4 pontos por GN⁺ 2025-10-08 | 1 comentários | Compartilhar no WhatsApp
  • Página do museu que reúne todos os catálogos publicados pela IKEA ao longo de mais de 70 anos
  • A IKEA foi fundada na década de 1940, mas não havia catálogos antes de 1951
  • O primeiro catálogo foi publicado em 1951 e, até então, a empresa operava como uma companhia de vendas por correspondência
  • Nesse período, vendia canetas, relógios, barbeadores elétricos, carteiras e bolsas, e os móveis não eram o principal item
  • Antes de 1951, os produtos eram apresentados por meio de um pequeno folheto de vendas por correspondência chamado ikéa-nytt (notícias da IKEA)
  • Esse folheto às vezes era distribuído como suplemento do Jordbrukarnas Föreningsblad (jornal dos agricultores suecos), chegando a centenas de milhares de pessoas
  • No outono de 1948, Ingvar Kamprad começou gradualmente a incluir móveis na linha de produtos
  • Em 1950, no ikéa-nytt, 6 das 18 páginas já eram dedicadas a móveis, mostrando o aumento da importância dessa categoria
  • No catálogo de 1951, canetas e carteiras já não apareciam mais
  • A partir daí, a empresa passou a se concentrar no segmento de mobiliário e decoração para o lar, excluindo outras categorias de produtos

1 comentários

 
GN⁺ 2025-10-08
Comentários no Hacker News
  • Eu pagaria com prazer pelos antigos catálogos anuais impressos da IKEA; acho que muita gente compraria mesmo se fossem vendidos na loja por algo como 2 euros só para cobrir a impressão. Vejo isso como algo além de uma simples lista de produtos: é um artefato cultural, uma janela para a estética, os valores e o estilo de vida de cada época. Eu mesmo ainda guardo catálogos antigos, e não sou o único.
    • Quero compartilhar uma curiosidade: no passado, a Getty Images enviava álbuns físicos de fotos de stock impressas. Há uns 25 anos, quando eu trabalhava como freelancer em uma agência de publicidade, vi um desses álbuns durante uma visita ao escritório. Um funcionário comentou que eu podia receber um de graça; pedi um e depois recebi pelo correio um volume de 10 kg. Era uma época em que informação na internet era escassa e celular ainda era novidade. Também acontecia de eu ir a museus ou galerias e, se gostasse, comprar um catálogo pesado para guardar a lembrança. Hoje, em qualquer lugar, em vez de tirar foto por conta própria, é fácil encontrar online imagens feitas por profissionais com os melhores equipamentos e condições.
    • Esse catálogo foi, disparado, a publicidade mais eficaz que já experimentei na vida. Todo ano ele chegava de graça pelo correio, e quando eu era criança ficava sonhando com as casas e apartamentos de lá. A marca ficou tão forte na minha cabeça que, mesmo depois de sair da casa dos meus pais, eu continuei procurando só a IKEA. No ano passado tentei reler para pegar ideias para decorar a casa nova, mas levei um bom choque ao descobrir que não existe mais versão impressa. Já existia online havia 24 ou 25 anos, mas a edição digital não chega nem perto da mesma sensação. Antigamente a família lia por diversão e ia passando de mão em mão até anoitecer; essa experiência é impossível no digital. Eu compraria na hora, mesmo que fosse pago.
    • Quando eu era criança no Reino Unido, o catálogo da Argos parecia mágico.
    • Produzir um catálogo era um projeto enorme que levava meses. Não existe só custo de impressão; há planejamento, montagem de interiores, fotografia e vários outros custos e esforços. Acho que a IKEA, com toda a experiência que tem, entende melhor do que ninguém a realidade econômica do catálogo.
  • Tenho curiosidade de saber por que a loja online da IKEA, em qualquer país, parece ter uma usabilidade tão desconfortável. A lista de componentes fica escondida em algum PDF, é difícil achar peças compatíveis, e quando você pesquisa surge resultado demais para cada combinação possível. Tudo isso parece bem intencional, e eu queria entender com qual objetivo.
    • Diferente de uma loja online comum, nem sempre todos os tamanhos aparecem de cara. Por exemplo, há vários tamanhos para esta cômoda, mas isso não fica claro na página do produto STORKLINTA 3-drawer chest. E, ao pesquisar por "STORKLINTA", aparecem até produtos sem relação, como cama, o que dificulta encontrar o que você quer Pesquisar STORKLINTA na IKEA
    • Acho que a IKEA sabe muito bem como levar as pessoas para a loja física. O site só te provoca e no fim é deliberadamente pouco satisfatório. Ele não deixa você encontrar tudo o que quer online, então você acaba indo à loja. E aí volta para casa não só com o que pretendia comprar, mas também com velas, porta-retratos, almôndegas e mais algumas coisas.
    • Talvez eu mesmo faça parte desse fenômeno. Não compro na IKEA com tanta frequência, mas costumo memorizar a linha de produtos, examinar inúmeras combinações e PDFs, e consultar os manuais de montagem. Sempre estou disposto a gastar um pouco de tempo pesquisando por causa da flexibilidade dos produtos da IKEA. Só agora percebi como a experiência do site é realmente diferente da de outras marcas. A loja física da IKEA não é uma loja tradicional, é quase uma exploração; se tanto pesquisar online quanto andar pela loja te incomodam, talvez a proposta nunca tenha sido para você. O público-alvo em si é peculiar.
    • É só a minha experiência, mas pelo que ouvi de um amigo que trabalha na IKEA, a cultura organizacional lá é extremamente sensível a mudanças. Como o negócio já funciona muito bem, qualquer alteração que tenha risco de causar nem que seja 0,001% de problema vira tabu. Até implantações relativamente pequenas passam por longos processos burocráticos multinacionais, e há muito foco em bloquear automação por medo de que ela resulte em redução de pessoal.
    • No episódio sobre a IKEA do podcast 'Acquired', eles analisam que a experiência de "comprar você mesmo" no passado trazia uma economia relevante por dispensar custos de entrega. Quando o móvel não era desmontável, frete e transporte eram caros. Hoje, com frete grátis sob certas condições já bastante comum, a rentabilidade da venda online cai. Pode haver uma escolha estratégica deliberada de priorizar a experiência offline.
  • É impressionante como muitos designs da IKEA de décadas atrás ainda hoje não parecem nem um pouco estranhos. É uma combinação única de bom design, preço baixo e qualidade razoável.
    • Muitos designs da IKEA são versões baratas de designs famosos da mesma época. Por exemplo, a POÄNG imita a cadeira 406 de Alvar Aalto, a FROSTA imita o Stool 60 dele, e vários outros produtos seguem trabalhos de Bruno Mathsson. Ironicamente, esses produtos copiados às vezes também acabaram virando clássicos por si só, como peças vintage colecionáveis. A IKEA às vezes cria designs realmente originais, mas em geral adapta designs famosos já existentes para uma fabricação barata. A qualidade de construção cai bastante por causa disso. Comparando a FROSTA com o banco do Aalto, por exemplo, a diferença na madeira é gritante: a FROSTA é basicamente compensado cortado, enquanto o banco de Aalto usa madeira maciça de bordo, acabamento refinado e uma estrutura de junção característica Foto da estrutura do banco de Aalto
    • Eu restaurei uma mesa da IKEA feita nos anos 1980. Até encontrei no catálogo. Como é de madeira maciça, parece que ainda vai durar mais 40 anos.
    • Comparar os estilos de cada época é interessante. O catálogo de 1959 tem designs finos, com curvas e ângulos marcantes; o da metade dos anos 80 é gorducho, acolchoado e cheio de cores fortes; já os anos 2020 ficam em preto e branco sem muita presença, com pontos de cor intensa.
  • Eu gostaria que marcas de relógio como Omega, Zenith e Seiko, além de montadoras de carros e outras empresas, também colocassem seus catálogos antigos online. É uma experiência incrível poder ver de relance a história dessas empresas.
    • Já dei de cara com o catálogo da Harrods de 1912. É divertido navegar pela lista de compras daquela época Harrods 1912 Catalog Archive
  • Já ouvi dizer que o catálogo da IKEA foi a única publicação a superar a Bíblia em tiragem anual (200 milhões de exemplares por ano no auge).
  • Acho curioso essa notícia ter ido parar na capa do HN. Quero muito usar esse catálogo em um projeto pessoal, então entrei em contato com o museu da IKEA e com a matriz para pedir permissões adicionais, mas ainda não recebi resposta. Se alguém conhecer alguém no museu ou na IKEA, por favor entre em contato.
    • Na era atual de raspagem por IA, com certeza precisamos de projetos divertidos e únicos usando os catálogos da IKEA. Eu não trabalho no museu da IKEA, mas por apoio simbólico adoraria te dar permissão. Fiquei curioso para saber qual é a ideia do projeto.
    • Teve gente pedindo para entrar em contato por DM.
  • Tive uma experiência interessante relacionada a catálogos antigos da IKEA. Recentemente, na casa de um amigo polonês, encontrei uma cômoda que parecia ter sido feita na época da PRL. Tentei achar informações do modelo, mas não havia nada online, e minha curiosidade só aumentou. No fim, confirmei no verso o ano de fabricação, o fabricante e o nome do modelo, e depois passei um bom tempo vasculhando catálogos da era PRL e sites de leilão. Encontrei detalhes de produtos semelhantes e descobri que o original era um conjunto de móveis feito por Marian Grabiński como presente de casamento para Kamprad (fundador da IKEA). Kamprad gostou tanto do presente que mandou produzir uma pequena série na Suécia, mas ela não foi vendida normalmente na Polônia. O que houve foi que um fabricante polonês criou protótipos e distribuiu uma quantidade ínfima apenas para membros do partido. Depois ouvi que a tia do meu amigo realmente tinha sido integrante do partido, e aí tudo fez sentido.
    • Acrescentando contexto: a Polônia foi uma base central de produção da IKEA nos anos 1960. Isso aconteceu porque fabricantes suecos passaram a boicotar a IKEA, e a Polônia virou um importante centro de manufatura A relação entre a IKEA e a Polônia
  • Fiquei curioso para saber quando um computador apareceu pela primeira vez no catálogo da IKEA, então fui passando rapidamente por alguns anos. Em 1984 (página 158) aparece um terminal; em 1985 (página 103), algo que parece um computador de 8 bits; e em 1986 (página 190), um Mac. Queria saber se alguém viu um exemplo ainda mais antigo. Dá para brincar bastante com esse tipo de pesquisa: quando apareceu a primeira TV de tela plana, o primeiro rack para CDs, o micro-ondas? No catálogo de 2020 ainda há uma vitrola (página 156), e nas páginas 56 e 61 aparece uma máquina de escrever. Acho curioso ver uma máquina de escrever em 2020; será que na Suécia ainda usam isso?
    • Fico pensando quando será o fim do rack para CDs. Pedi recentemente dois CDs de jazz e, por causa de um erro na entrega, recebi duas vezes. Tentei distribuir de graça entre as pessoas ao meu redor, mas ninguém quer player de CD nem CD. Quando eu ia à casa dos amigos, era divertido olhar a estante de livros ou o rack de CDs; parece que esses dias estão com os dias contados.
    • Catálogos de móveis são montados para despertar empatia emocional com determinados espaços. Itens em estilo retrô, como toca-discos, voltaram à moda nos anos 2010 e 2020, e a máquina de escrever parece ser uma extensão dessa mesma tendência nostálgica. Ainda hoje, lojas de merchandising de cantores ou bandas novos às vezes vendem discos de vinil Link de exemplo de disco de vinil
  • A mesa LACK, segundo a IKEA, foi lançada em 1979, mas na prática o primeiro registro que consegui achar foi no catálogo de 1981, página 68, em cinco cores. Ela também aparece na capa.
  • Quando eu tinha 13 anos, em vez de entregar jornais, distribuía folhetos publicitários nas caixas de correio. Normalmente eu fazia o trajeto uma vez só, mas na semana em que chegava o catálogo da IKEA ele era tão grosso e pesado que eu precisava fazer várias idas e voltas.