10 pontos por GN⁺ 2025-06-25 | Ainda não há comentários. | Compartilhar no WhatsApp
  • Em inúmeros softwares verticais (por setor), o maior fator que dificulta a expansão é o caráter fechado dos sistemas de gestão existentes (ERP/SOR) e suas políticas de bloqueio à integração externa
  • A maior parte dos dados críticos está presa em ERPs legados ou só permite acesso parcial, então startups emergentes de Vertical AI não conseguem se integrar aos sistemas centrais mesmo quando o cliente exige isso
  • SaaS emergente baseado em AI tem uma demanda especialmente alta por integração de dados e enfrenta um novo desafio: integrar não só APIs tradicionais, mas também dados não estruturados (e-mails, fotos de campo, chamadas telefônicas etc.)
  • Para resolver isso, os fundadores estão testando na prática cinco estratégias: “uso de credenciais de login”, “parcerias”, “foco em SMB”, “AI independente de ERP” e “uso de infraestrutura de AI”
  • A expectativa é que frameworks padronizados de agentes de AI (como MCP) e modelos de RPA/Operator baseados em AI se tornem novas formas de integração no futuro

Software vertical e o problema de integração

  • Segundo o Departamento do Trabalho dos EUA, existem mais de 1.000 setores, e em cada um deles o ERP/SOR (sistema de gestão de negócios) cumpre o papel de “centro dos dados”
  • A maioria dos ERPs verticais restringe o fornecimento de APIs para integração externa ou só permite isso por meios caros e complexos
    • Exemplos: Epic na saúde, Yardi no mercado imobiliário e Dentrix na odontologia bloqueiam ou permitem apenas parcialmente a integração de novos SaaS por meio de forte controle sobre os dados
    • Essa estrutura, apesar de gerar insatisfação nos clientes (queda no NPS), leva a um efeito de lock-in que dificulta sair do ERP

As dificuldades de integração enfrentadas pela Vertical AI

  • Mesmo os primeiros clientes frequentemente dizem: “se não integrar com o ERP, não dá para usar”
  • Fornecedores legados evitam APIs públicas/integrações por concorrência ou falta de capacidade técnica
  • Equipes de TI corporativas (especialmente CIOs e executivos) também desconfiam do acesso a dados por AI externa ou por SaaS emergente

O que a AI pode mudar — e seus limites

  • Em comparação com SaaS tradicional, produtos baseados em AI exigem também o uso de dados não estruturados fora do ERP (e-mail, papel, fotos, conhecimento oral etc.)
  • As soluções de AI acabam destacando ainda mais as dificuldades de integração de dados
  • O escopo da integração se expande de “API oficial” para “caminhos informais + dados externos não estruturados”

As 5 estratégias que os fundadores estão testando na prática

1. Kludge (gambiarra / integração não oficial)

  • Receber do cliente a conta de login/permissões do ERP para que o agente de AI leia e escreva dados diretamente
  • Uso de atalhos como crawling automatizado e injeção direta no banco de dados
  • Caso real: decisão RTMS vs PointClickCare (nos EUA, com base na lei de liberação de informações de saúde, decidindo contra EHRs que restringiam o acesso por AI)
  • Vantagem: resultados rápidos
  • Desvantagens: risco jurídico, compliance (HIPAA, GDPR etc.), segurança e impossibilidade de escalar no longo prazo

2. Parcerias

  • Firmar parcerias oficiais com ERPs/plataformas legadas, permitindo que a AI opere em conjunto sobre o ERP
  • Convencer o ERP de que “AI é tendência; faça parceria conosco, forneça os dados e compartilhe parte da receita”
  • Vantagens: possibilidade de escalar mais rápido do que o próprio ERP, além de viabilizar grandes contratos
  • Desvantagens: barreiras e lentidão de entrada por setor, além da possibilidade de reação/controle por parte do ERP

3. Segmentation (segmentação de mercado: foco em SMB)

  • Focar em pequenas e médias empresas (SMB) e mirar ERPs mais abertos a API e mais fáceis de substituir
  • No mercado SMB, o lock-in legado é mais fraco; a concorrência é intensa, mas a barreira de entrada é menor
  • Atenção: o tamanho desse mercado SMB precisa ser suficiente

4. Wedge Selection (AI independente de ERP)

  • Focar em Vertical AI em áreas que não exigem integração com ERP/SOR
    • Ex.: AI de vendas por setor, AI para suporte ao cliente etc.
  • Também é possível cobrar com base em desempenho (geração de leads, volume de tickets processados etc.)
  • Uso de um modelo em que o cliente insere os dados diretamente no ERP (hand-off)

5. Uso de infraestrutura e padrões de AI

  • Surgimento de frameworks padrão para integração de AI (ex.: Anthropic Model Context Protocol, MCP)
    • Reduzem o custo de integrações pontuais com diferentes SaaS/APIs e permitem expansão modular
  • Conceito de “usuário de computador” baseado em AI (Operator, CUA etc.): uma evolução do RPA tradicional com AI, que vai além da automação simples de cliques e passa a operar com reconhecimento de imagem e contexto
    • Ex.: OpenAI ChatGPT Operator (automação de navegador baseada na web), Adept (AI RPA corporativo)
  • Ainda está em estágio inicial, mas há expectativa de papel relevante para Vertical AI empresarial

Conclusão e insights

  • O problema de integração com ERP/SOR na AI vertical não é apenas uma questão técnica ou de API, mas também de estrutura da indústria e estratégia de entrada no mercado
  • Dependendo do cliente, do ERP, dos dados e do escopo de uso da AI, é necessário definir estratégias multicamadas e flexíveis
  • No futuro, frameworks padronizados de agentes de AI e tecnologias de RPA/Operator baseadas em AI podem se consolidar como um novo modelo de integração
  • A combinação e aplicação de cada estratégia (gambiarra, parceria, SMB, AI sem integração e padrões de infraestrutura) é a chave dos casos de sucesso reais

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