Sua startup não precisa se tornar um unicórnio
(mattgiustwilliamson.substack.com)> "Existe um terceiro caminho para empreender que não é nem VC nem bootstrap"
- O autor fundou a empresa Vizzly e a vendeu para a WPP apenas 3 anos depois
- Foi aceito pela YC e viveu de perto a cultura de startups em San Francisco, mas era cético em relação à abordagem de "all-in"
- O fracasso aparente da rodada seed acabou gerando, no fim, o melhor resultado possível para a empresa e para ele próprio
- Isso o levou a operar o negócio com foco em receita, e até pequenas oportunidades de aquisição puderam resultar em um grande desfecho
- Na maioria das histórias de startups, o foco costuma estar no modelo de VC (crescimento acima de tudo) e no modelo bootstrap (sustentabilidade e autonomia), mas quase não se fala do caminho intermediário entre os dois
Modelo de VC: estrutura centrada em crescimento acelerado
- VCs tentam pagar todo o fundo com os 3% de casos de sucesso do portfólio
- Um exit na faixa de US$ 10 milhões não desperta interesse
- Com rodadas sucessivas de captação e a estrutura de preference stack, o fundador pode acabar quase sem retorno no momento do exit
- Preference stack é a estrutura em que investidores recuperam seu dinheiro primeiro em caso de exit
- Por exemplo, mesmo que a empresa seja vendida por US$ 40 milhões, se tiver levantado US$ 30 milhões e a maior parte da contrapartida vier em troca de ações, o fundador pode acabar com um ganho real pequeno
Modelo bootstrap: uma jornada que leva muito tempo
- O modelo bootstrap cresce apenas com receita, sem levantar capital, e tem como vantagens a estabilidade e a autonomia
- Mas esse modelo exige muito tempo, e na maioria dos casos de sucesso o time já tinha experiência anterior com agências (ex.: Mailchimp, Basecamp etc.)
- O fundador precisa ter fôlego financeiro para aguentar esse caminho, e isso não é viável para todo mundo
O caminho intermediário: nem VC nem bootstrap
- O "caminho intermediário" proposto neste texto busca rentabilidade rápida e um exit adequado com pouco capital
- Com investimento pequeno, abaixo de US$ 1 milhão, a ideia é alcançar product-market fit (PMF) e aumentar o valor da empresa com base na receita
- Esse caminho permite que o fundador mantenha uma participação maior e reduza a pressão
- Muitos VCs não gostam desse modelo ou simplesmente o ignoram, mas investidores-anjo podem aceitá-lo porque ficam satisfeitos até com retornos de 2x a 3x
- Levantar capital demais pode, ao contrário, fazer com que não sobre nada no exit
- O fundador precisa definir primeiro suas prioridades e valores, e então escolher a estratégia de financiamento compatível com isso
Resumo principal
- Existe um caminho de startup bem-sucedida mesmo sem virar unicórnio
- Há uma "zona doce" entre o pre-seed e a Series A
- É importante deixar claros seus objetivos e valores e tomar cuidado para não entrar em uma jornada desnecessária
2 comentários
Concordo. Também acredito que um terceiro caminho possa se tornar uma das novas respostas certas em um mundo de juros médios + IA + multipolarização.
Opinião do Hacker News
Na Alemanha, existe um modelo em que é possível apresentar um plano de negócios a um banco estatal de investimento e solicitar vários apoios financeiros
A Alemanha é famosa pelo "Mittelstand", que se refere a empresas familiares
Não há problema em abrir uma empresa para ganhar dinheiro, mas isso afeta a decisão de ceder parte dela a investidores
Fora da bolha das startups de VC, empresas operando com pouco capital são comuns
O caminho do meio só é possível quando VCs estão dispostos a acompanhar
Até negócios pequenos podem gerar resultados que mudam a vida da equipe fundadora
O ideal é captar o valor ótimo, mas isso nem sempre é tão simples
Startup é uma empresa projetada para crescer rapidamente
Em vez de investir $1M por 10%, talvez seja melhor comprar ouro ou imóveis
Tentar virar unicórnio destrói muitos bons produtos