Os bastidores do programa de trabalho forçado da Coreia do Norte
- Trabalhadores norte-coreanos em fábricas chinesas sofrem agressões, abuso sexual, confisco estatal de salários e ameaças de que seriam "mortos sem deixar vestígios" caso tentassem fugir.
- Em fevereiro de 2023, a empresa de processamento de frutos do mar Donggang Jinhui Foodstuff, de Dandong, na China, realizou uma festa para comemorar um ano bem-sucedido, e trabalhadores norte-coreanos parecem ter participado.
- A empresa está lucrando ao usar trabalhadores enviados pelo governo norte-coreano para atuar em fábricas chinesas, o que viola sanções da ONU.
A realidade dos trabalhadores norte-coreanos
- Trabalhadores norte-coreanos estão sendo alocados em vários setores da indústria chinesa como parte de um programa de trabalho forçado administrado pela Room 39, uma agência secreta do governo norte-coreano.
- Por meio desse programa, a Coreia do Norte obtém divisas estrangeiras e, em 2012, enviou cerca de 40 mil trabalhadores para a China, arrecadando até 2,3 bilhões de dólares por ano.
- Mesmo após as sanções da ONU de 2017, muitos trabalhadores norte-coreanos ainda seguem trabalhando na China, em setores como construção, têxtil e empresas de software.
Depoimentos dos trabalhadores
- Trabalhadoras vivem confinadas nas fábricas sob condições violentas de trabalho, e também há relatos de violência sexual por parte de gerentes.
- Os trabalhadores são ameaçados de sofrer punições severas se tentarem fugir, e alguns chegam a ser forçados à prostituição.
- Essas condições existem por meio da cooperação entre os governos da China e da Coreia do Norte, e a presença de trabalhadores norte-coreanos na China é um segredo aberto.
Cooperação entre China e Coreia do Norte
- Os governos da China e da Coreia do Norte cooperam na seleção e alocação de trabalhadoras para atuar em locais como empresas de frutos do mar.
- Para conseguir a chance de trabalhar na China, os trabalhadores passam por verificação de lealdade política, e alguns contraem empréstimos com juros altos para pagar os custos da viagem.
- Empresas chinesas conseguem reduzir custos ao usar trabalhadores norte-coreanos, que recebem salários muito inferiores aos dos funcionários locais.
Exportações para os Estados Unidos
- Nos Estados Unidos, a importação de produtos feitos por trabalhadores norte-coreanos é proibida, mas a aplicação dessa proibição é difícil.
- A equipe de investigação rastreou frutos do mar exportados para os Estados Unidos a partir de fábricas onde trabalhadores norte-coreanos parecem atuar.
- Esses frutos do mar abastecem varejistas americanos como Walmart, Giant e ShopRite, além de grandes redes de restaurantes e até refeitórios do exército dos EUA e de escolas públicas.
Opinião do GN⁺
- Este artigo expõe graves violações de direitos humanos no programa de trabalho forçado da Coreia do Norte e da China, sugerindo a necessidade de atenção e resposta da comunidade internacional.
- Mostra que, apesar de sanções internacionais e medidas legais contra o trabalho forçado, ainda existem casos em que elas são contornadas ou ignoradas.
- A cobertura desse problema destaca a importância da transparência e da gestão da cadeia de suprimentos, além de alertar os consumidores para a necessidade de consumo ético.
- Do ponto de vista tecnológico, são necessários esforços para aumentar a transparência da cadeia de suprimentos e enfrentar problemas como o trabalho forçado com o uso de tecnologias como blockchain.
- O artigo também contribui para ampliar a compreensão sobre a situação interna da Coreia do Norte e sobre as políticas internacionais em relação ao país.
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