As ferramentas de IA aumentam a produtividade, mas fazem desaparecer a alma e a individualidade do trabalho; uma reflexão honesta de um desenvolvedor e escritor que quer resistir aos resultados de IA que convergem para a “média” e preservar a própria voz.
O autor (Xe Iaso) aponta que, ao usar ferramentas de IA, especialmente Claude e Cursor, está aumentando o trabalho em um nível mais alto de abstração, no qual, em vez de escrever código, ele explica a intenção (intent) e delega.
Principais sentimentos e argumentos:
- Ao usar IA, a produtividade explode, mas ele não sente absolutamente nada em relação ao resultado. Parece algo “acontecendo ao redor”, e desaparece a sensação de ter feito aquilo com as próprias mãos.
- Resta apenas um peso insensível, como o de uma “form letter” (carta-modelo).
- A IA se concentra em terminar o trabalho rápido, mas qualidade, capricho artesanal, individualidade e textura são fortemente sacrificados.
- A saída da IA em geral converge para a média → é uniforme e não tem alma (
soul). É “correct and competent and fine”, mas ele diz que justamente o “fine” é o inimigo de tudo o que valoriza. - Para manter seu estilo de escrita (como se conversasse de igual para igual, com um tom um pouco autoconfiante e peculiar), agora passou a ser necessária uma resistência consciente. O tom padrão da IA tende com muito mais facilidade para uma explicação autoritária e comum.
- Ele se preocupa com como desenvolvedores juniores poderão construir e provar sua habilidade nesse ambiente. Mesmo resultados feitos de qualquer jeito com IA acabam levando a emprego, então o sinal de “quem é realmente bom” fica cada vez mais ruidoso.
- O doublethink do setor: dizem que “IA é só uma ferramenta”, mas demitem juniores; dizem que “valorizam o craft”, mas não dão sequer tempo para fazer craft.
Em conclusão, o autor sente que
a troca “maior abstração = mais produtividade” tira embora algo essencial,
e declara que, para preservar sua voz singular e sua individualidade, vai escolher deliberadamente um nível mais baixo de abstração, com mais trabalho direto.
“Fiquei absurdamente mais rápido graças à IA, mas odeio o fato de que o resultado é seco demais e não parece meu. Se o preço for abrir mão de individualidade e alma, prefiro fazer mais devagar, com as minhas próprias mãos.”
5 comentários
A verdade eterna é: se você não gosta, não faça, e não exija dos outros.
Como o texto também diz,
é mais uma mudança no nível de abstração...
o código escrito em Node não vira linguagem de máquina diretamente, ele roda sobre uma VM,
e a própria VM também funciona sobre outras bibliotecas padrão básicas,
e também tem asm......
Vejo muita gente falando em “ter apego ao código”,
mas eu, desde antes, fico na dúvida se chego a ter esse apego ou não
e, como costumo esquecer rapidinho depois de um dia, sinceramente não sei muito bem.
Quando lapido bastante o código com IA para construir algo, às vezes também dá uma sensação parecida.
E vocês, por quanto tempo costumam manter apego ao código?
Concordo. Eu também não me apego ao que foi feito por IA. Dá até a sensação de que não fui eu que fiz.
Escrever bem as funcionalidades com código sem firulas é o mais próximo do melhor em produção. Não sei bem o que querem dizer com “alma”. Seria bom incluir exemplos.