- Dois especialistas em segurança presos em 2019 durante uma inspeção de segurança em um tribunal de Iowa receberão um acordo de US$ 600 mil em um processo por prisão indevida e difamação
- Os dois eram testadores de intrusão da Coalfire Labs e realizavam um teste oficial de intrusão simulada de “red team” autorizado pelo Judiciário de Iowa
- O teste especificava a inclusão de ataques físicos (como arrombamento de fechaduras), mas as autoridades locais de segurança os prenderam por acusação de furto qualificado
- Depois, a acusação foi reduzida para invasão de propriedade de menor gravidade, mas o xerife do condado de Dallas continuou afirmando que se tratava de ato ilegal e mantendo críticas públicas
- O caso passou a ser visto como um alerta de que profissionais de segurança podem ser presos durante testes legítimos, desencadeando mudanças significativas em todo o processo de testes de intrusão física
Visão geral do caso
- Em 2019, Gary DeMercurio e Justin Wynn foram presos enquanto realizavam uma inspeção de segurança oficialmente aprovada no tribunal do condado de Dallas, em Iowa
- Os dois trabalhavam para a empresa de segurança Coalfire Labs, sediada no Colorado, e conduziam uma simulação de intrusão “red team” com autorização por escrito do Judiciário de Iowa
- O objetivo do teste era verificar a resiliência das defesas de segurança ao imitar métodos de invasão usados por criminosos ou hackers reais
- Pelas regras, ataques físicos (como arrombamento de fechaduras) eram permitidos, desde que limitados a situações que não causassem danos significativos
Prisão e resposta judicial
- Os dois foram presos por furto qualificado de terceiro grau, ficaram 20 horas detidos e foram soltos após pagamento de fiança de US$ 50 mil cada
- Depois, a acusação foi reduzida para invasão de propriedade de menor gravidade, mas o xerife do condado de Dallas, Chad Leonard, continuou afirmando que o ato era ilegal e manteve a condenação pública
- Os dois abriram processo por prisão indevida e difamação e, seis anos após o ocorrido, receberão um acordo de US$ 600 mil
Impacto do caso
- Wynn afirmou que “esse caso não tornou ninguém mais seguro” e disse que ficou um efeito inibidor, ao mostrar que ajudar o governo a avaliar vulnerabilidades pode levar a prisão, acusação criminal e difamação
- Esse dano à reputação pode ser fatal para a carreira de um profissional de segurança, e os clientes também passaram a reconhecer o risco
- Após o caso, houve mudanças significativas nos procedimentos e no sistema de aprovação de testes de intrusão física
O que aconteceu na época
- Na madrugada de 11 de setembro de 2019, os dois encontraram a porta lateral do tribunal destrancada, fecharam-na e a trancaram, depois entraram destravando a fechadura pela fresta
- Logo após a entrada, o alarme disparou e a polícia foi acionada, levando à prisão
- O artigo inclui a explicação de que “o motivo de esse caso ter saído do controle foi a resposta do xerife e, na maioria das jurisdições, algo assim provavelmente teria sido tratado sem acusações”
Reação do setor de segurança
- O caso gerou grande controvérsia entre profissionais de segurança e autoridades policiais
- Ele mostrou que até testes realizados sob contrato legal válido podem ficar expostos a risco de punição criminal, despertando alerta em todo o setor de segurança
- Como resultado, ganhou força a necessidade de fortalecer os procedimentos de aprovação e as proteções legais para pentests físicos
1 comentários
Comentários do Hacker News
A polícia chegou ao local, deteve os homens, conferiu a autorização oficial que eles apresentaram e até ligou para a pessoa responsável para confirmar que estava tudo certo
Mas, assim que o xerife chegou, ordenou a prisão. No fim, o problema era uma única pessoa que não entendeu a situação, justamente alguém com autoridade
Lembro de ter lido sobre isso quando aconteceu pela primeira vez. Ainda bem que, no fim, houve um desfecho relativamente positivo
Para referência, a thread do HN logo após a prisão está aqui
O caso aconteceu em 2019, e as engrenagens da justiça giram devagar demais
Lembro como esse caso foi absurdo na época. Acho que o xerife deveria ter sido removido, mas receber US$ 100 mil por ano pela incompetência do condado de Dallas foi, ao menos, um resultado melhor do que nada
Esse é exatamente o tipo de história que eu quero ver no Hacker News
Ainda bem que as acusações foram retiradas, mas, olhando a cobertura original, havia um contexto muito mais complexo do que a matéria dá a entender
No artigo da Ars Technica de 2019,
Em resumo, a reação exagerada do xerife foi errada, mas os pentesters também não agiram de forma totalmente exemplar
Álcool ou dano à propriedade eram absolutamente proibidos, e, se a polícia aparecesse apontando armas, jamais nos esconderíamos.
Como esse tipo de teste é arriscado, incluíamos na equipe alguém ex-militar ou ex-policial para garantir a segurança
Segundo a matéria, “ataques físicos” e “lockpicking” eram permitidos e, na prática, eles abriram a porta trancada sem causar danos
O setor público diz que “não consegue contratar ninguém” e mesmo assim faz esse tipo de coisa. Além disso, é bem provável que aquele xerife fosse um cargo eletivo
Quem vier a passar por uma situação assim no futuro precisa avisar a polícia local com antecedência, por escrito, por telefone e pessoalmente
O mais seguro é conseguir aprovação prévia da polícia ou uma no-objection letter. Também é preciso compartilhar toda a documentação com um advogado. O mundo não é gentil
É uma pena que tenha terminado em acordo. Entendo que os autores não quisessem continuar brigando, mas o abuso de poder do xerife deveria ter sido punido