1 pontos por GN⁺ 2025-09-07 | 1 comentários | Compartilhar no WhatsApp
  • A Comissão Europeia aplicou uma multa de 2,95 bilhões de euros à Google
  • O principal motivo foi o abuso de posição dominante da Google no mercado de tecnologia de publicidade
  • A entrada no mercado e o crescimento de serviços concorrentes de intermediação de anúncios foram restringidos
  • A Comissão enfatizou a necessidade de criar um ambiente de concorrência justa
  • A decisão sinaliza um movimento de fortalecimento da regulação dos mercados digitais na Europa

Comissão Europeia multa Google em 2,95 bilhões de euros

Visão geral

  • Em 14 de junho de 2024, a Comissão Europeia aplicou uma multa de 2,95 bilhões de euros (cerca de 3 trilhões de won) à Google
  • O principal motivo da sanção foi a acusação de abuso de posição dominante pela Google no mercado de serviços de intermediação de publicidade online

Conduta da Google no mercado de ad tech

  • A Google usou sua posição monopolista no mercado de intermediação de anúncios (ad tech) para impor restrições severas à oferta e ao crescimento dos serviços de intermediação de anúncios de concorrentes
  • As plataformas de tecnologia de publicidade da Google, como Auction e Ad Manager, obtiveram acesso privilegiado em relação aos concorrentes
  • Como resultado, criou-se um ambiente em que, para operadores de sites e anunciantes, usar os produtos de publicidade da Google se tornou praticamente a única opção

Ambiente concorrencial e impacto no mercado

  • A entrada de outras empresas de ad tech no mercado e sua expansão foram significativamente bloqueadas
  • A Comissão Europeia avaliou que essa conduta prejudicou gravemente a concorrência justa
  • Houve impacto negativo sobre a inovação e a diversidade em todo o mercado de publicidade digital

Posição da Comissão Europeia e diretrizes regulatórias

  • A Comissão apresentou como tarefa essencial a criação de um ambiente de concorrência justa no mercado digital europeu
  • Indicou que irá reprimir com firmeza práticas desleais de empresas com posição dominante no mercado
  • A decisão também sugere a possibilidade de monitoramento contínuo e regulamentações adicionais nos setores digital e de publicidade online

Perspectivas futuras

  • A Google sinalizou uma postura ativa de defesa, incluindo a possibilidade de medidas legais
  • O caso é visto como um precedente importante para a regulação de big techs na Europa
  • Para startups e empresas de TI, cresce a necessidade de atenção às mudanças de políticas relacionadas ao problema do monopólio de plataformas

1 comentários

 
GN⁺ 2025-09-07
Opiniões no Hacker News
  • Quero cortar pela raiz essa conversa de que “Google/Meta/Apple vão acabar saindo da UE”. O Google lucra mais de US$ 20 bilhões por ano na Europa, líquidos, mesmo depois das multas. Não vai dizer “estamos fora, fiquem vocês com esses US$ 20 bilhões por ano”. Se isso acontecesse, os acionistas tirariam os poderes do Sundar na hora. O Google continua operando até em países com barreiras protecionistas elevadas. A Coreia do Sul é um exemplo. No caso da China, o Google encerrou a busca porque concluiu que não ganharia mais muito dinheiro naquele mercado

    • Acho engraçado que, de um lado, chamam essa multa de chantagem e, de outro, se preocupam dizendo que seriam necessárias multas ainda maiores. A UE parece estar equilibrando bem esse ponto delicado

    • Se o Google saísse do mercado da UE, acho que haveria ainda mais mudanças positivas, estimulando inovação e concorrência

    • Acho difícil confiar na afirmação de que o Google interrompeu o serviço de busca na China porque o mercado de busca não dava dinheiro. Quando o Google saiu da China em 2010, tinha quase 30% de participação de mercado, então dizer que não era lucrativo parece estranho. Fonte

    • Concordo totalmente com você, mas, independentemente da multa, ainda não está claro o quanto a receita publicitária obtida de forma desleal vai cair daqui para frente. Se a mudança não reduzir a receita, vale apontar que o Google já teria operado assim desde antes

    • Dizer que “o Google vai ficar por causa dos US$ 20 bilhões por ano” significa justamente que a multa é insuficiente. É preciso aumentar a multa até o ponto em que os acionistas sintam o impacto, para que a diretoria do Google pare com essas práticas anormais

  • A propósito, para quem acha que a punição não é suficiente, fica a informação: a Comissão Europeia ordenou que o Google (1) pare com a prática de favorecer os próprios serviços usando sua posição dominante e (2) adote medidas para eliminar conflitos de interesse em todo o ecossistema de anúncios. O Google é obrigado a informar à UE, em até 60 dias, qual é o seu plano. Se não corrigir o problema, pode haver multas adicionais. O que a UE quer, na prática, não é punição, e sim correção

    • Talvez fosse ainda melhor se desse para ter os dois

    • Na prática, acho que esse prazo de 60 dias não significa nada. O Google vai arrastar a disputa judicial por mais de 5 anos e, nesse meio-tempo, ganhará mais alguns bilhões de dólares. No fim, a multa vai encolher, e o ciclo de contornar os consumidores por outros meios vai se repetir

  • Não acho que essa decisão esteja errada (sou da UE) e não gosto que empresas como o Google tenham poder demais. Mas me incomoda a forma como a Comissão tem poder de execução. Em países como a Suécia, deveria haver uma separação rigorosa entre Legislativo, Executivo e Judiciário. O modelo atual, em que a Comissão aplica multas ou define regras, traz risco de influência política, corrupção e execução injusta. Se o governo dos EUA sair em defesa do Google, pode haver um resultado sem relação com o espírito da lei. Num sistema como o sueco, isso seria impossível

    • Também tenho minhas críticas à estrutura legislativa da UE, mas a Comissão não cria leis por conta própria; ela só pode propor. A legislação de fato precisa ser aprovada pelo Parlamento e pelo Conselho. No fim, na UE o Executivo também exerce funções de aplicação da lei, como fiscalização e multas. A própria Suécia também tem órgãos ligados ao governo responsáveis por fazer cumprir a lei. E as multas podem ser ajustadas ou anuladas pelo Tribunal de Justiça da UE

    • A Comissão Europeia é, na prática, mais próxima do Executivo. Assim como a Finansinspektionen, equivalente sueca da SEC, pode aplicar multas ou suspender licenças por violação de regras, a Comissão Europeia desempenha papel semelhante. Dependendo do alcance, a necessidade de aprovação judicial pode variar

    • O problema é que as big techs conseguem usar um sistema de aplicação centrado nos tribunais para adiar a própria punição por décadas

    • Fico curioso sobre quais órgãos na Suécia têm poderes de execução. A polícia faz parte do Judiciário? E os órgãos de defesa do consumidor ou do meio ambiente, seguem uma estrutura parecida? Acho que esse modelo também pode gerar efeitos colaterais. No Japão, por exemplo, o sistema acabou virando algo em que, se houver denúncia formal, a condenação é praticamente certa

    • Você sabe que as “myndigheterna” ficam sob o governo, então, no fim das contas, o governo controla os órgãos de execução

  • Seja para anunciar online ou para participar como publisher, é quase impossível fazer qualquer coisa sem estar atrelado à plataforma do Google

    • Mesmo sem relação com publicidade online, fazer qualquer coisa na internet já está se tornando quase impossível sem isso
  • Acho uma medida realmente excelente. Queria que outros países seguissem o exemplo. Nos EUA, se tivessem separado o Chrome do Google, talvez tivéssemos tido um momento de “regeneração natural” da web

    • Eu até queria concordar com a ideia de que “a natureza se recupera”, mas a verdadeira recuperação viria no dia em que publicidade e marketing chegassem a zero. Empresas como Facebook e Google ganham dinheiro me enfiando coisas de que não preciso. Acho que a web só se salva quando marketing virar ilegal

    • É mais provável que outra big tech, como a MSFT ou a Meta, compre o Chrome e acabe assumindo de novo uma posição monopolista. Pior ainda: a estrutura atual do mercado favorece monopólios. O que precisa mudar é a própria estrutura do mercado, e isso é difícil sem um órgão legislativo competente. Ainda assim, a UE ao menos tomou alguma iniciativa com o DMA, o que dá um pouco de esperança

    • Eu não colocaria muita fé no sistema judicial dos EUA. Basta ver quanto os CEOs das big techs doaram para a posse do Trump para entender a realidade. E certamente há muita coisa que nem aparece publicamente; a sociedade funciona assim

    • Separar só o navegador, sem um ecossistema dedicado por trás, faria o modelo de receita desmoronar e deixaria quase nenhum valor ali

  • Fico curioso para entender como exatamente se aplica a primeira acusação, de que o DFP favorecia a AdX ao fornecer informações antecipadas em relação a outras ad exchanges. Queria saber, de forma concreta, que tipo de informação diferenciada o Google compartilhava em comparação com as outras exchanges

  • Também existe a percepção de que a UE ataca empresas de tecnologia em vez de cultivá-las. Esta é a quarta vez que o Google recebe uma multa superior a US$ 1 bilhão. Dá para dizer “é só cumprir a lei”, mas eu vejo a cena de tecnologia da UE como algo já morto. Seria preciso criar um ambiente em que concorrentes possam crescer

    • Esse não é o ponto principal. Não é só a Europa que está punindo o Google; os EUA e o resto do mundo também estão processando a empresa pelo mesmo motivo, as práticas monopolistas no mercado de AdTech. Na prática, quem mais ganha com essa decisão são outras empresas americanas. É como se a Europa estivesse fazendo a execução que os EUA não conseguem fazer

    • Política de concorrência tem uma longa história de pesquisa, experiência, arcabouço jurídico e estudo. Mercados perfeitamente competitivos são raros, e os mercados reais se afastam disso por causa de falta de anonimato, estruturas dinâmicas, assimetria de informação, integrações verticais e afins. A conduta do Google é um caso clássico de geração de ineficiência de mercado e viola a teoria básica de política concorrencial. Isso não é uma “esquisitice europeia”; é política de concorrência pura, formulada nos próprios EUA. Se os EUA não conseguem aplicá-la internamente, isso é captura regulatória. O Google parece representar a cena tech americana, mas, na prática, isso pode ser mais uma fraqueza do que uma força. A UE de fato tem várias outras políticas que acabam reprimindo sua própria cena tech, mas esta política concorrencial em si é normal

    • A afirmação de que “a cena tech da UE morreu” é um espantalho. Nem faz sentido dizer que a tecnologia europeia vai melhorar se empresas estrangeiras puderem violar a lei sem consequências, nem que a fiscalização entra em conflito com o desenvolvimento do setor tech

    • Essa conversa de que “a UE parece mais bater do que ajudar a indústria de tecnologia” foge do tema. Na prática, é frustrante que essas multas não signifiquem nada para o consumidor comum e acabem virando só manchete, sem mudança real. A UE deveria usar seu poder para provocar mudanças estruturais de verdade no mercado

    • Mesmo aceitando a analogia de que estão “tirando mais de US$ 1 bilhão do banco Google”, os EUA já fizeram algo semelhante dezenas de vezes com guerra comercial e tarifas, então é compreensível responder na mesma moeda

  • Também há quem diga que a Europa fez o que os EUA não conseguiram. O fato de a Comissão Europeia ter até sugerido uma separação dos serviços do Google mostra uma intenção concreta de enfrentar o monopólio

    • Os EUA também entraram, neste mês, na fase de remédios no caso ligado à tecnologia de anúncios. Ainda é cedo para dizer que os EUA não fizeram nada

    • Os EUA também venceram, no último ano, dois processos antitruste contra o Google, um sobre publicidade e outro sobre busca (relacionado ao Chrome)

  • É curioso que a comunidade do HN, que normalmente é pró-privacidade e contra publicidade, não tenha gostado tanto assim dessa notícia

    • O HN tradicionalmente tem uma antipatia forte pela Europa
  • Li essa matéria várias vezes, mas ainda acho difícil entender por que é problemático o Google preencher anúncios usando a própria plataforma de ad exchange. No fim, o próprio Google também define os lances dos anúncios, então fico me perguntando se o que a UE quer é uma estrutura com mais intermediários. Também fico confuso se isso deixaria de ser um problema caso o Google usasse outras exchanges. A Apple também força o uso da própria App Store

    • Pelo meu resumo rápido, o problema é que o Google (1) impedia anunciantes de trabalhar com outras empresas de publicidade, (2) restringia o compartilhamento de dados com outros participantes na plataforma AdX para garantir vantagem no mercado e (3) manipulava a primeira etapa das transações dentro da plataforma em benefício próprio. Não é justo que o Google participe como concorrente dentro de uma plataforma operada pelo próprio Google. Como esse tipo de estrutura cria uma economia realmente monopolista, acho que a regulação antitruste é indispensável neste caso