Jardins botânicos podem reduzir em média 5°C do ar nas cidades
- Com o planeta ficando mais quente por causa das mudanças climáticas, incluir infraestruturas urbanas como jardins botânicos, parques, árvores de rua, paredes verdes e áreas úmidas no planejamento pode ajudar a resfriar o ar das cidades.
- Segundo um estudo liderado pela Universidade de Surrey, no Reino Unido, jardins botânicos podem reduzir a temperatura do ar em áreas urbanas em até 5°C, seguidos por áreas úmidas e jardins de chuva, com 4,7°C e 4,5°C, respectivamente.
- Árvores de rua têm efeito de redução de 3,8°C, enquanto parques urbanos apresentam queda de 3,2°C.
Importância dos resultados do estudo
- O estudo oferece o panorama mais abrangente até agora, embora já se soubesse há muito tempo que espaços verdes e a água ajudam a resfriar as cidades.
- Esses efeitos ocorrem por razões como a sombra fornecida pelas árvores e o resfriamento do ar pela evaporação da água.
Método e descobertas da pesquisa
- Entre mais de 27.000 artigos científicos, 202 foram selecionados para meta-análise com base em categorias de infraestrutura urbana verde-azul-cinza.
- Árvores e plantas ajudam a reduzir o calor ao diminuir a incidência direta de luz solar e liberar umidade no ar.
- Corpos d’água resfriam o entorno por meio de "evapotranspiração, sombra, efeito albedo, recarga de aquíferos e amortecimento térmico", podendo oferecer efeito de resfriamento durante o dia e potencial de aquecimento à noite.
- Telhados e paredes verdes ajudam a isolar edifícios e reduzir a absorção de calor, enquanto a vegetação atua como barreira contra o vento para ventilação natural.
Conclusão e implicações do estudo
- Todos os tipos de infraestrutura urbana verde-azul-cinza oferecem efeito de resfriamento, e é necessário trazer a natureza de volta para cidades densas e em expansão.
- No entanto, não existe uma solução única adequada para todas as regiões, e é preciso planejamento eficaz.
- É necessário avaliar o contexto local, as condições ambientais, os recursos disponíveis e o orçamento para garantir efeitos de longo prazo e evitar possíveis desvantagens.
Opinião do GN⁺
- Este estudo destaca a importância dos elementos naturais no planejamento urbano e no design ambiental. À medida que a urbanização avança, esses resultados podem oferecer orientações úteis para urbanistas e arquitetos que buscam melhorar o ambiente de vida nas cidades.
- A pesquisa também aponta a necessidade de soluções personalizadas para cada região. Isso é uma consideração importante ao projetar infraestrutura urbana sustentável levando em conta as características e as condições climáticas de cada cidade.
- Ao planejar projetos de arborização e áreas verdes urbanas, é preciso considerar não apenas a redução da temperatura, mas também os serviços ecossistêmicos, o aumento da biodiversidade e os efeitos sobre a saúde e o bem-estar públicos.
- Ao adotar essa tecnologia, é preciso considerar o custo inicial de instalação, os custos de manutenção e a integração com a infraestrutura urbana existente.
- Ao enfatizar a importância da infraestrutura verde para reduzir o efeito de ilha de calor urbana e responder às mudanças climáticas, o estudo apresenta caminhos que podem contribuir para a sustentabilidade das cidades e para a melhoria da qualidade de vida dos moradores.
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Opiniões no Hacker News
Um usuário disse que ficou recentemente fascinado pelas "florestas Miyawaki" e demonstrou interesse por pequenas florestas urbanas densas que podem atingir a maturidade em poucos anos. Ele argumenta que, em vez de exigências mínimas de estacionamento, deveria haver exigências mínimas de floresta.
Foi mencionado que, se uma cidade não puder bancar um jardim botânico, medidas como plantar árvores nas calçadas podem trazer benefícios ecológicos, além de fazer bem para a saúde mental das pessoas e reduzir a criminalidade.
Explica-se que áreas verdes não apenas reduzem o calor, mas, acima de tudo, significam remover concreto, o que ajuda a mitigar o efeito de ilha de calor urbana. Mesmo assim, ainda existe resistência ou indiferença à ideia de plantar mais árvores e reduzir o espaço destinado aos veículos.
Um usuário, perguntando se seria possível resfriar um deserto, propôs a ideia de construir usinas nucleares na borda do Saara e plantar bambu em larga escala por meio da dessalinização da água do mar, para resfriar o deserto e absorver dióxido de carbono, causando um impacto global sobre o aquecimento climático.
Há um usuário que acredita que um jardim botânico esfria o ar dentro dele, mas não teria muito efeito sobre outras partes da cidade, especialmente onde o asfalto esquenta ao sol. Ele aponta que não faz sentido, do ponto de vista lógico, comparar o efeito de resfriamento de um jardim botânico com o do plantio de árvores nas ruas.
Há um usuário que se pergunta por que tantas cidades não criam mais florestas para resfriar seus espaços. Ele compartilha a experiência de ter estudado em um campus com muitas árvores, onde a temperatura era pelo menos 5 graus Celsius mais baixa do que fora do campus.
Um usuário comenta que já dá para entender além do título que as árvores fornecem sombra e que a água evaporando tem efeito de resfriamento sobre o ar. Ele argumenta que não é necessário haver um jardim botânico de fato.
Há um usuário que considera que deveria ser senso comum que plantar árvores e manter espaços verdes nativos dentro da cidade ajuda a mantê-la fresca. Ele menciona o custo da manutenção das árvores e compartilha sua própria experiência.
Um usuário diz que, ao andar de motocicleta, consegue sentir claramente as partes mais frescas e mais quentes da cidade. Segundo ele, áreas com árvores parecem alguns graus mais frias.
Um usuário que mora em Londres menciona que, apesar de a cidade ter muitos parques, uma onda de calor recente fez surgir sulcos profundos no asfalto derretido perto de pontos de ônibus.