22 pontos por GN⁺ 2025-08-23 | Ainda não há comentários. | Compartilhar no WhatsApp
  • Uma startup fez com que os próprios engenheiros participassem das calls de vendas, o que acabou mudando de forma fundamental a maneira como o produto era desenvolvido
  • Durante as calls de vendas, eles perceberam que os produtos concorrentes eram complexos demais para usuários não técnicos e que os clientes, mais do que logs e métricas, queriam apenas uma confirmação visual (um check verde) de que o monitoramento estava funcionando, além de perguntarem simplesmente se “alguém não poderia fazer isso por eles”
  • Com isso, uma equipe antes centrada no backend passou a entender a perspectiva do usuário e começou a conceber por conta própria uma nova arquitetura, sem intervenção de PM
  • Em apenas 2 semanas, a plataforma teve 60% das funcionalidades removidas, ganhou uma barra de progresso, integração com Slack e um recurso de fluxo de trabalho feito para o cliente, resultando em 70% menos tickets de suporte
  • A lição tirada dessa experiência foi que os usuários só querem que o problema seja resolvido e não se importam com código elegante, e que funcionalidades geram custo não em linhas de código, mas em confusão para o usuário

Contexto e experimento

  • Um engenheiro sênior de DevOps era contra participar de calls de vendas, mas concordou com a condição de testar pelo menos 5 calls
  • O fundador julgou que o design do produto só mudaria de verdade se os engenheiros ouvissem diretamente a linguagem e os problemas dos clientes

Insights obtidos nas calls de vendas

  • Diziam que os produtos concorrentes eram complexos demais para usuários não técnicos
  • Os clientes queriam algo intuitivo, como um simples check verde, em vez de métricas complexas
  • Muitos clientes pediam um “serviço feito por nós”, querendo terceirizar a resolução do problema em si, e não apenas usar a ferramenta

Resultado da reescrita do produto

  • A equipe removeu 60% das funcionalidades existentes e focou no essencial
  • Adicionou uma barra de progresso simples para melhorar a experiência de uso
  • Simplificou o fluxo de atendimento com integração com Slack
  • Passou a oferecer um workflow done-for-you, refletindo diretamente a demanda dos clientes
  • No fim, houve 70% menos tickets de suporte, com grande melhora na usabilidade e na satisfação com o produto

Principais lições

  • Os usuários querem a solução do problema, não uma solução técnica elegante
  • Entender o usuário é mais importante do que precisão técnica
  • Toda funcionalidade traz um custo, não em código, mas em confusão para o usuário

Mudança na cultura da equipe

  • Depois disso, a empresa tornou obrigatório que todos os engenheiros participem de 5 calls de vendas por trimestre
  • Virou parte da cultura fazer com que os engenheiros ouçam diretamente o cansaço dos clientes e entrem em contato com a demanda de que “basta funcionar bem”, desenvolvendo assim melhor intuição de produto

Principais pontos dos comentários no Reddit

  • Debate sobre o papel de PM
    • Alguns apontaram que o problema era a falta de um bom Product Manager e argumentaram que fazer engenheiros participarem também de conversas com clientes é ineficiente
    • Em contrapartida, houve quem respondesse que “PM acaba sendo só um tradutor, e os melhores resultados aparecem quando o engenheiro assume diretamente os problemas do cliente”
  • O valor do contato com o cliente
    • Vários comentários reforçaram que a experiência de o engenheiro ouvir diretamente a voz do usuário gera insights muito poderosos
    • Também houve a opinião de que, em startups em estágio inicial ou em equipes pequenas, é comum que o engenheiro também assuma parte do papel de PM
  • Visão crítica
    • Houve críticas de que isso foi simplesmente empurrar para os engenheiros um fracasso de liderança/cultura
    • Também apareceu a objeção de que “cortar funcionalidades e simplificar” talvez não seja necessariamente uma melhoria real, com alerta de que, no longo prazo, isso pode ignorar power users e demandas por recursos avançados
  • Compartilhamento de casos positivos
    • Muitas pessoas compartilharam experiências semelhantes em setores como banco e dispositivos médicos, onde havia políticas para que todos os funcionários vivenciassem suporte ao cliente e vendas
    • Houve concordância de que “Dogfooding” e a experiência de estar diretamente diante do cliente ajudam a melhorar a qualidade do produto e a cultura da empresa
  • Síntese das implicações
    • Fazer as pessoas sentirem diretamente o problema do cliente é uma ferramenta de aprendizado poderosa,
    • mas, ao mesmo tempo, o ponto central do debate foi que, no longo prazo, isso precisa ser combinado com competências profissionais de PM, UX e design para construir uma estratégia de produto equilibrada

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