- O engenheiro de som do Grateful Dead, Owsley "Bear" Stanley, inspirado durante uma viagem de LSD, criou o gigantesco feito de engenharia técnica chamado "The Wall of Sound", que trouxe mudanças positivas irreversíveis para o som ao vivo e a engenharia de áudio
Introdução a Owsley "Bear" Stanley
- Owsley Stanley era um engenheiro obcecado pelo som do Grateful Dead, banda formada na região da baía de San Francisco em meados dos anos 1960, durante a era hippie, e que contava com uma legião enorme de admiradores
- Estudante de engenharia que abandonou o curso, ele conheceu o Grateful Dead e fez amizade com a banda em 1965, nas infames festas 'acid test' de Ken Kesey; começou a trabalhar como técnico de som do grupo e financiou a banda com os lucros da produção de LSD
- Após uma experiência alucinógena, passou a ficar obcecado pelo som do Grateful Dead e, trabalhando com a banda por muito tempo, iniciou uma busca sem fim pela perfeição auditiva
Desenvolvimento do The Wall of Sound
- Em uma reunião de 1969, enquanto buscavam soluções para seus problemas técnicos, Owsley sugeriu posicionar o PA atrás da banda, proposta que mudou a forma como os engenheiros de áudio pensavam o som de concertos
- Isso significava que o público e a banda ouviriam a mesma coisa, sem atraso, reverberação confusa, frequências em conflito e com feedback mínimo
- Logo Bear deu início ao seu projeto mais ambicioso, e a equipe de som do Grateful Dead, em colaboração com a Alembic, criou o lendário Wall of Sound
O sistema The Wall of Sound
- Essa estrutura gigantesca era composta por mais de 600 alto-falantes de alta qualidade e ficava posicionada atrás da banda durante as apresentações
- Usando 6 sistemas de som independentes, era possível separar 11 canais independentes, e cada alto-falante transmitia apenas um instrumento ou voz por vez, produzindo um áudio nítido sem distorção por intermodulação
- O Wall of Sound funcionava como seu próprio sistema de monitoração e resolveu muitos dos problemas técnicos enfrentados pelos engenheiros de som da época
- O Wall of Sound concluído estreou em 1974, mas no início houve problemas como feedback entre os alto-falantes e os microfones vocais traseiros dos cantores, além da enorme tarefa física de montar o sistema
O legado do The Wall of Sound
- Partes do Wall of Sound foram armazenadas, reutilizadas e recicladas para futuras turnês, enquanto outras foram vendidas; dizem que amigos do Grateful Dead, como Hot Tuna e Jefferson Starship, compraram rapidamente esse equipamento de ponta
- Com os avanços tecnológicos modernos, sistemas muito mais potentes e leves do que o Wall of Sound passaram a existir, mas, em termos de engenharia experimental e sem limitações, o Wall of Sound continua sem paralelo
Opinião do GN⁺
- O sistema Wall of Sound foi uma tentativa de superar os limites da tecnologia de som ao vivo da época. Hoje existem equipamentos muito mais leves e poderosos, mas o espírito experimental e a disposição para enfrentar desafios continuam merecendo admiração
- Ainda assim, por causa do porte físico e do custo do Wall of Sound, ele não parece ter sido um modelo sustentável. A inovação às vezes vem acompanhada do risco de fracasso
- A paixão de Owsley pelo som e sua colaboração com o Grateful Dead podem ser vistas como uma das bases para o desenvolvimento da tecnologia de som ao vivo atual. É um bom exemplo de como a colaboração criativa entre artistas e engenheiros desempenha um papel importante no desenvolvimento de novas tecnologias
- Por outro lado, a controvérsia em torno de Owsley por causa de drogas como o LSD é um ponto lamentável. Fica a dúvida de como teria sido se ele tivesse canalizado sua paixão pelo som a partir de outras fontes de inspiração, e não das drogas
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Comentários do Hacker News
Foi usada uma solução elegante para evitar microfonia: cada microfone vocal era duplicado, com a fase de um dos lados invertida antes de ser enviada aos alto-falantes. Assim, apenas a diferença entre os dois microfones era amplificada, permitindo a passagem da voz enquanto o sinal comum vindo dos alto-falantes era cancelado.
O legado do "Wall of Sound" pode ser visto hoje na maioria dos shows, com caixas acústicas em line array vertical. Um arranjo vertical produz menos distorção do que um horizontal. As caixas de som residenciais modernas também seguem essa filosofia até certo ponto.
É apresentado um site e um app onde se pode ouvir gratuitamente gravações em áudio dos shows do Grateful Dead. A banda não apenas permitia gravações, como também as incentivava.
Dave Rat tem uma visão interessante sobre a ideia do "Wall of Sound" com equipamentos modernos. Os alto-falantes são vulneráveis à polifonia, então quanto mais isso for evitado, mais natural será o som produzido em uma área maior.
Robert Heil, que faleceu recentemente, era alguém que analisava o "Wall of Sound" de uma perspectiva técnica. Sua história e entrevistas são apresentadas.
Dizem que só no fim dos anos 1960 começou a prática de colocar amplificadores na frente dos músicos. Antes disso, os músicos ficavam em pé bem diante dos amplificadores, expostos a níveis enormes de decibéis.
A montagem de palco do Sunn O))) também parece ser uma parente distante da mesma linhagem.