A falsidade da história da fazenda de SIM do Serviço Secreto
(cybersect.substack.com)- O Serviço Secreto anunciou recentemente que impediu uma grande ameaça à segurança nacional, mas na realidade tratava-se apenas de uma organização criminosa comum
- Veículos como o NYTimes repetiram as alegações oficiais sem verificação suficiente
- Fazendas de SIM são um método criminoso comum, usado principalmente para spam por SMS ou encaminhamento de chamadas internacionais
- As alegações dos especialistas citados e de fontes anônimas são exageradas ou falsas
- Na prática, não se trata de uma ameaça à segurança nacional, mas apenas de um método criminoso comum
Visão geral
O Serviço Secreto (Secret Service) anunciou recentemente que impediu uma “grande ameaça à segurança nacional”. Os principais veículos de imprensa vêm reproduzindo isso sem muito questionamento. No entanto, na prática, trata-se apenas da descoberta de uma fazenda de SIM (SIM farm) operada por uma organização criminosa comum.
Uso real e contexto das fazendas de SIM
- A fazenda de SIM encontrada usa milhares de “telefones” celulares para spam por SMS ou para encaminhar chamadas internacionais por números locais
- Tecnicamente, isso também pode fazer parte de uma estrutura empresarial legítima que conecta provedores de VoIP a redes móveis
- O resultado surgiu de uma investigação iniciada a partir do rastreamento de extorsões por SMS feitas por criminosos
- Ao rastrear a origem das mensagens, encontraram a fazenda de SIM em questão
Imprensa e interesse público
- Veículos como o NYTimes citaram fontes anônimas, alegando que o assunto estava sob investigação para permitir o anonimato das fontes
- Isso não é um motivo válido para anonimato e, em geral, serve apenas para veicular vazamentos oficiais (propaganda) dessas autoridades
- O Serviço Secreto sabe que se trata de um crime comum envolvendo fazenda de SIM, mas ainda assim exagera o caso como ameaça à segurança nacional
- Ao mencionar a possibilidade de encontrar fazendas de SIM semelhantes em outras cidades, acaba admitindo que isso também é um crime comum
Anúncios oficiais e exageros
- Na declaração oficial, continua a distorção com expressões como “num raio de 35 milhas do prédio da ONU”, desconectadas da realidade
- De forma não oficial, surgem exageros como “nunca vimos uma operação dessa escala”
- Como o Serviço Secreto normalmente não lida com esse tipo de crime, o tamanho do caso pode parecer surpreendente para eles, mas ainda assim é um crime comum
Relação entre especialistas e imprensa
- James A. Lewis (ex-CSIS, atualmente em outra instituição), frequentemente citado pelo NYTimes, aparece sempre ao lado de alegações anônimas de autoridades. Isso sugere que a estrutura autoridade-imprensa-especialista vem sendo usada como uma espécie de sistema de propaganda
- Outro especialista citado, Anthony Ferrante, também é apresentado com base em seu histórico em altos cargos do governo. Hackers práticos e especialistas técnicos de verdade não são citados pela imprensa
- Esses especialistas fazem alegações objetivamente falsas, como “isso é espionagem” ou “pode ser usado para escutas”. Na prática, uma fazenda de SIM não pode ser usada para escuta telefônica
- Lewis afirmou que “uma operação de fazenda de SIM em grande escala como essa só seria possível para poucos países, como Rússia, China e Israel”, mas na realidade trata-se de um crime que qualquer pessoa pode praticar com pouco capital e conhecimento técnico
Como uma fazenda de SIM funciona
- Os dispositivos descritos como “telefones” não são smartphones comuns; normalmente são uma única máquina (geralmente baseada em Linux) operando com 20 rádios de banda base e 100 cartões SIM
- Os cartões SIM funcionam como planos pré-pagos de 10 dólares por mês, capazes de enviar 1.000 SMS em um curto período
- Os criminosos revezam vários SIMs para tentar parecer usuários normais
Exagero sobre a ameaça à rede de telecomunicações
- O Serviço Secreto destaca a fazenda de SIM como uma ameaça à segurança nacional capaz de derrubar torres de celular, mas na prática trata-se apenas de um risco cotidiano em que uma fazenda de SIM ocasionalmente derruba uma torre
- A tecnologia de SMS em si é muito antiga e, quando um grande volume de SMS se concentra em um só lugar, a torre pode ficar temporariamente sobrecarregada
- Em grandes cidades há milhares de torres e 10 milhões de assinantes, então a paralisação de algumas torres não causa grande impacto no sistema como um todo
Conclusão
- No momento, este caso envolve uma fazenda de SIM operada por uma organização criminosa comum, cujo principal objetivo é spam por SMS
- Não há base para o exagero sobre forças estrangeiras adotarem esse método para abalar a infraestrutura nacional
- O envolvimento do Serviço Secreto se deve ao fato de que a origem das extorsões por SMS contra políticos estava sendo ocultada
- Imprensa, governo e alguns especialistas seguem promovendo propaganda excessiva
- Na realidade, não se trata de ameaça à segurança nacional nem de atividade de espionagem, mas de um método criminoso comum
Apêndice
- Há comentários adicionais, como a alegação exagerada de que a operação ficava “num raio de 35 milhas do prédio da ONU”
1 comentários
Opinião do Hacker News
Há muita coisa para abordar neste post, mas quero destacar só este ponto: a alegação de que “o NYT, ao citar um funcionário anônimo falando sob condição de anonimato sobre uma investigação em andamento, mostra que a matéria é falsa”. Na verdade, isso é uma prática jornalística estabelecida há muito tempo. Especialmente em reportagens sobre investigações ou política sensível, citar fontes anônimas é comum. O NYT também decide o uso de fontes anônimas com base em critérios editoriais. Claro, a confiabilidade da informação é uma questão à parte, e aí o papel do editor é importante. Existe uma verdade específica no “jogo de Washington”, mas tratar toda reportagem com fontes anônimas como propaganda é exagero. Por exemplo, grandes verdades como Watergate, os Pentagon Papers e Abu Ghraib vieram à tona por meio de apuração com fontes anônimas. Em reportagem responsável, há um processo de avaliar a motivação da fonte e cruzar as informações. O autor desta vez está simplificando demais e distorcendo a essência. Há um exagero na forma como infla o problema da “propaganda”. Negar isso em termos absolutos é impreciso. E esse tipo de tom absolutista, essa tentativa de simplificar a complexidade do debate, só aumenta a confusão e a desconfiança
https://news.ycombinator.com/item?id=45352213
https://news.ycombinator.com/item?id=45354893
Se a sociedade seguir esse modelo, há chance de que esta matéria também seja alvo de censura. Robert Graham é um especialista da área, mas não tem o tipo de currículo ou origem que o NYT prefere. Além disso, ele também não concorda com as opiniões das pessoas que o NYT trata como “especialistas”
https://substack.com/@cybersect/p-174413355
Existe o promotor Alec Karakatsanis, que há muito tempo analisa a propaganda policial (copaganda). Seu novo livro, “Copaganda”, detalha como grandes veículos como o NYT constroem reportagens sobre crime usando apenas fontes unilaterais, como polícia, “especialistas” oriundos da polícia e ex-policiais. É um livro realmente muito bom, e eu gostaria que mais gente lesse
Fiquei um pouco confuso ao ler esta notícia. Dependendo da confiabilidade do veículo, considero que notícia não é nem mais nem menos do que transmissão de fatos. Se o articulista não for confiável, também ignoro o comentário dele. Eu espero apenas precisão descritiva da notícia. Esse tipo de descrição exige recursos aos quais o indivíduo comum dificilmente tem acesso, como rede de contatos e presença no local.
Quando um blog pessoal tenta demonstrar logicamente uma determinada tese, usamos um critério um pouco diferente. Esperamos independência e neutralidade. Neste texto, não vejo uma estrutura clara de raciocínio. Não tenho confiança de que as conclusões decorrem naturalmente das premissas. Claro, isso não quer dizer que o texto esteja errado; mas, se acertou, foi com muita ajuda do acaso
Mas, em termos meta, quase toda redação comercial virou aparelho de propaganda de organizações políticas. Limitam-se a copiar texto do ticker da AP sem esforço, fazer conteúdo caça-clique, reproduzir material de agências governamentais (ou do partido) ou simplesmente copiar sussurros de “fontes anônimas”. O que restou é o movimento de jornalistas de verdade saindo da imprensa tradicional e migrando para canais de audiência e monetização diretas, como Substack, YouTube e X
Este caso me lembra os anos 90, quando o governo fazia alarde por ter pego um hacker de 16 anos e vendia a história como se tivesse impedido uma crise mundial ao prender Lex Luthor (vilão de quadrinhos, não um hacker real)
Equipamentos de phone farm realmente existem. Dá para comprar neste link do Alibaba, por exemplo
https://www.alibaba.com/product-detail/S22-Server-Rack-S8-Box-Phone_1601557481155.html
Comparado ao que foi apreendido em Nova York, este equipamento parece mais profissional. É um gabinete rackmount 2U com 20 celulares, à venda por $1880 (com os telefones incluídos). O frete também é barato.
Há várias versões à venda: por marca de telefone Android, rackmount, racks de servidor capazes de acomodar milhares de celulares, software para clique em anúncios, no-code etc.
Segundo a descrição do produto, cada caixa vem com 20 placas-mãe e software de controle (15 dias grátis, depois $38/ano)
É possível conectar a caixa ao software Clip Farm e controlar tudo simultaneamente pelo PC, automatizando tarefas. Uma pessoa consegue operar 20 celulares ao mesmo tempo, ou cada um individualmente, e também é muito fácil montar uma matriz de rede com milhares de aparelhos. Pode participar de todos os projetos móveis. Funciona em 110~220V e consome cerca de 100W por caixa
Suporta tanto USB quanto Ethernet
Lendo nas entrelinhas, imagino que talvez tenha acontecido o seguinte:
algumas pessoas do governo dos EUA (protegidas por unidades especiais) foram alvo de swatting
o Secret Service identificou que as ligações eram chamadas anonimizadas por uma SIM farm perto de Nova York
a investigação concluiu que havia “300 servidores SIM em vários pontos e 100 mil cartões SIM”
a hipótese de que isso era para fazer swatting contra participantes da Assembleia Geral da ONU é apenas uma suposição do Secret Service, sem evidência real
Esse cenário é compatível com os fatos conhecidos até agora?
Hum, eles continuam enfatizando essa distância de 35 milhas
Sobre a crítica de que “por esse motivo não faz sentido permitir fontes anônimas; isso só espalha propaganda por meio de vazamento oficial”, o momento em que o Secret Service supostamente descobriu uma organização tão ‘gigantesca’ também parece suspeitíssimo
Se o objetivo fosse realmente neutralizar estações rádio-base, bastaria fazer jamming. Isso é claramente uma rede de retransmissão de comunicações (SIM farm), e fora o fato de a ONU estar nas proximidades, não há nada de especial
O tráfego de proxies móveis/residenciais para scraping vem crescendo, e eu sempre tive curiosidade sobre como seria a parte de trás dessas mobile farms
https://oxylabs.io/products/mobile-proxies
Pontos parecidos já tinham sido todos levantados na thread https://news.ycombinator.com/item?id=45345514
O lado irritante é que esses locais com SIM farms, na verdade, são fáceis de encontrar, mas quem deveria agir de fato (as autoridades) não demonstra muita vontade
<i>Grande quantidade de equipamentos capazes de derrubar a rede celular apreendida em Nova York</i> - https://news.ycombinator.com/item?id=45345514 - setembro de 2025 (283 comentários)
Vou adicionar esse link no topo deste post também