- Nas redes sociais, a informação fica espalhada, o que dificulta encontrar o que se procura
- Antigamente, era fácil conhecer músicas e filmes novos por meio de curadores especialistas e da mídia
- A dependência de algoritmos prende o usuário a gostos específicos e não oferece novas surpresas nem diversidade
- O excesso de informação e as bolhas de gosto estão tornando o consumo cultural uma atividade mais cansativa
- Como solução, destaca-se o esforço de organizar por conta própria e descobrir coisas por acaso, mas não existe resposta única, e cada pessoa acaba criando seu próprio jeito
A era das redes sociais e a dispersão da informação
- Recentemente, Björk está promovendo o novo filme-concerto Cornucopia
- Informações relacionadas circulam em excesso nas redes sociais e no Reddit, entre outros lugares, mas surge uma confusão em que é difícil encontrar dados precisos
- No Reddit, alguém publicou um post pedindo que explicassem "de forma bem simples", e houve até discussões sobre a origem das informações
- Nessa situação, um site à moda antiga ou informações bem organizadas fariam diferença
Os limites dos algoritmos e o desconforto no consumo de informação
- As redes sociais parecem convenientes, mas espalham as informações por vários lugares, gerando ineficiência
- O usuário precisa se esforçar para encontrar informação e, no fim, acaba dependendo de algoritmos
- O avanço da tecnologia ampliou o acesso à informação, mas, paradoxalmente, faz a internet inteira parecer um grande amontoado de confusão
- Com o desaparecimento da curadoria especializada, aumenta o peso de cada indivíduo ter de selecionar informações por conta própria
Comparação com experiências de curadoria do passado
- Quando era jovem, o autor conseguia ter contato com culturas variadas mesmo numa pequena cidade do interior, usando apenas mídias limitadas como rádio, MTV e revistas de música
- Por meio do rádio, de programas da MTV, revistas e programas de crítica de cinema na TV, ele descobria naturalmente música internacional e filmes independentes
- Mesmo antes da internet, era possível acompanhar gostos e tendências com pouco esforço
Curadoria, algoritmos e fadiga cultural
- Com a ascensão das redes sociais, a cultura da curadoria entrou em declínio
- A cultura da crítica também enfraqueceu, e até alguns dos sites restantes, como Vulture e Pitchfork, ao se fixarem em cliques e volume de artigos, acabam agravando o excesso de informação
- Como os algoritmos recomendam apenas conteúdos que o usuário já costuma consumir, diminuem as chances de novas experiências culturais e de descobertas acidentais
- Com informação e opções demais, muita gente sente cansaço e pressão no próprio ato de consumir cultura
- Mesmo quando recebem recomendações, tornou-se comum responder "tem coisa demais para ver, então não consigo", quando na prática a barreira maior está na escolha e na confiança
Organização própria e esforço de personalização
- Recentemente, o autor vem tentando gerenciar informações de interesse com notas e listas feitas manualmente, em ferramentas como o Obsidian, sem depender de algoritmos
- Esse método também tem o limite de fazer acompanhar tudo parecer um trabalho, mas, sem grande alternativa, cada um precisa encontrar um novo jeito
- Quem valoriza o conforto dos algoritmos tende a permanecer neles, enquanto quem quer um mundo mais amplo tende a sair em busca por conta própria
- Se procurar o bastante, no fim é possível encontrar o que se quer
Encerramento
- Em resumo, numa era em que a curadoria desapareceu, torna-se importante ter o próprio método de organização e processo de descoberta em meio à enxurrada de informações
- É preciso equilibrar a praticidade da tecnologia, o excesso de informação e uma postura de participação ativa
7 comentários
Parece ser apenas um texto nostálgico, relembrando o passado. Ainda hoje é fácil compartilhar com as pessoas ao redor a experiência de ter visto os mesmos Shorts ou Reels. Algoritmos de recomendação também não fazem apenas exploitation. Todo mundo já deve ter passado pela experiência de receber recomendações de vídeos de uma área nova de repente, ou seja, exploration.
Foi exatamente por sentir esse tipo de problema que criei a Snippot... Pensar em uma boa solução é fácil, mas fazer dar certo é realmente muito difícil.. T_T
A diferença entre algoritmo e curadoria parece meio vaga
Se é o computador que faz, é algoritmo?
Se é uma pessoa que faz, é curadoria?
Em sistemas de recomendação personalizados,
parece ser a ideia de que os usuários são agrupados de forma adequada e que recomendações para esse grupo funcionam melhor
Papel impresso -> TV -> internet
à medida que fomos nessa direção, parece ser verdade que o tamanho dos grupos de usuários para recomendação foi diminuindo
Eu entendo da seguinte forma:
No passado, os bardos e contadores de histórias parecem ter cumprido o papel que hoje cabe aos curadores e aos sistemas de recomendação.
Opinião do Hacker News
"Mas a maior diferença em relação ao passado é que desapareceu aquela
experiência cultural compartilhadaque todo mundo vivia. Nos anos 90, todo mundo conhecia as 40 músicas do rádio.""Até no Spotify às vezes recomendam músicas boas, mas no geral a sensação é de que tudo ficou muito mais solitário. Antes, a música me conectava com outras pessoas; agora sou só eu e o Spotify."
"Também é por isso que ultimamente voltei a frequentar o Hacker News. Porque os posts, as notícias e as informações que eu vejo são exatamente os mesmos que outras pessoas também veem. Mesmo que seja um grupo pequeno, existe um consenso que permite às pessoas compartilhar um fluxo comum."
É fácil notar que essas opiniões aparecem em comum.