas globais tem uma estrutura parecida
  • Na matéria, dizer que “a Tusass discutiu com a Starlink, mas decidiu continuar cooperando com a Eutelsat” foi traduzido como “abandonou (ditched) a Starlink”, o que é uma cobertura imprecisa

    • Como francês, fico feliz com a notícia do contrato da Eutelsat, mas a expressão “abandonou” é exagerada. Provavelmente era uma matéria escrita em inglês por um veículo dinamarquês
    • Em vez de “Ditches”, algo como “Declines” ou “Rejects” seria mais apropriado
    • Independentemente das falas de Trump, a preocupação é válida porque já houve casos em que Musk bloqueou ou ameaçou bloquear o serviço da Starlink por razões políticas
  • A Starlink é uma empresa de um país que mencionou invadir a Groenlândia, e seu CEO também é politicamente próximo desse governo

    • Dá para entender essa preocupação, mas em caso de invasão real não seria difícil para os EUA interferirem na rede de satélites. Escolher uma empresa francesa não impede isso completamente
    • Além disso, não dá para esquecer que também houve quem participasse diretamente desse governo e até fizesse uma saudação nazista em evento oficial
  • Apertei o botão “voltar” do navegador e vi um site despejando fotos do Putin e apps de propaganda. Foi tão horrível que nem consegui ler a matéria

    • Na verdade, esse tipo de coisa já existe há décadas. Hoje em dia, o jeito é simplesmente instalar um bloqueador de anúncios e esquecer o assunto