- Um desenvolvedor relatou que um projeto de código aberto criado por ele teve a licença alterada sem autorização pela Pickle, uma startup financiada pela Y Combinator
- O projeto original de código aberto, chamado Cheating-Daddy, é uma ferramenta que captura a área de trabalho em tempo real e oferece suporte de IA por meio de análise de tela/áudio
- A Pickle afirmou ter criado em 4 dias uma ferramenta semelhante chamada Glass, dizendo que era 100% gratuita e a publicou como código aberto
- Na prática, apenas reaproveitaram o código e trocaram a licença
- O projeto, que originalmente usava licença GPL, foi alterado para Apache 2.0 para atender aos objetivos da empresa, sem deixar isso explícito
- Não houve consentimento prévio nem aviso ao autor original do projeto
- Depois que a questão virou polêmica, o repositório passou a indicar que se tratava de um fork do autor original
9 comentários
https://x.com/soham_btw/status/1940952786491027886
Vendo o tweet, é um espetáculo lamentável...
......... isso é demais.
Nesse processo, o fundador explicou que não conhecia a licença, mas isso não parece muito convincente.
Não é que eles não entendam de open source, é puro roubo.
Precisamos de um curso nacional sobre open source. Especialmente para fundadores.
Comentários do Hacker News
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O projeto clonado agora tem mais estrelas no GitHub do que o CheatingDaddy original; isso mostra como o marketing de experiência é poderoso. Fica a sensação de que alguém que ganhou fama como o Soham antigamente pode logo abrir uma empresa. Mais um caso em que o marketing venceu.
Já viram isso acontecer com frequência até em projetos muito pequenos. Há casos em que apagam o histórico do fork por pura vaidade e mudam o propósito do repositório para manter as estrelas do repo original. Quando projetos assim são citados em lugares como o HN, se você não viu na época ou não acompanha software de nicho, não tem como saber a verdade. O mundo é um lugar bem estranho.
Há quem sinta que este setor está cheio de roubo há muito tempo justamente por causa de marketing e networking.
Há algo muito suspeito nisso: detectaram sinais de que criaram um branch totalmente novo e fizeram force-push de um
Initial Commitsob GPLv3. Veja o log de commits. Surge até a dúvida se eles nem sabem que o histórico ainda continua lá. Link da atividadeA desculpa de "era nosso primeiro projeto open source, não sabíamos, corrigimos, obrigado por contribuir" foi recebida com incredulidade, como se eles só tivessem trocado o codinome e fingido ser uma empresa.
Este não é apenas um caso de compliance de licença. Mesmo que a licença seja permissiva, esse comportamento em si é plagiarista e antiético. Muitas vezes, fazer a coisa certa vai além do mínimo exigido por lei.
A situação parece muito suspeita, especialmente pela postura de não fazer nem um pedido de desculpas minimamente confiável.
Criticam o fato de a YC investir em uma empresa assim. O próprio fato de isso já parecer algo tão rotineiro há tanto tempo é extremamente suspeito.
Surgiu a dúvida se a forma como os vendors de LLM tratam de maneira frouxa questões de copyright e licenciamento está afetando o setor como um todo.
Observam um aumento de desenvolvedores de open source/free software querendo fechar seu código depois de verem seus projetos serem usados no treinamento de LLMs. Também notam mais desenvolvedores FOSS dedicados deixando de usar o GitHub. Levanta-se a possibilidade de que o código fechado vire tendência no futuro.
Há quem compartilhe ter saído do GitHub e não o usar mais nem para fins pessoais. Não são contra licenças livres, mas agora todo o próprio código está sob (A)GPLv3 ou superior. Projetos importantes serão mantidos em servidores Git privados até logo após estarem prontos. Mesmo se forem publicados como pacote, o processo de desenvolvimento continuará privado (
tarballpúblico apenas, no modelo catedral). Todo o código passa a seguir uma abordagem AI-Free. Recuperar a confiança deve levar muito tempo.Ainda não ouviram uma explicação convincente de por que o uso de dados por vendors de LLM seria completamente diferente da forma como humanos aprendem, já que pessoas também leem livros, são influenciadas por eles e criam suas próprias obras. Isso leva a preocupações mais amplas sobre problemas sociais humanos e extração de recursos repetidos entre gerações. Usando dívida pública e o sistema econômico como exemplos, concluem que talvez não entendamos bem a raiz do problema. Toda dependência seria essencialmente parecida, e a psicologia humana faz com que, mesmo sabendo a causa da ruína, não consigamos parar.
Há empatia com a ideia de que este é um momento realmente difícil para o open source. Sugerem ao menos dar uma estrela no projeto e ajudar a divulgá-lo. Embora a pessoa não seja desenvolvedora, compartilha o link do repositório original: CheatingDaddy GitHub
Reforçam que, mesmo que a licença fosse Apache desde o início, ainda assim não se pode remover os avisos de copyright do código-fonte.
Compartilham a experiência de ver um caso semelhante pela segunda vez em menos de um ano. Antes, outra empresa da YC, a Pear AI, já havia copiado o código open source do Continue, trocado a licença e "lançado" o produto. Adicionam a thread do HN da época. Também surge a dúvida se o repositório open source da Pear AI sumiu ou pivotou, já que não recebe atualizações desde maio deste ano.
Provavelmente apenas virou código fechado.
Seria bom existir um "Hall of Shame" reunindo empresas assim com o histórico de suas atitudes vergonhosas.
Fazem o trocadilho de que a Pear AI ficou
pear-shaped(deu tudo errado).Depois de passar por mais de 10 empresas de tecnologia, alguém concluiu que firmas de VC com muito dinheiro conseguem resolver até coisas ilegais pagando advogados.
Compartilham a percepção de que há uma crise moral chegando. Sempre houve gente de baixa qualidade, mas desde 2020 parece que pessoas com menos moralidade estão sendo mais recompensadas.
Isso seria um resultado natural deste sistema: individualismo extremo, escassez artificial, FOMO, ganância e competição.
Há quem suponha que essa curva tenha disparado desde o fim de 2016.
Hoje, os cargos mais altos parecem ir justamente para quem já provou sua experiência com corrupção. Nesse contexto, startups acabam querendo entrar nessa escada desde o começo. No fim, a estrutura em que vivemos é satirizada com a palavra
merdeitocracy(meritocracia podre).Outra visão é que isso acontece porque não há consequências nem precedentes relevantes para esse tipo de comportamento. Há quem espere que essas pessoas acabem perdendo, mas já não consegue mais ter tanta certeza disso.
Pelo que eu sei, a pickle é uma empresa fundada por coreanos. Que notícia dessas, hein;
Vendo os membros da equipe, parece que esse episódio aconteceu porque eles não entendem bem o ecossistema de software e também desconhecem o open source.
Sério? Que coreano horrível.
Sim, no LinkedIn do CEO aparece que ele se formou na Escola de Ciências de Hanseong em 2017.