1 pontos por GN⁺ 2025-09-20 | 1 comentários | Compartilhar no WhatsApp
  • Este texto questiona a ideia fixa de que a orientação de um mapa-múndi deve sempre ter o norte na parte de cima
  • Em países do hemisfério sul, um mapa com o sul para cima pode parecer mais familiar
  • Os mapas são produzidos e usados de acordo com convenções, e não existe um critério real para 'cima' e 'baixo'
  • O uso do mapa padrão com o norte no topo tem origem em contextos históricos e culturais
  • Na visualização e interpretação de informações, campo de visão e perspectiva exercem influência

Visão geral

  • O tema “Este mapa não está de cabeça para baixo” questiona a percepção convencional sobre a orientação dos mapas-múndi que usamos normalmente
  • No mundo moderno, os mapas mais usados em geral colocam o norte em cima e o sul embaixo
  • No entanto, essa orientação não é uma necessidade geográfica, mas algo baseado em contextos culturais e históricos

Origem e convenções da orientação dos mapas

  • Os mapas com o norte para cima se desenvolveram principalmente a partir de uma tradição eurocêntrica e se tornaram o padrão global
  • No passado, muitas culturas colocavam na parte superior do mapa a direção que lhes era mais significativa (por exemplo: leste, sul)
  • Em alguns países do hemisfério sul (por exemplo, Austrália e Nova Zelândia), mapas com o sul para cima podem ser vistos como algo natural
  • Do ponto de vista geográfico real, a distinção entre cima e baixo é arbitrária

Mudança de perspectiva e de pensamento

  • A orientação dos mapas não é um fato objetivo, e a distinção entre “cima” e “baixo” é uma convenção visual das pessoas
  • Convenções podem mudar, e isso mostra que existem diferentes perspectivas e visões de mundo
  • Na elaboração de mapas ou na visualização de dados, a interpretação das informações pode mudar conforme a direção ou a disposição, como ocorre com o efeito de enquadramento

Conclusão

  • A mensagem “Este mapa não está de cabeça para baixo” enfatiza que as formas de representação e visualização que consideramos naturais são relativas
  • É um lembrete de que precisamos de diversidade de perspectivas na maneira de olhar para o mundo

1 comentários

 
GN⁺ 2025-09-20
Comentários do Hacker News
  • Estou cansado de ver sermões moralistas sobre mapas de cabeça para baixo; na verdade, este é um exemplo interessante de algo que parece errado, mas não está errado de forma alguma. É tolice transformar essa sensação de “errado” do observador em falha moral. Quase todos os mapas da sociedade são feitos com uma orientação arbitrária; isso não acontece por preconceito nem por maldade, e sim por diferença de convenção.
    • Acho que essa forma de crítica, no estilo de apontar o dedo, acaba até sendo contraproducente. Em treinamentos de RH tentaram mostrar perspectivas diversas, mas no fim só trataram disso como um clichê óbvio de “perspectiva da minoria” e de um jeito que agride o outro. Ninguém gostava desses treinamentos; só ficava o consenso de que era perda de tempo. Como nos discursos do Obama, dizer para os outros “você teve mais vantagens” não ajuda em nada a persuadir, porque na prática cada pessoa pode ter tido uma vida difícil à sua maneira.
    • Também acho batida essa indignação com o enquadramento de “pessoa má”. Parece que a mentalidade da guerra cultural online se infiltrou em tudo. Em nenhum lugar do mapa ou da explicação está sendo dito que você é mau; isso é pura projeção.
    • Eu nem sinto esse efeito. É só um mapa de cabeça para baixo; não há nenhum frescor que bagunce a cabeça. Se você virar uma caneca, não vira algo novo, só uma caneca virada.
    • Esse assunto já foi repetido tantas vezes como “mal-entendido” ou “superstição” que agora o verdadeiro equívoco é achar que ainda existe muita gente alfabetizada que nunca viu esse tema antes.
    • Não há nada de errado em se sentir desconcertado ao ver o mundo por uma perspectiva diferente do costume. O verdadeiro problema é afirmar que só a perspectiva tradicional é correta. Sermão moral não é bom, mas achar que ver o mapa de cabeça para baixo é o mesmo que ver uma caneca de cabeça para baixo, ou que isso vem de alguma maldade, merece crítica. Essa atitude é muito difundida. Exemplos assim são um convite para perceber que nossos costumes não são verdades absolutas, e sim costumes. O fato de algo parecer estranho, mas na prática não estar errado, é algo que se aprende por experiências como essa.
  • O próprio tema de “psicologicamente, vemos o que está em cima como bom e o que está embaixo como ruim” era tão previsível que me fez querer saber quem plantou esse juízo de valor em nós; a resposta está na própria linha do artigo.
    • Em O Pêndulo de Foucault, do Eco, um personagem diz que “não existe imagem típica, só existe o corpo”, e então explica: “o alto é melhor que o baixo porque, ao abaixar a cabeça, o sangue corre para o cérebro; porque os pés cheiram mal e a cabeça cheira menos; porque subir numa árvore para colher fruta é melhor do que ser enterrado no chão e virar comida de verme; porque é raro se machucar batendo em algo acima, mas é fácil se machucar ao cair”. Em termos de gravidade e energia potencial, subir é resultado de esforço e propósito, enquanto cair é resultado de acaso ou descuido. Até numa briga, quem está por cima leva vantagem, e quem está embaixo fica em desvantagem por falta de energia e espaço.
    • Recomendo fortemente o livro "Metaphors We Live By". A ideia é que as metáforas não são arbitrárias, mas parte de esquemas cognitivos. Por exemplo: “mais é para cima, menos é para baixo”, “bom é para cima, ruim é para baixo”, “virtude é para cima, corrupção é para baixo”, “racionalidade é para cima, emoção é para baixo”, “controle é para cima, ser controlado é para baixo”. É apresentado como um livro que muda a visão de mundo.
      Link para o texto completo de Metaphors We Live By
      Review do Norvig pela perspectiva de IA
    • “Seu humor caiu ou as coisas estão indo bem?”, “você admira alguém ou passa muito tempo desprezando os outros?”, “você está no topo do mundo ou subindo desde o fundo?” — esse tipo de metáfora de cima e baixo está espalhado por toda a linguagem, e não é característica de uma única língua.
    • Ver o conceito de Global North and Global South
    • Parece haver uma forte correlação entre esse padrão de comportamento e a direção em que lemos, de cima para baixo; e isso, por si só, talvez tenha sido decidido arbitrariamente por autores da Antiguidade.
  • Quero mencionar em especial um dos mapas oficiais da Argentina.
    Imagem de mapa invertido da Argentina
    • Pode até ser um mapa oficial, mas sou argentino e nunca vi esse mapa.
    • Está reivindicando casualmente parte de território britânico.
    • Acho realmente muito legal; obrigado por compartilhar.
  • Como 90% da população mundial e 68% das terras estão no hemisfério norte, acho plausível colocar o norte em cima.
    • Discordo; o mapa deveria ser mais pesado embaixo para ficar estável.
    • Se dividíssemos o mapa ao meio pelo equador e colocássemos norte e sul nas laterais, acho que todo mundo ficaria insatisfeito.
    • Se você colocar o mapa embaixo, sobre a mesa, a terra fica mais perto e mais fácil de ler. Na verdade, como todos os critérios são arbitrários, dá para justificar qualquer coisa.
    • Se os primeiros exploradores do mundo fossem do hemisfério sul, e a tradição de “sul em cima” já estivesse estabelecida, fico me perguntando se ainda hoje o lado com mais terra em cima pareceria melhor.
    • Não vejo por que exatamente é bom o hemisfério norte ficar em cima do mapa; duvido que exista alguma razão para o alto ser melhor que o baixo.
  • Como não gosto de sermão moral, pensei nisso por um ângulo técnico. Aí me ocorreu: por que as abas e a URL do navegador ficam em cima, mas a barra do OS fica embaixo? Na verdade, parece que funcionaria bem invertido, e no mobile isso seria até mais conveniente. De fato, dá para mudar isso como opção. Nos plugues americanos, o pino de aterramento aponta para baixo, mas dizem que invertido seria mais seguro. E por que num relógio o 12 precisa estar em cima? Alguns cadeados têm os pinos em cima, outros embaixo. Em teclados numéricos, o 1 fica em cima ou embaixo dependendo do contexto. Em conectores como HDMI, por que o lado mais longo normalmente fica em cima? Esse tipo de inversão pode trazer insights novos não só sobre mapas, mas sobre o pensamento em geral.
  • Acho que é uma bela metáfora para a possibilidade de o oposto também ser verdadeiro.
    O sistema de endereços do Japão nomeia os quarteirões, não as ruas.
    Link relacionado
    Na música da África Ocidental, o “1” do compasso aparece no fim da frase, não no começo.
    Link relacionado
    E há a frase de Joan Robinson de que qualquer coisa que se possa dizer com precisão sobre a Índia, o oposto também pode ser verdadeiro.
    TED talk: Derek Sivers
    • Em termos de sistemas de endereço, na Europa em geral se numeram as casas em sequência ao longo de uma rua inteira, enquanto nas Américas os números são atribuídos por rua com base no início do quarteirão e no trajeto da via. E, por referência, cidades antigas da Suécia e da Finlândia também têm nomes de quarteirões.
    • Brasília é como o Japão: só as grandes vias têm nome, e todos os endereços são baseados em quarteirões.
  • O termo “Global North” e “Global South” é o que mais me incomoda; de qualquer lado parece ofensivo. Por exemplo, a China é um país enormemente rico e desenvolvido, com milhares de anos de história e grande influência cultural, mas está no hemisfério norte. Já a Austrália, no hemisfério sul, seria menos desenvolvida, e a Nova Zelândia sofre com falta de investimento, mas mesmo assim entram como “norte”. Fico me perguntando se é só porque as línguas são europeias. E a Argentina tem até tecnologia nuclear; por que então seria “sul”? Parece tudo completamente arbitrário e político, e a forma de dividir dá a sensação de enfatizar conflitos entre países, então não consigo aceitar isso.
    • Se fosse tão ofensivo assim, Índia e China não estariam disputando tanto para liderar o “Global South”. Para o desenvolvimento moderno em rede, é preciso criar uma nova narrativa, e a divisão Global North/South vem ganhando força. Quando se pensa que a Índia tem capacidade de lançamento orbital e a Austrália não, a antiga divisão entre “país desenvolvido e país em desenvolvimento” parece menos adequada. Global North/South é uma alternativa melhor. Ficar irritado com esse tipo de classificação lembra a lógica de achar que só o G7 é natural e que BRICS etc. são perigosos. A Austrália não é do norte, mas também não é do oeste, então ninguém gostaria de classificá-la como “Oriente”.
    • Ainda bem que não sou o único a me sentir assim. É uma classificação abrangente demais e ultrapassada, sem significado real. Ignora a ascensão e queda dos países e mostra a tendência humana de se apegar a lógicas binárias.
    • Não concordo que a divisão Global North/South seja arbitrária. Originalmente ela foi definida por fatores econômicos e adotada pela ONU e outros organismos. O rótulo norte/sul surgiu porque a maioria dos países de um lado fica no hemisfério norte; por isso não vejo grande problema na terminologia. Independentemente de a Austrália e a Nova Zelândia terem infraestrutura rural precária, continuam sendo países desenvolvidos. O Global South também serve para financiamento e benefícios de desenvolvimento. A China ainda tem PIB per capita de cerca de um quarto do da Austrália, e a Rússia talvez em breve saia do Global North. Coreia do Sul e Japão são claramente Global North. O enquadramento de justiça social não se aplica; como essa classificação econômica não é uma divisão entre inimigos e aliados, criticar sua “arbitrariedade” não faz sentido.
    • Usa-se Global North/South para escapar de “primeiro mundo” e “terceiro mundo”. Na verdade não é um termo perfeito, e eu também não gosto muito dele, mas é melhor que os anteriores. Esse tipo de distinção continua sendo necessário na prática, e como precisa de um nome, continua em uso.
    • E quanto a uma divisão leste-oeste?
      Quadrinho relacionado do xkcd
  • No Japão, em parques e postos de informação, a orientação dos mapas físicos é instalada de forma a coincidir com a geografia real; isto é, o norte do mapa aponta para o norte real. Esse processo em si exige um ajuste muito mais preciso do que simplesmente usar um mapa com “norte para cima”, incluindo situações em que no fim é preciso mover a posição em 10 m ou girá-la. Sempre que vejo mapas assim, penso em quantas premissas aceitamos sem perceber.
    • Isso é parecido com a questão de a seta do navegador apontar sempre para cima ou de o mapa ficar fixo enquanto o carro gira.
    • O mapa acima da cabeça do observador precisa ser atualizado a cada caso; se for um mapa físico colocado na horizontal, às vezes só é preciso deslocar, não girar. Na Europa também não faltam exemplos assim. O termo <i>Einnorden</i> também surgiu em mapas ao ar livre, e a própria palavra “Orientation” vem do antigo costume europeu dos mapas T and O, em que o leste (onde nasce o sol, Jerusalém) ficava em cima.
      Link sobre mapas T and O
      Mas também vale notar que o grid de Manhattan na prática não está com o norte para cima.
    • Os mapas locais nas ruas do Reino Unido também são ajustados à geografia real. Como estou acostumado com o norte sempre para cima, tive de inclinar a cabeça para conseguir ler o mapa direito.
    • Guias impressos também fazem isso, provavelmente para aproveitar ao máximo o espaço do papel.
  • O norte passou a ser colocado em cima quando a imprensa tornou possível a produção em massa e foi necessário definir uma orientação padrão. Sob influência da bússola, era preciso escolher entre norte e sul, e quem usou a prensa primeiro foram os povos do norte.
    • O norte se consolidou porque os navegadores europeus usavam a Estrela Polar para navegação. A bússola e a Estrela Polar eram importantes demais para exploração e navegação. A imprensa também se desenvolveu alinhada aos mapas práticos dos exploradores, não por razões religiosas ou políticas.
    • A própria palavra "Orientation" significa leste, o lugar onde o sol nasce.
    • Fico curioso sobre como eram os mapas chineses na época; imagino que colocassem o continente chinês no centro.
  • Acho que a questão importante não é colocar o sul em cima, mas usar uma projeção desenhada do ponto de vista do sul, para que o hemisfério sul pareça maior e o norte menor. Em vez de um enquadramento de cima/baixo, bem/mal, a imagem do que parece maior é muito mais poderosa. Por isso achei uma pena que o artigo não tenha mencionado esse ponto.