- A experiência de uso complexa do iPhone representa um grande peso para os idosos
- Recursos como Touch ID, Face ID e Siri acabam gerando confusão e erros
- Há aplicativos demais, e a função simples de telefone não fica visível com facilidade, o que torna o uso incômodo
- Recursos de acessibilidade como o Assistive Access não são oferecidos logo na configuração inicial, o que também causa dificuldade
- Destaca-se a necessidade de a Apple considerar um modo voltado para idosos ou botões físicos para um ambiente de uso mais simples
Reconhecimento dos problemas da complexidade do iPhone
- A Apple precisa simplificar ainda mais a experiência do iPhone para idosos
- Embora existam modos de acessibilidade, o processo de configuração é muito complexo, tornando-se um peso para usuários iniciantes ou idosos
- Desde a configuração inicial do aparelho, tudo leva muito tempo, o que acaba desmotivando
Dificuldades com desbloqueio e sistemas de autenticação
- Muitos idosos ficam confusos no processo de criação de conta e desbloqueio (digitação de código de acesso)
- Em alguns casos, nem números familiares, como a própria data de nascimento, conseguem ser lembrados
- Touch ID e Face ID parecem ainda mais complicados, e as falhas frequentes geram frustração
- Ao usar Siri em conjunto com o Touch ID, problemas inesperados acontecem com frequência
- Gestos como deslizar no botão Home provocam mudanças inesperadas na tela, aumentando a confusão
Problemas com os aplicativos padrão e a interface
- Há aplicativos demais, então é difícil encontrar funções necessárias (como o app Telefone), e sobra informação desnecessária
- Mesmo no app Telefone, o teclado numérico não aparece imediatamente por padrão, o que gera confusão
- Toques errados na tela ou dificuldade de movimentar bem as mãos levam com frequência à abertura involuntária de apps e mais confusão
Limites dos recursos de acessibilidade e necessidade de uma UI voltada para idosos
- Existe o recurso Assistive Access, mas ele não fica visível logo no processo inicial de configuração, o que dificulta o acesso
- Ao configurar o aparelho, ele pergunta a idade, então seria necessário oferecer algo como uma UI para maiores de 65 anos ou um modo sênior
- Os idosos não precisam de código de acesso, conta e informações complexas
- O botão Home “falso” do iPhone não é um botão real, então é difícil distingui-lo pelo tato
Comparação entre celulares tradicionais e smartphones, e alternativas sugeridas
- Até os feature phones usados anteriormente, como os da Nokia, também dificultam o próprio desbloqueio
- Se a função de desbloqueio for desativada, podem acontecer ligações acidentais para o número de emergência (999)
- A interface dos smartphones atuais não é adequada para idosos, e percebe-se que uma experiência simples no estilo de um flip phone seria mais útil
- Mesmo flip phones antigos muitas vezes têm funções demais e nem sempre são simples
Conclusão e propostas
- A grande lição é que simplificar um iPhone é extremamente difícil
- A Apple precisa considerar uma estrutura de menus mínima e uma interface intuitiva com feedback físico
- Reforça-se a necessidade de mais acessibilidade voltada para idosos, como um modo simplificado e o retorno de botões físicos
1 comentários
Comentários do Hacker News
iPhone e macOS já foram sinônimo de simplicidade, mas hoje o processo de configurar um aparelho novo é uma bagunça. Você precisa digitar o mesmo ID e senha várias vezes, e às vezes ainda pedem dados de outra conta. Há todo tipo de alerta, sugestões de recursos irrelevantes e escolhas de interface incompreensíveis, criando um ambiente confuso e pouco amigável. Quando o líder de estilo ditador some e todo mundo só liga para KPI trimestral, o resultado é esse
Tenho parentes idosos em casa que usam Mac, e quando ligam o computador depois de muito tempo aparece uma chuva insana de alertas para iniciar sessão no Apple ID. Surgem mais de 10 avisos e muitas vezes o app Ajustes trava. Eu costumo ser paciente, mas ver aquela janelinha me irrita profundamente
Uso Mac há mais de 20 anos, e antes disso era usuário de Linux e FreeBSD. A mudança de System Preferences para System Settings foi a pior alteração de todas. Antes havia janelas personalizadas por função, com opções ocultas para usuários avançados. Agora é só uma lista simples, e mesmo sendo tudo completamente diferente, tudo parece igual, então ficou muito mais difícil achar o que você quer. Acho que isso é resultado da migração para SwiftUI, e para mim até a decisão do Scott Forstall sobre o Maps não é nada perto dessa bagunça no Settings
É praticamente impossível conhecer todos os controles por gestos. A Apple age como se os usuários tivessem evoluído junto com as mudanças ao longo dos anos, mas quem não fez isso não tem como saber nem aprender nem personalizar. Cada app se comporta de um jeito, e é muito pouco claro o que dá para fazer com gestos
Trabalho com engenharia de software há muito tempo, e alguns meses atrás comprei um Mac e um iPhone por curiosidade em desenvolvimento para iPhone, mas a experiência foi de arrancar palavrão. O formulário para novos usuários suecos era péssimo, houve problemas de sincronização entre criar a conta e poder realmente usá-la, e mesmo assim as mensagens de erro não explicavam nada disso. No dia seguinte tudo funcionou sem problemas. Foi curioso conseguir falar com uma pessoa real no chat de suporte, mas eles não resolveram a questão, e eu jamais recomendaria a experiência de onboarding. Se puder, não compro Mac de novo
Três pessoas da família que entendem de TI se reuniram para resolver um problema em que minha mãe não conseguia entrar num app que assina. Toda vez que ela fazia login com a Apple, acabava clicando em "Ocultar Meu E-mail", então era cadastrada cada vez com um e-mail aleatório novo. Além disso, compartilhar compras de apps também é bem complicado. Alguns apps permitem compartilhamento, outros exigem pagamento extra. Não fica claro quem pagou o quê nem por que algo não aparece em certos aparelhos
O autor deste texto disse que "existe um modo de acessibilidade, mas leva muito tempo para configurar e é difícil de personalizar", mas na verdade o modo "Assistive Access" é bem simples. Ele remove a maior parte dos recursos complexos e transforma o que sobra em botões grandes e claros. Também é fácil de ativar, e é ideal especialmente para idosos ou pessoas com deficiência cognitiva. Recomendo muito (manual do Assistive Access)
No começo deste ano configurei um iPad para o meu pai usar com podcasts e YouTube, e no modo Assistive Access não existe jeito nenhum de desligar a rotação da tela. Mesmo desativando no modo padrão, isso não se aplica. Liguei até para o Apple Support, mas no fim não havia solução. Os ícones ficam girando e fica difícil ver vídeos deitado, então ele acabou parando de usar
O OP tentou mesmo o Assistive Access, mas lamentou que não exista uma opção tipo "modo para idosos" já na primeira tela de configuração
É um pouco triste que a Apple, em vez de tornar os aplicativos principais mais acessíveis, crie um conjunto separado de apps com o Assistive Access. Dá a sensação de prender o usuário num ambiente especial
Há partes limitadas demais. Por exemplo, pessoas com baixa visão como meus pais querem ampliar fotos para enxergar melhor, mas nesse modo nem sequer dá para dar zoom
Como na famosa citação de Bjarne Stroustrup, a realidade é que não são só os idosos: hoje em dia qualquer pessoa tem dificuldade para usar telefones modernos. "Antes eu desejava que meu computador fosse tão fácil de usar quanto um telefone; agora eu também não sei mais usar telefone"
Bjarne Stroustrup também é um verdadeiro sênior, com 74 anos. Mas eu estou só no começo dos 40 e mesmo assim fico perdido quando vou ajudar minha mãe com o iPhone. Eu uso Android
O telefone parece intuitivo porque as pessoas foram educadas para isso desde pequenas. Houve um esforço enorme para ensinar as pessoas a usar telefone. Link para um vídeo de treinamento antigo
O celular deixou de ser a máquina mais simples da nossa vida e virou um monstro hiperpersonalizado e contextual. Para mudar um toque ou um papel de parede já é preciso consultar o manual
Trabalho como bibliotecário de tecnologia e passo cerca de 20 horas por semana ajudando idosos a usar seus aparelhos. Eu queria que engenheiros e designers observassem essa realidade nem que fosse por um momento. De longe, a maior reclamação é o desaparecimento do botão Home no iPhone/iPad. Muita gente migrou para Androids que ainda têm botão Home ou botões físicos
O Android agora também vem com gestos por padrão, então tenho que reativar a navegação antiga de três botões
Estou cansado dessa tendência atual de UX de remover botões físicos e substituí-los por gestos nebulosos. Para quem tem dificuldade motora é muito duro também. Eu ainda me agarro desesperadamente ao iPhone 7. Tentei usar o celular mais novo da minha esposa e ficava deslizando para todo lado sem conseguir o resultado que queria. Talvez a tela sensível ao toque não seja a pior invenção de todas, mas certamente produziu muito design de IHC maldoso
<i>The Design of Everyday Things</i> deveria ser leitura obrigatória para os designers de UX da Apple. Antigamente esse tipo de livro era central na filosofia da Apple, mas isso ficou no passado. Se o usuário não sabe o que fazer, a culpa não é dele, e sim do designer. Hoje há funções demais no iOS que não podem ser percebidas visualmente. A causa do problema é clara: não é o usuário
Ao ensinar alguém a usar um iPhone, não presuma que você precisa explicar todos os recursos que conhece. É melhor perguntar o que a pessoa quer fazer e ensinar só aquilo. E ainda hoje é possível configurar um iPhone sem senha. Para idosos, isso pode ser melhor
E quando uma atualização é instalada, não tem como escapar da janela que força a definir uma senha. Isso aconteceu de verdade no iPad da nossa família este mês. De um dia para o outro ele começou a exigir um código
A criptografia forte por padrão também assusta. Se você esquecer a senha, os dados podem sumir para sempre. Só uma minoria minúscula realmente precisa desse nível de segurança; para a maioria, a conveniência e a acessibilidade importam mais do que esse risco. (Já vivi pessoalmente um caso muito triste relacionado a isso)
O leitor de digitais sob a tela do Android costuma ser meio difícil para a maioria das pessoas, porque exige acertar o ângulo e ainda controlar pressão e tempo. Alguns parentes meus acabaram voltando para a senha ou até usando sem nenhuma proteção
Parece uma admissão de que a UX do iPhone é de fato pior do que a de PCs. Num PC, recursos desnecessários não vêm todos instalados por padrão; você procura o que quer e usa se quiser. No iPhone, a filosofia da Apple é enfiar tudo junto, e o usuário é forçado a se adaptar. Isso ainda é agravado por políticas de marketing
Não é um problema só do iPhone ou da Apple. Hoje tudo é complicado. Android, Windows, Linux, tudo está assim. Até gente jovem e muito instruída sofre com problemas tecnológicos. Se o autor tivesse ensinado Android, teria passado pelas mesmas dificuldades. Como exemplo, no caso do nosso médico, o consultório foi absorvido pela NYU Langone e, apesar de todo o sistema de TI de ponta, a maioria da equipe médica sofre muito para usar aquilo. Há até pessoal de suporte no local o tempo todo. A acessibilidade precisa abranger discoverability, utilidade e affordance. Terminologia e linguagem de design também são muito importantes. Um glossário também é essencial. Todo mundo só aponta erros, mas seria mais produtivo discutir mais exemplos de produtos bem feitos. Por exemplo, eu sempre achei os utensílios de cozinha da OXO realmente excelentes no uso
Eu também tenho doutorado em engenharia, programo e ainda tenho IoT como hobby, mas não consegui usar corretamente um purificador de água novo no trabalho. Tinha que apertar vários botões, depois apertar e segurar outro quando uma luz inesperada acendia... eu simplesmente não entendia. Só consegui usar quando o time inteiro veio junto e me mostrou uma demonstração. Tive a mesma sensação com um chuveiro que eu não conhecia
Na nossa empresa acontece algo parecido. Os produtos estão ficando cada vez mais complexos, e formulários que antes exigiam poucos botões viraram interfaces complicadas, em que você precisa clicar 10 vezes para achar o que quer
O problema é que software pune estabilidade e recompensa mudança. Mesmo que o produto esteja perfeito, se ele ficar anos sem mudar passa a impressão de "ninguém compra" ou "está velho", então as mudanças desnecessárias continuam. Microsoft Word é um caso parecido. Esse fenômeno vai continuar
O tutorial do Panic Playdate impressiona por ser tão intuitivo que você pode simplesmente entregar o aparelho a um amigo, e ele já consegue usar na hora. Eu o usei bastante nos primeiros um ou dois meses; se eu compraria um no futuro, isso depende da necessidade de cada um
Concordo que acessibilidade precisa abranger discoverability, usabilidade e utilidade. Fico pensando se pessoas não acostumadas com UI/UX moderna deveriam customizar a interface do seu próprio jeito, e como um sistema de UX poderia recomendar a melhor interface para cada indivíduo
Toda vez que deslizo de baixo para cima, a tela às vezes desce pela metade. Eu nunca entendi direito o que essa função faz nem como ativá-la quando eu realmente quero
Essa função é o "Reachability", pensada para permitir alcançar a parte superior da tela com um único polegar. Mas ela é acionada por engano com facilidade demais (guia do Reachability)
Só para constar, dá para desligar em Settings > Accessibility > Touch
Isso era bem menos comum de ativar por acidente no iPhone 6 Plus, quando ainda havia botão Home. Hoje ele é acionado deslizando para baixo a partir da borda inferior da tela. Dá para desativar em Settings > Accessibility > Touch > Reachability
Acho que encontrei meu povo! Vou desligar isso agora mesmo
É um recurso pensado para facilitar alcançar o topo da tela ao usar com uma mão
Meu pai veio da área de TI e, depois de se aposentar, dá aulas na AARP. Ele já ensinou iPhone e, mais recentemente, ChatGPT; a procura foi tão grande que precisaram mudar para uma sala maior. O mais importante é ensinar apenas os recursos que as pessoas realmente vão usar. Por exemplo, no curso de ChatGPT ele contou como a ferramenta ajudou a entender resultados de exames médicos, em vez de focar em geração de código. Isso permitiu buscar tratamento mais rápido, sem precisar esperar pelo médico. A maioria das pessoas quer aprender só o mínimo necessário. Quando a complexidade vira um problema, ele recomenda o modo Assistive Access (guia do Assistive Access). Além da abordagem técnica, ele também orienta as pessoas a aproveitarem aulas oficiais da Apple Store e atendimentos presenciais
Espero que no curso de ChatGPT ele também explique aspectos éticos, como o experimento mental do quarto chinês
Fico curioso se ele também aborda os riscos do ChatGPT e dos LLMs. Ensinar idosos é ótimo, mas também há preocupação com efeitos colaterais
Com a idade, a pele fica mais seca, e isso piora a resposta das telas sensíveis ao toque. Quando isso se soma a interfaces realmente complexas, a frustração dobra. Eu vejo com frequência meus pais tocando ou arrastando na tela e nada acontecer, e isso parte meu coração porque parece que eles se sentem incapazes. Só por essa geração dos meus pais, precisamos de mais celulares cheios de botões, não dos últimos iPoop Galaxy S