- Pix é um sistema de pagamentos instantâneos desenvolvido e operado pelo Banco Central do Brasil, que processa transferências entre contas bancárias em poucos segundos, 24 horas por dia, 7 dias por semana, gratuitamente para pessoas físicas e com taxa de cerca de 0,33% para empresas
- Em 2025, o Pix processou R$ 35,3 trilhões e quase 80 bilhões de transações, com mais de 180 milhões de usuários; cerca de 93% da população adulta brasileira corresponde a usuários pessoa física
- No mercado de pagamentos do Brasil, o Pix respondeu por 49% das transações financeiras em 2025, enquanto cartões de débito e crédito ficaram em 14% cada, e o dinheiro em espécie caiu para 6%
- As perdas de Visa e Mastercard devido ao Pix entre 2021 e 2024 foram estimadas em cerca de R$ 12 bilhões; em 2025, o USTR abriu uma investigação alegando que o Pix cria uma “desvantagem competitiva desleal” para empresas americanas
- O presidente Lula afirmou que “ninguém vai nos fazer mudar o Pix”, e o Banco Central segue expandindo funcionalidades e segurança com Automatic Pix, Proximity Pix, International Pix, Installment Pix e MED 2.0
O crescimento do Pix e como ele funciona
- Pix é um sistema de pagamentos instantâneos desenvolvido e operado pelo Banco Central do Brasil (BCB), anunciado pela primeira vez em fevereiro de 2019; sua operação oficial começou em 5 de outubro de 2020 e entrou em funcionamento pleno em 16 de novembro de 2020
- O nome é um trocadilho que combina “Pi” de
Pagamentos Instantâneoscom “Tix” deTransações instantâneas X, destacando velocidade, tecnologia e versatilidade - O Pix permite transferências em tempo real entre contas bancárias em poucos segundos, 24 horas por dia, 7 dias por semana, 365 dias por ano
- Os usuários podem registrar como chave Pix um número de telefone, e-mail, CPF ou CNPJ, ou ainda uma chave aleatória gerada pelo sistema
- O pagador seleciona Pix no app do banco, insere a chave do recebedor ou escaneia um QR code e, após confirmar com biometria ou PIN, o dinheiro é transferido imediatamente e ambos recebem confirmação em tempo real
- O sistema opera por meio do Instant Payments System (SPI) do Banco Central e está disponível em praticamente todas as instituições financeiras do Brasil
- É totalmente gratuito para pessoas físicas, e a taxa para empresas é de cerca de 0,33%, abaixo dos 2% a 5% normalmente cobrados pelos cartões
Volume de transações e adoção
- Em 2025, o Pix movimentou R$ 35,3 trilhões (cerca de US$ 6,7 trilhões), alta de 33,7% em relação aos R$ 26,5 trilhões do ano anterior
- O número de transações em 2025 chegou a quase 80 bilhões, acima dos mais de 63 bilhões registrados em 2024
- Desde o lançamento até setembro de 2025, o Pix processou 196,2 bilhões de transações e movimentou US$ 16 trilhões, volume superior a 7 vezes o PIB anual do Brasil em 2024
- Atualmente, o Pix tem mais de 180 milhões de usuários; entre eles, 162,8 milhões são pessoas físicas, o equivalente a cerca de 93% da população adulta brasileira
- Há mais de 617 milhões de contas registradas, mais de 920 milhões de chaves Pix ativas e 930 instituições financeiras participantes
- Em 6 de junho de 2025, o sistema bateu recorde diário com 276 milhões de transações em um único dia, superando com folga o volume combinado de Visa e Mastercard no Brasil
- Segundo dados do Banco Central, no início de 2025 o Pix já processava mais de 224 milhões de transações por dia, ultrapassando amplamente a escala somada das duas gigantes americanas de cartões
- Em 2025, o Pix respondeu por 49% das transações financeiras no mercado brasileiro de pagamentos; cartões de débito e crédito registraram 14% cada, e o dinheiro em espécie ficou em 6%
- A participação do dinheiro em espécie caiu fortemente em comparação com os 83% registrados em 2021
Conflito com Visa e Mastercard
- O sucesso do Pix corroeu de forma significativa a participação das multinacionais americanas de cartões no mercado brasileiro
- O CEO da Mastercard Brasil, Marcelo Tangioni, manifestou preocupação desde 2022: “O Pix é ótimo e benéfico para o setor. O que não é bom é o fato de estar sob o Banco Central. Não se pode regular e competir ao mesmo tempo”
- As perdas causadas pelo Pix entre 2021 e 2024 foram estimadas em cerca de R$ 12 bilhões, sendo aproximadamente R$ 6,5 bilhões para a Visa e R$ 5,3 bilhões para a Mastercard
- A principal causa das perdas é a taxa muito mais baixa do Pix: cerca de 0,33%, contra média de 2,3% dos cartões
- Em setembro de 2025, o governo Donald Trump apoiou publicamente Visa e Mastercard, e o U.S. Trade Representative (USTR) iniciou uma investigação formal sobre o Pix
- A investigação do USTR sustenta a alegação de que o Pix cria uma “desvantagem competitiva desleal” para empresas americanas do setor
- Em abril de 2026, um relatório da Casa Branca voltou a apontar o Pix como um “sistema prejudicial às empresas globais de cartão de crédito”
Resposta do governo brasileiro e do setor bancário
- O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou: “Ninguém vai nos fazer mudar o Pix”
- Lula lançou uma campanha nas redes sociais com o slogan “Pix is ours, my friend”, com tom explicitamente nacionalista
- A Federação Brasileira de Bancos defendeu que o Pix segue um “modelo aberto”, acessível a todos os agentes financeiros
- A federação argumenta que, por não ser um produto comercial, o Pix “promove a concorrência”
Expansão de funcionalidades e reforço da segurança
- O Banco Central do Brasil continua expandindo as funcionalidades do Pix
- O Automatic Pix foi lançado para pagamentos recorrentes, como assinaturas e contas, e no primeiro ano registrou crescimento mensal de 41% no volume transacionado e de 34% no número de adesões
- O Proximity Pix permite pagamentos por tecnologia NFC sem necessidade de internet
- O International Pix permite que turistas brasileiros no exterior paguem com câmbio em tempo real
- O Installment Pix permite parcelar pagamentos, competindo diretamente com opções tradicionais de crédito
- O Banco Central reforçou a segurança com o Special Refund Mechanism (MED) 2.0, que permite rastrear recursos em casos de fraude
- O MED 2.0 se tornará obrigatório a partir de fevereiro de 2026
1 comentários
Comentários do Hacker News
O que Visa e Mastercard temem parece não ser que o Pix substitua diretamente o modelo de negócios delas, mas que outros países passem a adotar a mesma ideia
Passei 3 meses no Brasil no começo deste ano, mas não consegui usar o Pix uma única vez. Não foi por falta de vontade, e sim porque eu precisava obter um CPF e abrir uma conta bancária vinculada a esse CPF, o que era muito incômodo para um estrangeiro
Já Visa e Mastercard funcionavam em qualquer lugar do país, quase não precisei de dinheiro em espécie, e até vendedores de rua frequentemente aceitavam cartões de crédito comuns. O Pix é um excelente meio de pagamento local, mas se cada país criar um sistema diferente e Visa/Mastercard desaparecerem, poderemos voltar aos tempos de 50 anos atrás, quando se escondiam notas de dólar no quarto de hotel ao viajar
É uma forma de pagar taxas e apoiar empresas locais, sem ficar à mercê de mudanças de política externa. Ironicamente, essas redes às vezes têm até caráter sem fins lucrativos
A Irlanda já teve um sistema parecido chamado Laser, que acabou desaparecendo em nome da “conveniência”, mas na prática foi mais porque Visa e Mastercard dominaram o mercado de POS, impedindo os cartões Laser de oferecer cashback, e os bancos acabaram abandonando o sistema. Espero que a Europa crie concorrência ao duopólio Mastercard/Visa
https://en.wikipedia.org/wiki/Laser_(debit_card)
Se alguém virar alvo de exclusão política, passa a existir um ponto único de falha para bloquear contas. Reduzir as taxas de processamento é ótimo, mas não se isso significar criar um ponto único de falha que controla a capacidade de pagamento da população inteira
Entendo por que Visa e Mastercard estão preocupadas. A Apple também deveria estar, mas no Brasil ela não oferece suporte ao Pix no Apple Pay, embora o Pix seja obrigatório aqui. Sinceramente, não faço questão de me importar com empresas assim
Há discussões sobre integrar esses sistemas entre si, e no longo prazo esse parece o caminho natural, além de ser uma ameaça clara para Visa e Mastercard
Hoje, no Brasil, as vantagens do cartão de crédito comum são basicamente cashback e a conveniência do pagamento por aproximação, mas o Pix agora também oferece pagamento por aproximação, então até essa conveniência pode perder força com o tempo
Empresas fintech bolivianas também oferecem integração com o Pix do Brasil, permitindo enviar e receber dinheiro sem CPF. Como é um país vizinho, isso é muito útil
Muita gente subestima como era difícil transferir dinheiro entre bancos locais antes do Pix. Era complicado de usar, podia levar dias, e dependendo do banco as taxas eram altas, mas o Pix resolveu esses problemas
Muitos comerciantes também oferecem desconto para pagamentos via Pix. Isso acontece porque eles evitam não só as taxas de Visa/Mastercard, mas também os custos de infraestrutura cobrados por bancos e fintechs para usar essas redes, como maquininha e financiamento de parcelamento
O problema é que transferência bancária não foi pensada para comprar almoço na praça de alimentação. Não era instantânea, nem simples de configurar. Comparado ao ambiente de pagamentos dos EUA, o Pix parece tecnologia alienígena
O Pix resolveu muitos problemas e tornou tudo mais rápido e simples, mas o Brasil já estava à frente nos sistemas bancários há muito tempo
No Brasil, na prática, o banco usado pelo empregador costuma determinar onde você recebe o salário, e para isso você precisa abrir conta naquele banco. Mas não valia a pena migrar também o cartão de crédito para outro banco, então meu salário caía em um banco e a fatura do cartão era paga por outro
Os EUA parecem não gostar de nada que não controlem. Fico feliz em ver a UE seguindo o exemplo do Brasil e criando seu próprio sistema de pagamentos
A era Visa/MasterCard/PayPal já acabou
Os dois sistemas deveriam coexistir e se complementar, mas o mundo real não é perfeito
A fala do CEO da Mastercard Brasil — “o Pix é bom e benéfico para o setor. O problema é que ele está sob o Banco Central. Não dá para regular e competir ao mesmo tempo” — soa muito como uma visão de mundo americana
Por que não daria? Parece parecido com o motivo pelo qual a Receita dos EUA não oferece uma opção mais fácil para declarar impostos
Como meios de pagamento alternativos continuam permitidos, se o setor privado conseguir oferecer algo melhor e mais barato, pode fazê-lo. Só que competir com um serviço quase gratuito e totalmente integrado não deve ser fácil
Sempre ouvimos que o governo é ineficiente, então não deveria ser difícil, certo?
Parece bem parecido com o Qvik da Hungria
Transferências instantâneas entre bancos locais têm exigência obrigatória de menos de 5 segundos e normalmente levam menos de 1 segundo, e todos os bancos locais precisam oferecer suporte. Dá para enviar e solicitar dinheiro, e os pedidos obviamente exigem aprovação
Você pode usar como identificador básico o número da conta bancária e, como identificadores secundários opcionais, telefone e e-mail; também há suporte para QR code de cobrança. Para valores abaixo de 20 milhões de HUF, cerca de 50 mil euros, não há custo para transferir para pessoas físicas
Pelo que ouvi, foi implementado em Erlang e é um sistema muito robusto, bem projetado, validado e escalável
Também existem sistemas transfronteiriços, como o Revolut Pay. Curiosamente, o primeiro deles surgiu com o M-PESA, no Quênia, mostrando que inovação também pode nascer na África, e não só na Europa ou nos EUA
É divertido ver o crescimento exponencial do PIX. O UPI da Índia veio primeiro, e o PIX pegou muita coisa emprestada dele
Artigo descrevendo experiências relacionadas: https://www.braziliankeynesianreview.org/BKR/article/view/33...
Apesar do discurso barato de soberania do presidente do Brasil, na prática o país não consegue operar o Pix nessa escala sem depender fortemente dos hiperescaladores americanos
Instituições brasileiras pagam centenas de milhões de dólares a provedores de nuvem dos EUA, como a AWS, para dar conta desse volume de transações. Na queda da sa-east-1 no começo deste ano, grandes bancos tiveram de suspender pagamentos por Pix por quase 3 horas, e algumas pessoas de fato não conseguiram comprar nada porque o Pix era seu único meio de pagamento
O Pix é um grande sucesso e uma conquista importante, mas a retórica política hostil entre os governos dos EUA e do Brasil é bastante constrangedora. Os dois países fariam melhor em manter uma relação de negócios cooperativa
[1]https://economia.uol.com.br/noticias/redacao/2026/02/07/falh...
Por isso, o iFood tem uma latência bem perceptível nas interações com o usuário. Para quem está acostumado com jogos online, isso fica especialmente evidente
É por isso que o dinheiro em espécie continua importante como redundância final diante de qualquer falha tecnológica ou de infraestrutura
Mesmo em meio à propaganda política, ele deixa claro que Brasil e EUA são parceiros há séculos e devem continuar sendo
0. https://www.bbc.com/portuguese/articles/cm2vrnq17vdo
Já trabalhei numa empresa que processava 100 milhões de requisições de API por dia com 6 servidores comuns e antigos. Esse sistema não precisava explicitamente da AWS, mas provavelmente foi mais fácil construí-lo assim porque era o que conhecíamos
O Banco Nacional Suíço e outros bancos centrais também deveriam fazer algo parecido. Eles estão perdendo o controle para empresas privadas estrangeiras que decidem o que você pode ou não comprar com base em avaliações de risco, e não na lei
Uma das funções do SNB é viabilizar pagamentos, mas, como a maioria usa pagamentos digitais, ele está perdendo essa capacidade e esse controle
Se você cair sob sanções dos EUA, perde acesso a todos os sistemas de pagamento digital. Na Suíça, o acesso a uma conta bancária é um direito garantido por lei, mas na prática só é possível usar o Postfinance, e ainda assim com uma conta quase inútil, sem transferências nem cartão de crédito. Até o Twint, sistema interno de pagamentos digitais, passa em parte por sistemas americanos
Surpreende que Visa e Mastercard sejam empresas privadas. Eu imaginava que dinheiro fosse algo gerido pelo governo, e que um pequeno grupo de empresas não pudesse impor ao público taxas que funcionam como um imposto de 1% a 3%
Nos EUA, cartões de crédito representam 71% das vendas no varejo do país. O governo talvez não tenha competência para criar boa tecnologia, nem para fazer algo que funcione bem em outros países como o cartão de crédito, mas ainda assim isso parece estranho
https://www.youtube.com/watch?v=k2rKS4l6MAk
É perfeitamente razoável que todos os países criem seus próprios sistemas de pagamento e parem de pagar um imposto sobre pagamentos aos EUA
Fazer pagamentos em si, seja quem for o operador, não é um problema tecnicamente difícil. No fundo, é só mover números entre contas. O difícil é combater fraudes e lidar com disputas
O UPI da Índia também é muito rápido e fácil de usar. Dá para transferir dinheiro instantaneamente usando só um número de telefone, QR code ou um UPI ID que parece um e-mail
O sistema processa de 19 a 20 bilhões de transações por mês. Além do UPI, a Índia também tem formas de transferência bancária como NEFT, IMPS e RTGS, todas bastante convenientes e fáceis de usar