2 pontos por GN⁺ 2025-09-20 | 1 comentários | Compartilhar no WhatsApp
  • A equipe do Deno lançou uma campanha para arrecadar US$ 200 mil a fim de libertar a marca registrada "JavaScript", de propriedade da Oracle, para o domínio público
  • Se vencer esta ação, será possível criar um ambiente em que todos os desenvolvedores e empresas possam usar livremente o nome "JavaScript"
  • Com a entrada na fase de discovery (produção de provas), os custos do processo aumentaram para cobrir pesquisas especializadas, depoimentos de especialistas e registros do setor
  • A Oracle declarou oficialmente que "JavaScript" não é um nome genérico e está litigando com base nessa posição; em resposta, o Deno vem contestando com uma petição pública e argumentos jurídicos
  • O caso tem um significado mais amplo: a confiabilidade fundamental do direito de marcas e a garantia de justiça para todo o setor de TI

Visão geral

  • O Deno apresentou ao escritório de patentes dos EUA uma petição de cancelamento (Cancellation Petition) sobre a marca registrada "JavaScript", de propriedade da Oracle
  • Esse movimento não é apenas para beneficiar o Deno, mas para que todos os desenvolvedores, conferências, autores e empresas possam usar livremente o termo "JavaScript"
  • Se o Deno vencer esta ação, "JavaScript" passará ao domínio público (public domain) e qualquer pessoa poderá usá-lo sem ameaça legal

Por que arrecadar US$ 200.000?

  • Litígios federais custam muito caro
  • O caso já entrou na fase de discovery (produção de provas), que hoje exige mais custos e recursos
  • Para conduzir uma ação robusta, é necessário financiar itens como:
    • Pesquisas especializadas com validade jurídica: processo para demonstrar que "JavaScript" não é o nome de uma marca específica, mas o nome de uma linguagem de programação reconhecida por todos
    • Peritos e testemunhas especializadas: autoridades acadêmicas e do setor que possam depor sobre a história e o significado de "JavaScript"
    • Registros e depoimentos de órgãos de padronização, fornecedores de navegadores e líderes do setor: materiais que mostrem que a Oracle não participou do desenvolvimento da linguagem
    • Redação e apresentação de documentos jurídicos para responder às alegações da Oracle
  • Se sobrar dinheiro da arrecadação, ele será doado à fundação OpenJS para apoiar a defesa das liberdades civis digitais; nem US$ 1 irá para o Deno

A posição da Oracle e a situação atual

  • Em 6 de agosto de 2025, a Oracle apresentou oficialmente sua resposta à solicitação de cancelamento do Deno, afirmando que "JavaScript" não é um nome genérico
  • O Deno e os desenvolvedores enfatizam que "JavaScript" é o nome de uma linguagem usado por todos e, na prática, um termo sem relação com a Oracle
  • O sistema de marcas não deve servir para alguém monopolizar um nome de uso comum, mas sim focar na proteção de marcas comerciais reais
  • A lei dos EUA deixa claro que uma marca não pode ser protegida se for um nome genérico ou tiver sido abandonada (abandoned)
  • O Deno divulgou seus argumentos detalhados por meio da petição e de uma carta aberta

A importância do processo e seu impacto no setor de TI

  • Se o Deno perder na fase de discovery, isso marcará um ponto crítico em que a Oracle consolidará sua propriedade exclusiva sobre a palavra "JavaScript"
  • Essa disputa não envolve apenas o nome de uma linguagem, mas também a credibilidade e a justiça de todo o sistema de marcas
  • Se a Oracle vencer, o risco de intimidação do setor por meio do abuso de marcas pode se tornar realidade
  • Por isso, o Deno pede apoio e participação da comunidade de desenvolvedores para garantir que a lei seja aplicada conforme sua finalidade
  • Também solicita que a campanha de arrecadação seja compartilhada e ampliada, para ajudar a preservar a saúde de todo o ecossistema de TI

1 comentários

 
GN⁺ 2025-09-20
Opiniões do Hacker News
  • Não entendo por que estão criticando a Deno aqui; considero isso quase um serviço público. A Deno não tem nenhum ganho prático real com isso, e o mesmo vale para inúmeros projetos, de Chrome e Node.js a sites de tutoriais e empresas ligadas a JS. Mesmo sendo uma empresa apoiada por VC, acho válido pedir doações ao público se estiver contribuindo para o interesse coletivo. Ninguém está dizendo que esse dinheiro vai ser usado no desenvolvimento do produto.

    • Mesmo tendo recebido investimento de VC, ainda acho a Deno uma boa iniciativa. Ela oferece valor real à comunidade de desenvolvimento JS, publica todo o código como open source, e hoje em dia fico curioso se ainda há alguma desvantagem em usar Node no lugar de Deno.

    • Parece que, por falta de adoção, estão focando em eventos desse tipo. Isso não dá mais motivos para convencer o departamento de TI a incluir Deno na imagem do SO. Seja JavaScript, ECMAScript, JScript ou WhateverScript, não acho que isso em si seja o ponto importante.

    • Acho que o verdadeiro serviço público nesse caso seria simplesmente abolir a própria marca registrada. Sinceramente, eu preferia ser pago para sofrer só de ouvir falar dessa linguagem.

  • Nem acho que isso seja uma luta entre David e Golias; é uma luta entre o bebê do David e Golias. A Oracle é uma empresa que gasta mais com advogados do que com engenheiros. Mesmo que levantem US$ 200 mil, isso no fim vai ser só jogado fora em custos judiciais. A menos que a Oracle resolva largar isso por conta própria, a Deno só vai desperdiçar dinheiro e eles nem vão se importar. Melhor a equipe focar em outros projetos; nem acho que isso mereça estar no site.

    • A Deno argumenta que essa arrecadação poderia ser usada não para honorários advocatícios, mas para descoberta de provas, obtenção de testemunhas, pesquisas e afins. Provavelmente conseguiram advogados pro bono; vencer a Oracle daria um belo impulso na carreira, então deve haver quem aceite assumir isso de graça.

    • Sei que há muitos arranjos com advogados e modelos pro bono, mas US$ 200 mil ainda me parece um valor realmente pequeno no meio jurídico.

    • Mesmo que esses US$ 200 mil acabem sendo desperdiçados, se pensar em quanto a Oracle terá de gastar a mais para bloquear isso, talvez ainda valha a tentativa se a proporção for boa. Afinal, é a Oracle que está agarrada sem necessidade à marca JavaScript.

    • Se a Deno está em vantagem nos fatos, então ainda parece ter algum valor.

  • Eu gostaria que o nome “JavaScript” deixasse de ser usado de uma vez; acho um dos piores nomes já dados a uma linguagem popular.

    • O codinome da linguagem baseada em protótipos era “Mocha”, e isso era muito melhor. “LiveScript”, usado no lançamento, também era aceitável. A mudança de nome aconteceu por razões de marketing, para aproveitar a popularidade de “Java” e enfatizar a parceria com a Sun. Na época, Java dominava o backend, e JS foi pensado como um parceiro leve e interpretado para o frontend, mas na prática essa integração fracassou e os caminhos já se separaram bem no começo.

    • Pela minha experiência, quase ninguém liga para esse nome. É um nome usado há tanto tempo que as pessoas simplesmente continuam usando. Há tantos nomes estranhos em software que a gente para de prestar atenção.

    • Tive a ideia de um site para arrecadar doações a favor ou contra questões específicas. Você gerencia tudo com uma única variável que pode ficar negativa, e a plataforma mantém apenas o dobro do valor do lado derrotado. Nesta era de ódio e polarização, isso talvez até funcionasse. Meio brincando, claro.

    • JS é melhor, e seria engraçado dizer que JS é um acrônimo recursivo de JS Script.

    • Acho que, se a indústria adotasse um novo nome como ECMAScript, também evitaria o problema da marca. Gestores e planejadores sem formação técnica ainda confundem Java com JS. Na prática, raramente se usa JS “puro”; a maioria usa TypeScript, React, o framework da moda do momento, WASM etc. O problema é que já é difícil convencer o setor inteiro a mudar o vocabulário.

  • O nome “JavaScript” já era absurdo desde o início. Foi criado enfiando Java como termo de marketing. Eu sou a favor de chamar de WebScript e seguir em frente.

    • Parece a lógica de que basta pegar uma linguagem já registrada e adicionar “Script” no final. Daí pensei na piada de chamar de JavaScriptScript.

    • Se criassem uma nova marca, o problema pareceria se resolver facilmente. Não sei se realmente vale a pena brigar por causa do nome.

    • Na verdade, bastaria renomear para “JS” e passar a discutir como pronunciar: “jota esse”, “jota cê”, “jãs”, “jés” e por aí vai.

    • Ou melhor, pelo contrário: pelo que sei, Java já era famosa, então Brendan Eich colocou o nome de propósito na nova linguagem.

    • Também pensei na ideia de chamar de EichScript, ou abreviar para ES.

  • Acho que a Oracle deve ter umas cem pessoas no jurídico ganhando mais de US$ 200 mil por ano. Se a Deno tentar esse processo de forma desajeitada, pode acabar prejudicando a própria comunidade JavaScript. Pode terminar só deixando um precedente jurídico ruim.

    • Se não tentarem agora, talvez nunca mais surja uma oportunidade dessas.

    • Fico me perguntando quanto dinheiro e pessoal a Oracle realmente já gastou para proteger essa marca. Eles realmente processam por infração? Anunciam em revistas? Quanto dinheiro de fato ganham por possuir a marca? Será que realmente gastariam ainda mais para defendê-la?

  • A Oracle possui essa marca em vários países. Mesmo que ela seja cancelada no escritório de patentes dos EUA, ainda seria preciso seguir procedimentos separados em cada país, então, para projetos e empresas globais, o risco continua existindo. A Oracle não usou o processo de Madri/WIPO, mas registrou diretamente em cada país, então uma invalidação nos EUA não tem efeito algum sobre os demais países. Mesmo que a Oracle perca, ainda continuaria existindo o ônus de defender a marca em outros lugares, ou o risco de novas contestações.

  • Só de ouvir a palavra Oracle já me dá vontade de doar. Normalmente não tenho interesse nenhum em fazer doações ou apoiar causas, mas quando aparece a Oracle, algo me move.

  • Na verdade, eu até gostaria que a Oracle proibisse completamente o uso do nome “JavaScript”, para que todo mundo passasse a chamar de “JS” e separasse de vez isso de Java.

    • Se perguntarem de que “JS” é abreviação, dá para responder: “não significa nada além dele mesmo”.

      • Isso me lembra a velha lenda urbana sobre KFC: de que deixaram de usar 'Kentucky Fried Chicken' por causa de frangos geneticamente modificados e passaram a usar só KFC. Dá para entender JS nesse mesmo espírito.

      • PHP originalmente significa PHP Hyper Processing; JS também pode significar JS Script.

      • Para a pergunta “JS significa o quê?”, dá para brincar dizendo “símbolo de devoção, ousadia e coragem” ou qualquer outra coisa.

      • Também dá para fazer a piada: “O que significa JS?” “É porque não consegue se sentar”, no estilo trocadilho com rimshot.

      • Também acho que daria para usar simplesmente ES, como abreviação de ECMAScript.

  • Fiquei surpreso com tanta menção a ECMAScript. Pessoalmente, acho um nome péssimo.

    • Minha sugestão é renomear para MochaScript; soa mais atraente, como café espresso. ECMAScript, no fim, vem da especificação oficial do JavaScript.

    • Há quem rejeite “ECMAScript” porque soa como “eczema”.

    • ECMAScript é a linguagem base do JS; JS é a versão com camadas adicionais por cima, como o objeto navigator.

    • Acho difícil mudar para outro nome que não seja EcmaScript, porque já existem milhões de referências próprias acumuladas.

    • O nome 'JavaScript' sempre foi cheio de potencial para mal-entendidos, e MozillaScript teria sido melhor. Ao mesmo tempo, por princípio, já não gosto do que a Oracle quer.

  • É uma pena que as gigantes de TI com muito dinheiro não considerem nada demais contribuir com algo como US$ 200 mil para “libertar” o JavaScript, mas ainda assim não apareçam para ajudar.