Problemas no projeto de lei canadense de cibersegurança
Principais pontos do projeto de lei C-26
- O projeto de lei C-26 concede ao governo canadense o poder de ordenar secretamente que operadoras de telecomunicações instalem backdoors em redes criptografadas.
- Isso pode facilitar a vigilância governamental ao alterar os padrões de criptografia do 5G.
Vulnerabilidades das redes atuais
- As redes atuais já possuem muitas vulnerabilidades.
- Por exemplo, o sistema de sinalização No.7, desenvolvido em 1975, é uma das principais fragilidades de segurança da telefonia móvel.
- Segundo um relatório de 2023 do Citizen Lab, existem vulnerabilidades amplamente disseminadas no núcleo das redes móveis em todo o mundo.
Problemas do projeto de lei
- Em vez de criar novas vulnerabilidades, o governo deveria corrigir as que já existem.
- O projeto de lei C-26 concede amplos poderes para impor mudanças técnicas que podem comprometer a "confidencialidade, integridade e disponibilidade" dos serviços de telecomunicações do Canadá.
- Com esse projeto, o governo se torna o único árbitro a decidir se as comunicações mais confidenciais dos canadenses estarão seguras ou não.
Os riscos de enfraquecer a criptografia
- A criptografia da tecnologia 5G protege as comunicações móveis e os dados dos usuários contra ataques man-in-the-middle.
- O projeto de lei também pode afetar dispositivos inteligentes conectados à nuvem e serviços baseados em satélite.
- Historicamente, backdoors criados por governos representam sérias ameaças à cibersegurança.
A contradição na estratégia de cibersegurança do governo
- Em 2022, o Canadá bloqueou equipamentos de telecomunicações da Huawei e da ZTE, mas o projeto de lei C-26 dá ao país o poder de enfraquecer a criptografia por meio de ordens secretas.
- Isso contradiz a política pró-criptografia do Canadá e as orientações de especialistas.
Não existe backdoor seguro
- Segundo um relatório do GCHQ, a ameaça representada por empresas de hacking comercial terá grande impacto no ambiente cibernético.
- Se o governo canadense obrigar operadoras a enfraquecer recursos de segurança, empresas de ciberespionagem e outros adversários encontrarão mais formas de acessar as comunicações.
Opinião do GN⁺
- Importância da criptografia: a criptografia é o núcleo da cibersegurança, e enfraquecê-la ameaça a segurança de todo o sistema.
- Políticas contraditórias do governo: as políticas do governo canadense são inconsistentes, e isso pode ter impactos negativos também no cenário internacional.
- Vulnerabilidades técnicas: se o projeto for aprovado, é alta a probabilidade de surgirem novas vulnerabilidades técnicas.
- Necessidade de alternativa: o Canadá deve reavaliar seu projeto de lei de cibersegurança em uma direção que proteja e fortaleça a criptografia.
- Impacto internacional: o projeto canadense pode servir de justificativa para leis repressivas semelhantes em outros países.
1 comentários
Comentários do Hacker News
Vigilância da rede de telecomunicações no Canadá: o Canadá tem autoridade para monitorar redes de telecomunicações por meio de backdoors. Isso é algo possível na infraestrutura de qualquer país.
Vigilância sem supervisão judicial: o Canadá parece ter a intenção de realizar vigilância sem os procedimentos legais tradicionais.
Scanners no lado do cliente: scanners no lado do cliente permitem vigilância sem quebrar a E2EE (criptografia de ponta a ponta).
NPU e análise lexical: é possível monitorar conversas usando NPU (unidade de processamento neural) e tecnologias de análise lexical.
As lições de Snowden e Assange: a vigilância conduzida pelo Estado nem sempre exige um alto padrão de evidências. Na prática, a vigilância está acontecendo.
Obrigação legal das operadoras: na maioria dos países, as operadoras de telecomunicações têm a obrigação de fornecer vigilância legal.
Caso de invasão: em 2017, era possível invadir usando apenas o número de celular de um parlamentar canadense. Há dúvidas se esse ataque ainda continua possível.
Controle político: esses esforços de vigilância visam mais o controle político do que crimes reais ou questões de segurança.
Expansão da capacidade de vigilância: o governo afirma que não tem intenção de ampliar sua capacidade de vigilância, mas na prática está reforçando a vigilância.
Ferramentas de vigilância legal: alguns órgãos dos EUA e do Canadá usam ferramentas da JSI Telecom para realizar inspeção profunda de pacotes e gravação de chamadas telefônicas.
Democracia e república: existe a possibilidade de a democracia ser substituída por uma república, o que pode se transformar em um sistema em que o governo faz o que quiser.
Garantia constitucional da criptografia: pode ser necessário garantir a criptografia constitucionalmente. Isso combina bem com o conceito de freios e contrapesos.